RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

ÉTICA, RESPEITO À VIDA E O JORNALISMO-URUBU


Um grande mito que se diz sobre o jornalismo é que ele deve ser imparcial, um testemunho da História. Mas isso nem sempre (ou quase nunca) funciona. Jornalista é um profissional de informação que deve ter uma boa bagagem cultural para colocar fatos no contexto e relatar acontecimentos com clareza e desenvoltura para que o cidadão possa se informar e formar suas opiniões sobre o mundo. Mas é impossível ser totalmente imparcial. A forma de se apresentar um relato, a ordem das citações, o uso de vírgulas, tudo pode ser interpretado à luz de fatos externos.

Querendo ou não, as opiniões transparecem no resultado final e é assim mesmo que funciona. Por isso é essencial o bom senso para ser um bom formador de opinião.

Porém, muitas vezes, o jornalista acaba servindo aos interesses políticos da empresa onde trabalha. E quase sempre, os interesses são econômicos. É a luta para se manter no mercado cada vez mais competitivo, rápido, e nivelado por baixo. Quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil, os canais deram sua cobertura. Incluindo a Record, que serve à Igreja Universal do Reino de Deus. Curiosamente, no programa dominical da Record, disseram que "várias pessoas" foram ver a missa do Papa, enquanto a câmera mostrava uma dezena de fieis, focalizados num canto, fazendo parecer que era pouca gente no estádio do Pacaembu. Nada de tomadas aéreas como as que foram vistas em outros canais. No mesmo programa, mostraram a inauguração de um templo da Universal na África. Aí, não só usaram tomadas panorâmicas pra mostrar milhares de pessoas reunidas, como também usaram câmeras com lente grande angular, que cria uma ilusão de amplitude maior. Realmente, muito imparcial! E muitas vezes, a "imparcialidade" visa saciar a sede de audiência e de desgraças.

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Quando morreu a garota Isabella no caso que causou comoção nacional, havia aquela cobertura afoita e sensacionalista de todos os canais. Aí, um dia entrou no programa da Ana Maria Braga o repórter Cesar Tralli trazendo novidades sobre o caso. A apresentadora perguntou qual seria a programação das investigações naquele dia. Ao que o Tralli deu uma risadinha e disse: "Pô, mas se eu contar eu vou dar dica pra concorrência, né?" Já tinha virado circo a cobertura do triste caso.

No caso de outra criança foi brutalmente assassinada há alguns anos, o menino João Hélio, houve também uma comoção nacional e todos os canais, ávidos por novidades ou detalhes, só falavam disso. Num programa da Record, a apresentadora de então, a Patricia Maldonado, chamou uma materia sobre a morte horrível do garoto, que foi arrastado fora do carro. Quando a matéria acabou, entrou um close de rosto da apresentadora sorrindo e dizendo: "Agora vamos falar de um assunto bem divertido." Meu Deus, cadê a sensibilidade daquela mulher perante a locução de um crime hediondo que vitimou uma criança? A Luciana Liviero, da Record, é pródiga em abrir um largo sorriso depois de narrar uma morte. Britto Jr já vibrou ao anunciar imagens ES-PE-TA-CU-LA-RES de um acidente aéreo onde o piloto morreu. A audiência é tudo o que importa. Não só na Record, claro, que parece que estou sendo implicante. Aqueles que têm idade para isso, podem se lembrar de como a Rede Globo foi decisiva na eleição do presidente Fernando Collor em 1989, um dos maiores disparates da História recente do nosso país.

Chutando a ética e passando por cima da imparcialidade, a Globo ajudou a eleger Collor e só passou a noticiar os desmandos de seu governo quando a situação já começava a ficar feia. E depois ficou se vangloriando que ajudou a derrubar o Collor, denunciando irregularidades e despertando o povo para a cidadania. Tá bom...

