Outro dia, uma aluna mostrou um livro de português que ela usou na oitava série e que tinha um trabalho meu. Eu já desenhei para livros didáticos, mas nunca para um livro de português. Qual não foi minha surpresa ao ver páginas da HQ Dani - Pequenos gestos, publicada no álbum Mangá Tropical (Ed. Via Lettera) em 2003. Havia um quadrinho em uma página e depois, nada menos que seis páginas consecutivas ocupando seis páginas do tal livro. Eram justamente as últimas de uma HQ de apenas 13 páginas. Ou seja, mataram a história. Ainda tinha uma interpretação de texto em cima da HQ mostrada. Por um lado, fico lisonjeado que esse livro tenha apresentado meu trabalho a centenas, talvez milhares, de jovens. E meu nome estava creditado corretamente. Porém, eu jamais fui consultado sobre isso. Simplesmente pegaram o álbum, escanearam as páginas e usaram.
Isso num livro que foi (e ainda é) vendido. Talvez eu autorizasse a reprodução de alguma passagem, mas dificilmente da forma como fizeram. Ou usa a HQ inteira (o que eu poderia até ter autorizado), ou usa algum trecho, não metade da história.O livro em questão é o Tecendo Linguagens - Língua Portuguesa - Oitava série, da editora IBEP, lançado em 2006.
Comuniquei à Via Lettera, que editou o trabalho e estamos averiguando o que pode ser feito, pois não me parece muito correto o modo como as coisas foram feitas.

9 comentários:
Isso tem nome, é violação de dirito autoral.
Se vc processa a editora, leva uma ótima grana.
E serve de lição para que não façam amis isso.
Vai saber quantos trabalhos "não autorizados" não publicam?
Fala Nagado!
Fiquei surpreso com esse fato. É como você disse, por um lado é bom pela divulgação do seu trabalho e também fica evidenciada a qualidade dele uma vez que foi publicado num livro de português que, acredito eu, tenha um nível de exigência maior em relação à forma de linguagem, gramática...
Mas realmente é estranha a maneira como a coisa foi feita. A IBEP é uma instituição respeitável e eu quero acreditar que eles talvez não tivessem conhecimento de que você não havia sido consultado...
Enfim, vamos ver o que se consegue apurar.
Um abraço do
Enivaldo Pires
Eu sempre parto do princípio de que não houve má-fé, mas talvez falta de informação. A IBEP já respondeu nossos contatos e estão primeiro se inteirando dos fatos. Espero em breve publicar aqui o resultado de uma resolução justa para esse caso.
Uma vez, descobri uma HQ minha do Maskman feita para a Ed. Abril em 1991 pirateada num site coreano. Eu já fui traduzido em coreano. Tempos depois o site sumiu e nem soube que fim levou. Nesse caso, os direitos eram da Toei Company e da Abril, e essas empresas é que deveriam ter agido. Se é que não o fizeram na época, que foi há uns 5 ou 6 anos atrás.
Iai Nagado, tudo bem?
Realmente a exposição que um livro como esse da é muito boa, e acho que possa ter ocorrido mesmo um mal entendido ou falta de informação. Tenho certeza de que tudo vai se resolver, mas o que me chama a atenção é a editora ter deixado passar uma falha como essa, já que são bem esclarecidas em relação a essas questões contratuais. Quando nós entregamos um trabalho para uma editora temos que assinar contratos em trocentas vias. Vai entender...
Abs e boa sorte.
Pois é, Greg. Editoras de livros didáticos geralmente pedem que a gente assine vários papéis, pois se preocupam muito com essa questão de direitos autorais e uso de imagens.
Após um contato inicial, a IBEP respondeu a mim e à Via Lettera e estamos vendo a melhor maneira de resolver a questão. Ao menos, parece que tudo se encaminha de forma correta.
Acredito que pode não ter sido uma total má fé, mas...
...ninguém pega um material, escaneia e publica no seu livro sem saber que o material em questão pertence à outra editora e autor.
Um caso que isso me faz lembrar foi com o seu Blue Fighter. Primeiro, você me deu sua autorização para publicação, mas além de uma qualidade inferior que espero ter consertado atualmente, Silvio Spotti não havia sido creditado corretamente, o que foi uma distração que não deveria ter acontecido nem na inocência e nem na burrice.
Minha atitude inicial, claro, foi corrigir o erro, mas o essencial ainda virá com um pedido de desculpas público a ele e outras pessoas com as quais sei que cometi erros até hoje.
Espero que essa editora faça muito mais do que isso para consertar a própria furada.
A IBEP não se manifestou ainda. O advogado deles não atende e não retorna ligações do meu advogado. O próximo passo é uma notificação a ser enviada para a editora, exigindo uma posição sobre o caso, que deverá ser um acerto financeiro.
Espero que ajam corretamente daqui pra frente.
Infelizmente é algo que acontece com muita frequência aqui no brasil. Afinal, por não ser um trabalho tão exposto na mída, se acham no direito de usar para lucros próprios sem nem querer saber de quem é.
Realmente, merece um processo para que aprendam a fazer as coisas corretamente. E me admira a IBEP que não é uma editora desconhecida e presumo eu que saiba muito bem destas leis.
Eles sabem das leis. E a responsável por isso já admitiu que houve falha de comunicação, por isso não pediram autorização. A questão agora é a indenização. Eu sei quanto eu cobraria pra liberar a HQ, mas isso vem sendo usado há pelo menos 3 anos à minha revelia. Aí já é assunto para advogados e eu tenho um que pegou o caso. Agora é aguardar.
Abraços!
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