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segunda-feira, 9 de março de 2009

UM POUCO DE POLÍTICA

Apesar deste blog versar sobre assuntos ligados ao meu trabalho e cultura pop japonesa, abro agora espaço para algo mais sério - ou melhor, mais relevante. E que não deixa de estar ligado ao tema desenho. É a charge política, uma importante ferramenta da democracia. Não sou chargista, mas sempre gostei de ver boas charges, ainda mais sobre política, um tema que me interessa por lidar com fatos que interferem diretamente na vida de todos nós.

Desde os 12 anos, incentivado por um professor, gosto de política. Não sigo bandeira política alguma, já fui entusiasta do PSDB e PT e já anulei voto algumas vezes, apesar de não me orgulhar disso. Acontece que acompanhar e entender um pouco de política é algo fundamental para a vida de qualquer pessoa. E há os desenhistas que vivem de acompanhar política, que é o caso dos chargistas. Os bons chargistas são pessoas esclarecidas politicamente (mesmo que em alguns casos eu discorde da visão de alguns colegas) e constantemente antenadas com o que acontece no mundo. Precisam ter visão política e sociológica e passar com clareza suas idéias com traços simples e expressivos.

Um dos chargistas que mais me impressionou conhecer foi o Cláudio de Oliveira, autor do livro Pizzaria Brasil (Devir Editora, 2007). Uma verdadeira enciclopédia ambulante, o Cláudio é daqueles artistas dos quais eu gostaria de ter metade da bagagem cultural. A charge não precisa ser um desenho chamativo, mas no caso dele é. A ideia é tudo numa boa charge. Mas como é um caricaturista de mão cheia também, suas charges têm duas leituras: Primeiro, a crítica bem-humorada que é a razão de ser da charge. Depois, vem a apreciação do traço que capta os trejeitos e fisionomias dos personagens retratados.

Ele me mandou um texto interessante sobre a ditadura brasileira que eu gostaria de indicar. Leia aqui.

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Acompanhar o trabalho e o blog do Cláudio é como ter aulas de História e política em doses homeopáticas. Confira aqui.

2 comentários:

Takeshi Ishii disse...

Também curto charges de caráter político.

Acho que os chargistas, assim como os jornalistas, devem ser imparciais, não devem ficar só puxando saco de alguns grupos políticos e metendo pau em outros.

Quando é pra falar a verdade, a verdade deve ser dita e mostrada.

Muitas vezes percebo que certos jornalistas tentam manipular certas informações, nos obrigando a tomar partido com os interesses de alguns. Não sei se dá pra me entender.

Alexandre Nagado disse...

Acho que não existe jornalismo imparcial. É um mito em que alguns jornalistas acreditam, mas sem admitir que uma vírgula, a ordem dos fatos apresentados, uma ênfase aqui e ali mostram sempre algum favorecimento a alguma situação, pensamento, etc...

Entre chargistas, há também posicionamentos específicos. O Cláudio não faz concessões. Apesar de ser de esquerda, suas charges alfinetam tudo o que ele acredita que deva ser criticado. Um outro amigo, o chargista Bira Dantas, é coerente em uma posição: a defesa do Lula. Concorde-se ou não com o que cada um faz, a charge é um exercício de prática da democracia e do uso da arte para difusão do espírito crítico e dos mais diferentes pensamentos.

Abraços!!