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Apresentadores mais responsáveis mostram, pelo menos, um ar consternado ao final de uma matéria sobre uma morte violenta por respeito à família da vítima e então chamam um assunto mais neutro. Não se deveria esperar que o telespectador, após ver e ouvir fatos perturbadores ou trágicos, caia na gargalhada vendo pegadinhas ou coisas do gênero, sendo submetido a uma montanha-russa de imagens e fatos onde a vida não tem importância.

Existem bons jornalistas? Claro que sim e conheço vários jornalistas admiráveis. Para citar alguns mais famosos, Ricardo Boechat, Monica Waldvogel, Heródoto Barbeiro, Maria Lydia Flandoli e alguns outros conseguem manter (alguma) dignidade na grande mídia. Sou grande admirador também do genial Mino Carta, um feroz crítico da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, uma vitória do lobby das faculdades de comunicação. Jornalismo exige cultura, espírito crítico, talento para a redação, capacidade de comunicação. E isso não necessariamente passa por uma formação acadêmica, mas isso é assunto para outra discussão.

O mundo hoje está rápido demais e a morte, não só para a maioria dos jornalistas, está demasiado banalizada. Falta ética, respeito e cidadania, exatamente por parte de quem se diz promotor de tais valores. Infelizmente.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ANSIEDADE ARTÍSTICA

Em todos os cursos e oficinas de desenho, mangá ou quadrinhos com os quais trabalhei até hoje, vejo um mesmo erro se repetir infinitamente: a pressa no resultado final.

Desenhistas profissionais fazem esboços preliminares até chegar a um que agrade. Depois, trabalham melhor o desenho até uma forma mais refinada. Somente então entra a finalização, que pode ser feita com canetas, pincéis, bico-de-pena, ou até canetas de mesas digitalizadoras. Finalmente, as marcas do esboço são apagadas e o desenho pode ir para uma etapa seguinte de colorização, aplicação de efeitos, letras ou diagramação. Mas o iniciante quase sempre quer que seu desenho à lápis seja feito de traço único, imitando a linha precisa de uma caneta, sem qualquer esboço previo.

Quer copiar em meia hora o que um profissional levou horas elaborando. Ou quer que sua criação tenha o mesmo nível de acabamento. E muitas vezes, ele enxerga assim. E custa a aceitar que o esboço é uma etapa quase inevitável para desenvolver melhor seu trabalho.

Normalmente, uso metáforas pra explicar por quê não adianta ter pressa. Pra quem gosta de esporte, pergunto se é possível um aluno de karatê querer quebrar 10 tijolos com a mão na primeira ou segunda aula. Ou se alguém que está aprendendo a nadar pode, antes de aprender a dar braçadas fortes na piscina, dar um salto ornamental do trampolim olímpico. Se o aluno estuda ou estudou música (como guitarra ou violão), pergunto se apenas com algumas poucas aulas é possível tocar como o Eric Clapton. Todos entendem esses exemplos, mas enxergam o desenho de forma diferente. "Ah, eu desenho assim porque é o meu jeito, o meu estilo." - pensam muitos, fechando as portas da mente para um aprendizado mais consistente.

A maioria dos alunos tem preguiça de pensar, querendo resolver a ideia logo no primeiro esboço. E depois querem finalizar o desenho de cara, ansiosos por ver logo o resultado. O desenho não vai melhorar enquanto o senso de observação não ficar mais aguçado e o aluno ficar mais exigente com o resultado. Mas isso só quem adquire alguma humildade e tem força de vontade vai entender e assimilar.

Lutar contra a própria ansiedade é algo que muitas vezes separa o artista promissor daquele que vai parar no tempo. E é dever de cada professor fazer o aluno entender que o desenho exige disciplina e humildade para realmente progredir. Como tudo na vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

DESENHO DE MÃOS

Em cursos e oficinas de desenho, é comum que alunos mostrem personagens com as mãos nos bolsos ou escondidas. O motivo que muitos alegam é que mãos são difíceis. Alguns gastam horas aperfeiçoando efeitos de brilhos nos olhos (especialmente aspirantes a desenhistas de mangá) e fogem de desenhar mãos. As mãos representam uma parte muito importante na expressão corporal. E em alguns casos, desenhar mãos de modo eficiente pode ser decisivo para pegar um trabalho.

