RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

FRIO NA ESPINHA

Mais um "sushiman convidado" aqui no Sushi POP. O texto que segue abaixo é de autoria do Franco de Rosa, veterano quadrinhista e editor que conheço há muitos anos. Antes de ser profissional, fui assistir a uma premiação do Troféu Angelo Agostini e pedi um autógrafo a ele, cuja coluna na Folha da Tarde eu sempre lia.

Bom, o Franco passou por uma situação pitoresca e relatou num e-mail que enviou a alguns contatos. Pedi autorização a ele para reproduzir abaixo o que acabou se tornando uma crônica bem divertida - e arrepiante. E para quem conhece os bastidores do quadrinho nacional há algum tempo, certamente irá reconhecer alguns nomes citados. Divirta-se!

CALAFRIO!

Cara... Hoje a tarde me encontrei com o Toninho Mendes (Circo Editora/ Jacaranda/ Devir) na Comix. Tratamos de um projeto sobre vampiros. A reunião foi rápida e tranquila. De lá eu fui com ele até o Conjunto Nacional. Acabávamos de ver a recém-lançada edição em quadrinhos do Chico Xavier, desenhada pelo Rodolfo Zalla.

Eu tinha que levar os textos de um livro sobre piratas para o Zalla ilustrar, e ele ainda não tinha visto a edição do Chico. Resolvi levar um exemplar para ele.

Um parêntesis: A Ediouro mandou uma caixa para o endereço do Eugenio Colonnese, que faleceu antes de concluir a obra e a filha recebeu a caixa... Juntou a familia para abrir o pacote, e não tinha o trabalho do pai ali. Ela não havia acompanhado o processo nem sabia que o trabalho do Colonnese ficara incompleto... Para ela simplesmente o pai fez o Chico. Seria o último trabalho dele para ela... Mas não foi (o último), pois ele deixou em minhas mãos duas HQs inéditas: Uma do Morto do Pantano e outra da Mirza - A Mulher Vampiro. Fim do parêntesis.

Mas indo para a casa do Zalla, eu peguei um táxi. Estava atrasado e com frio. Estava na Av. Paulista. O motorista do taxi era nordestino e com sotaque carregado. Era bem moreno e parecia um indião de novela da Globo. Bem escuro, de cabelo liso. Mas o cara estava pálido. Com olhos esbugalhados, meio assustado... Estava vindo da região do Hospital das Clínicas. Na verdade, estava vindo do velório do Cemitério do Araçá...

Meio gaguejante, foi me falando que passou por uma situação que não conseguia saber como reagir.

Ele tinha pego um passageiro antes de mim, na região do Pacaembu. E passageiro falou pra ele que tinha sofrido um acidente naquele local uns dias atras. Era um senhor de mais de 70 anos. E o passageiro pediu pra ser levado para o cemitério. Ia para um velório. Chegando lá. Disse que não achava a carteira. Pediu pra ele esperar que ele iria pegar o dinheiro com um parente no velório.

A velho não voltava. Então o taxista resolveu ir atrás dele. Era quase R$ 50,00 pela corrida. Chegou lá dentro. E, ao procurar pelo senhor, encontrou o velho. Mas ele estava dentro do caixão, sendo velado. Tinha sido atropelado na véspera.

Imagina se eu não fiquei todo arrepiado com a história.

Fez-se um silêncio. Demorou um tempão pra eu chegar na casa do Zalla. O transito estava ótimo. Mas fez-se aquele silencio funesto. E eu pensando...putz. Peguei um Chico Xavier na Comix. Nem vi a revista por dentro. Tô levando uma cópia para o Zalla. O Zalla não viu impresso também. Mas... Essa história parece uma história da revista Calafrio ou Mestres do Terror (que fizeram a fama do Zalla). Um clichezaço...Mas o taxista não sabe do meu gibi do Chico Xavier aqui na minha mala. Que p*** coincidência de temas!

Quando cheguei, paguei e desci do carro depressa, mas passados alguns minutos, sinto alguém tocar nas minhas costas.

Era o taxista. Eu havia esquecido minha mala no carro com os dois exemplares do Chico Xavier...

Chego em casa, o telefone toca. É o Rubens Cordeiro...autor da Calafrio. Na sequencia, outro telefonema. É o Álvaro de Moya, que ultimamente vem falando que morreu e ressuscitou (teve uma parada cardiaca - felizmente na frente de um médico e num pronto socorro, já faz mais de dois anos.)

Bom...resolvi registrar isso aqui para vocês...Vou desligar o micro e ir assitir futebol...e nem sou corinthiano. Mas tô sozinho em casa. Tem um gibi com capa desenhada pelo Jayme Cortez olhando pra mim ali no canto...
Acho que estou vivendo um poema de Edgar Allan Poe interpretado pelo ótimo Vincent Price.

Vou assistir jogo, não. Vou contar essa história do taxista pro Rubens Lucchetti. Com certeza ele está acordado a esta hora. Lendo um livro antigo em sua poltrona macabra preferida ou datilografando um roteiro em sua velha Remington...

Boa noite.
Abraço.

Franco de Rosa
01/ 07/ 2009 - 23h26

2 comentários:

Michel disse...

Caramba, acho que esse taxista deve ter participado do Topa Tudo Por Dinheiro…HeHeHe! Há alguns anos, eu vi uma câmera escondida similar no programa do Silvio! Um taxista levava um senhor de idade, que ao chegar no destino, disse que ia buscar o dinheiro e não voltava mais. Aí o taxista entrava na casa e um dos funcionários avisava que o “patrão” tinha falecido há alguns anos! Bom, mas também pode ser mais uma “história de taxista”! E esses caras tem história pra contar...HeHeHe!

Alexandre Nagado disse...

Acho que essa história é meio uma "lenda urbana" e eu adoro lendas urbanas. Lembrando que entre o Chico Xavier e o Padre Quevedo, sou mais o último, eh eh.

Abraços!