Pra quem pede dicas, não dá pra explicar aqui o necessário sobre estrutura das articulações, coisa que faço nas oficinas e cursos, mas tem um treino muito legal que eu sempre recomendo: desenhe a própria mão em várias posições. Depois, copie os desenhos de modo invertido, como se estivessem num espelho. Assim, você desenha por igual as duas mãos, mesmo com uma só posando, a menos que você seja uma das raras pessoas que são ambidestras.

Copiar de fotos também é bem interessante, desde que se faça também a prática de observação de modelo vivo com a própria mão ou de outra pessoa. Muitos iniciantes se empolgam em desenhar só o que gostam mais e perdem a chance de desenvolver sua arte de modo mais abrangente e com melhores chances profissionais.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

INSPIRAÇÃO E CRIATIVIDADE

Trabalhando com prazos ou apenas desenvolvendo algo para si, a palavra inspiração é a chave para que o artista consiga produzir com satisfação. Muitos iniciantes se julgam sem talento para criar, mas eu aprendi que isso pode ser treinado, estimulado e desenvolvido. Tanto para escrever como para desenhar é fundamental ter tanto cultura visual quanto um amplo leque de conhecimentos sobre diversas áreas.
Para produzir algo, uma regra de ouro é ser camarada consigo mesmo. Anote, escreva ou rabisque qualquer coisa. Se for idiota ou estranho demais, ótimo! Perceber isso vai ajudar você a tentar outra coisa que soe melhor.
Pra desenhar, é ótimo ver fotos e ilustrações variadas, mesmo coisas totalmente fora da sua linha de trabalho ou estilo. Ver ou ler sobre outras abordagens e realidades pode despertar ideias, rever conceitos ou simplesmente fornecer estímulos mentais. Ler gera estímulos mentais por incentivar a abstração e fornece embasamento sobre argumentos e narrativas.
Sobre a leitura, aquele lugar comum de se recomendar escolher bons autores é bastante relativo. Uma garota com quem trabalhei dizia que lia de dois a três livros por semana. Eram aqueles romances femininos da coleção Sabrina, Julia e afins, cheios de devaneios românticos e suaves metáforas sexuais. Nem vou cair no mérito da pobreza de conteúdo, mas sim da repetição de fórmulas que em nada acrescentam. Ficar deslumbrado com as revelações transcedentais de Paulo Coelho e Dan Brown também não acrescenta muito, mas esse é apenas meu julgamento. Lendo, a gente vai formando valores e conceitos. Sem isso, o trabalho fica vazio. Algumas das pessoas mais talentosas que conheço podem listar um número infindável de livros que leu.
Tem que ver filmes, peças, exposições, conversar com pessoas e, é claro, ler muitos livros, quadrinhos, revistas, jornais... Tudo isso é muito melhor do que ficar apenas navegando no Google. No meu caso, ouvir música é fundamental quando estou desenhando ou pintando. Mas quando estou escrevendo, buscando organizar ideias e palavras, aí preciso de silêncio. Com a regularidade (ditada por prazos ou auto-imposta por disciplina), cada um vai encontrando seu melhor caminho.
A única regra que eu recomendo é: produza bastante. Somente assim, pela quantidade, tentativas, erros e acertos, você terá experiência sobre como gerenciar melhor esse item tão abstrato e perseguido quanto a criatividade.

terça-feira, 7 de abril de 2009

DANI - UM PROJETO AUTORAL

Há 10 anos, a Editora Escala estava preparando uma revista de curso de mangá, quando havia pouco material assim em bancas. Seria inteiramente produzida pelo grande mestre Watson Portela. Pra mim, foi oferecido um espaço de 4 páginas como "desenhista convidado", onde eu deveria comentar a narrativa do mangá. Ao invés de um texto com ilustrações, preferi criar uma HQ onde uma personagem iria, em tom de metalinguagem, conversar com o leitor e explicar alguns detalhes sobre mangá de modo bem didático. Nascia a personagem Dani, que logo seria usada numa HQ autoral que tive a chance de produzir.

A Escala lançaria ainda, em 2000, a revista Desenhe e Publique Mangá, onde amadores e iniciantes podiam enviar histórias para serem publicadas. Nos dois primeiros números, profissionais foram convidados (e pagos) para publicar histórias curtas na revista e atrair os leitores. Foi a chance que eu tive para fazer uma HQ diferente do que havia feito até então. Depois de muitas HQs de heróis de tokusatsu (Changeman, Flashman, etc...) e tantas outras sobre Street Fighter, fora um projeto pessoal inspirado em tokusatsu, o Blue Fighter, eu queria fazer algo diferente. Sempre gostei de HQs de cotidiano e queria algo assim, com pitadas de humor e algum drama, mas bem descompromissado. Fiz uma HQ de 9 páginas com a Dani, que saiu no número 2 da revista.

Não fiquei satisfeito com o desenho (quase nunca fico), mas gostei da experiência. Um ano depois, procurei o Jotapê, na época, proprietário da Editora Via Lettera e ofereci-me para produzir um álbum com a Dani. O Jota topou, mas queria ver o material pronto. Passaram-se meses e concluí que não teria muito tempo para dedicar a algo que não daria dinheiro para minha subsistência nem a curto, nem a longo prazo. Resolvi criar uma coletânea com HQs curtas de vários autores e, assim, nasceu o álbum Mangá Tropical, lançado em 2003. Nele, Dani apareceu em uma história de 13 páginas onde pude desenvolver melhor a personagem e colocar algumas características.

Recebi críticas variadas sobre minha HQ. Um amigo disse que a história "não cheirava e nem fedia". Alguns elogiaram a suavidade na condução da história, a narrativa. Um colega disse que a personagem parecia alguém real, o que foi o melhor elogio que ouvi. Porém, alguns bons amigos da área até desconversavam quando eu pedia opinião, de tão ruim que devem ter achado o material. Não houve consenso, mas isso não importa. Até hoje, é um dos meus trabalhos favoritos.

Enfim, resolvi postar a historia em formato PDF em meu site pessoal e também coloquei para download por tempo limitado aqui.

Um dia, quando eu tiver tempo, tentarei fazer mais alguma HQ nessa linha.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O CADERNO DA MORTE - DEATH NOTE

O Caderno da Morte é a adaptação teatral brasileira de Death Note, famoso mangá de Tsugumi Ohba (roteiro) e Takeshi Obata (arte) que foi editado aqui pela JBC. Tendo inspirado animê e filmes live-action, Death Note tem conquistado fãs pelo mundo todo por sua trama inovadora e intrigante, elementos que inspiraram sua versão de palco, que teve uma temporada de sucesso no ano passado.

A história é a mesma do mangá: O estudante Raito (Vinícius Carvalho, à esquerda na foto) encontra um misterioso caderno (o tal Death Note) com uma inscrição avisando que, quem tiver o nome escrito nele, morrerá. O dono do caderno é um Shinigami ("Deus da Morte" do folclore japonês, vivido por Bruno Garcia), que passa a acompanhar Raito. Com um senso de justiça próprio, Raito começa a usar o caderno para matar criminosos e logo é chamado de "Kira", uma corruptela em japonês para "killer" (assassino). Raito tem que ocultar suas atividades de seu pai (Rudson Marcello), que faz parte da equipe de investigação que procura o misterioso serial killer que a princípio só mata bandidos. Com a entrada do misterioso e excêntrico detetive "L" (Miguel Atênsia) no caso, inicia-se uma perseguição cheia de reviravoltas. O aparecimento da imatura artista Misa (Thaís Brandeburgo, à direita na foto) com um segundo Death Note, complica ainda mais a situação, que foge do controle de Raito.

A extensa trama foi compilada em apenas 105 minutos pela Cia. Zero-Zero de Teatro, com resultados surpreendentes. O texto é do próprio Bruno Garcia. A direção, que equilibra suspense, drama e humor, é da veterana Alice K, com trilha sonora hipnótica de Gregory Slivar e cenografia repleta de soluções cênicas criativas por Laura de Marc.

Bruno Garcia como dois loucos Shinigamis e Miguel Atênsia como o astuto L monopolizam a atenção quando surgem em cena, sendo os destaques de um elenco afiado e que cumpre a missão de dar credibilidade a uma história bastante criativa e fantástica. A peça tem sido um sucesso e fica em cartaz em SP, capital, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000 - ao lado do metrô Vergueiro) até o final de abril. A temporada acontece simultaneamente em São Paulo de terça, quarta e quinta às 21h00, e percorre diversas outras cidades nos finais de semana, incluindo Piracicaba, Osasco, Sorocaba e Mauá, entre outras. Ingressos a R$ 5,00.
  • Confira a programação da peça no Centro Cultural São Paulo aqui.
  • Confira a programação nas demais cidades de SP aqui.
  • Uma entrevista que fiz com Miguel Atênsia no ano passado, antes da peça estrear, pode ser conferida aqui.
  • Conheça o blog oficial com os bastidores da peça em: www.cadernodamorte.blogspot.com

quinta-feira, 2 de abril de 2009

LIDANDO COM PRAZOS

Quando se trabalha com desenho profissionalmente, surgem desafios que vão muito além do que se consegue ou não produzir. Depois de atingidas certas condições técnicas, o requisito fundamental para se manter no mercado de trabalho é o respeito aos prazos. O ilustrador ou desenhista muitas vezes é como aquele jogador de futebol que entra no final do segundo tempo da prorrogação, tendo que fazer o gol da vitória custe o que custar. Com um trabalho precisando ser executado em um curto espaço de tempo, organização é fundamental. Enviar esboços ao cliente, desenhar e finalizar (com eventuais modificações e correções no caminho) são tarefas que precisam ser bem calculadas, para se criar um cronograma de trabalho que vai depender também do cliente aprovar o material em tempo hábil. Comunicação e confiança são fundamentais. E olho no relogio e no calendario.

Nem sempre se está com inspiração (um tema que abordarei brevemente), e é aí que tem que entrar a técnica na produção. Não significa que vá sair um trabalho frio e sem alma. É surpreendente como a pressão pode fazer aflorar soluções genuinamente criativas e inspiradas. O profissional que sempre cumpre prazos é bem visto. O mesmo vale para chegar na hora em reuniões e respeitar horários com rigor quase religioso. Tem quem imagine que o profissional que trabalha por conta faz seu horario e não tem pressão sobre si, o que é um engano sem tamanho. Prazo é quase tudo numa produção.

Claro que em casos de emergência, problemas de saúde na família ou coisa pior, não dá pra agir como se nada tivesse acontecido. Aí, o certo é avisar urgente o cliente e explicar que houve um problema, mas sem tentar sensibilizar o interlocutor. Seja profissional e objetivo e ofereça uma solução. Negocie outro prazo e, se não for possível, chame um amigo para ajudar ou passe o serviço adiante. Sempre haverá o risco de que o substituto fique com sua vaga em futuros trabalhos, mas é preferível correr esse risco do que se queimar perante o cliente. Se não há outra pessoa a assumir o trabalho e se não há nada mais a fazer, o jeito é comunicar ao cliente de forma honesta e o mais rápido possível. Se isso for entendido como uma lamentável exceção, nem tudo está perdido. Claro que tais situações estão no campo das exceções. A regra de ouro é: sempre cumpra os prazos. E, se perceber que não irá conseguir, negocie ou recuse o trabalho. Inclusive, sempre negocie o prazo mais longo que puder pois, se conseguir entregar antes, estará lucrando.

Manter o cumprimento de prazos é o que garante a fidelidade de um cliente e a continuidade da carreira. É isso.