RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A CRÍTICA DO DESCONHECIMENTO

Quando se publica um trabalho, se está sujeito ao julgamento de quem nem o conhece ou tem base para fazê-lo. Isso é parte de se tornar uma pessoa pública. E maus juízos acontecem e se disseminam numa escala sobre a qual não se tem controle. Quem sofre mais, obviamente, são as pessoas famosas, mas cada nicho de mercado, cada pedaço de universo profissional, tem suas figuras mais reconhecidas que se tornam alvo de críticas e comentários, sejam eles embasadas ou não. Os dois exemplos que vou relatar retratam bem esse tipo de situação.

Em 2003, entrevistei no palco do evento Anime Friends o ator Hiroshi Watari (Sharivan, Spielvan). Em um certo momento, ele contou que seu famoso papel em Jaspion, o herói coadjuvante Boomerman, saiu da série porque ele (o ator) precisava tirar pinos da perna, que foram implantados por conta de um acidente de moto que sofreu durante um passeio de férias. Daí, perguntei se ele já havia se machucado sério também durante alguma filmagem, já que ele havia sido dublê. A resposta foi negativa. Tempos depois, li um blog cujo autor me chamava de burro e que não sabia entrevistar. Em seu texto, ele enfatizava que o Watari havia acabado de dizer que tinha saído de Jaspion pra tratar de um ferimento na perna e em seguida eu perguntei se ele tinha se machucado em alguma filmagem. O sujeito, que estava lá no evento assistindo, não prestou atenção na parte da entrevista em que o Watari dizia que o acidente que sofreu havia acontecido durante um passeio e não numa filmagem. Escrevi para o autor do texto e a resposta foi algo como: "Ah, cara, eu tô sem tempo de corrigir, paciência". E cada um que leu aquele blog infeliz e não estava lá ficou achando mesmo que eu teria feito uma pergunta estúpida.

Em 2000, eu escrevi a edição Como desenvolver roteiro para mangá, para a Editora Canaã. No texto introdutório (resgatado em 2007 no Almanaque da Cultura Pop Japonesa e em 2008 neste blog), eu explico que olho grande, cabelo espetado e outros sinais visuais não são suficientes para definir um mangá. E que o moderno mangá é, acima de tudo, um tipo de história narrada com conjunto de técnicas narrativas específicas. No ano passado, em um blog voltado a quadrinhos, seu autor escreveu uma crítica à revista Turma da Mônica Jovem e pinçou um trecho do meu antigo texto, ressaltando que não sabia quando o mesmo havia sido escrito, mas que parecia uma crítica ao gibi feito "em estilo mangá" dos Estúdios Mauricio de Sousa. Acontece que, a despeito de alguns pontos encaixarem mesmo como uma luva em aspectos dos primeiros números do citado gibi, meu texto foi escrito anos antes. Ele usou um texto meu para embasar parte da crítica negativa que fazia contra a Turma da Mônica Jovem. Daí, um leitor do tal blog escreveu um comentário dizendo que estava decepcionado comigo e com a postura que eu supostamente teria assumido contra o trabalho de Mauricio de Sousa, o que não era bem o caso. O próprio autor do comentário depois viu que interpretou errado e corrigiu o tom, mas isso é caso raro. Já vi em fóruns informações erradas atribuídas a mim e por aí vai.

Já escrevi e publiquei algumas bobagens e coisas inconsistentes. Mas se vão criticar, que seja por coisas que eu realmente assinei embaixo. É isso.

7 comentários:

Takeshi Ishii disse...

Um dos textos que mais gostei de ler (de sua autoria) foi sobre "O Regresso de Ultraman" no site Omelete. Aquilo parece ter sido trabalho de fã, apesar de você dizer que não é fã(nático) por nada.

Vou dizer uma coisa que muita gente vai chiar: Acho que os quadrinhos do Mauricio de Souza SEMPRE foram mangá, um estilo particular sim, mas sempre vi em seus gibis um peculiar jeito japonês de fazer quadrinhos brasileiros, levando-se em conta a narrativa simples, pois também existem mangás com roteiros simples. Não precisou sair o turma da Mônica Jovem "estilo mangá".

Alexandre Nagado disse...

Fala, Takeshi!

Cara, posso dizer que esse texto que mencionou foi feito mesmo com coração de fã. Escrevi junto com o Marcelo Del Greco esse artigo em duas partes, publicado em 1995 no auge da revista Herói. Era nossa série favorita, a revista estava bombando em bancas, tínhamos 20 e poucos anos e a adrenalina ia a mil.

Saiu um texto que dificilmente eu conseguiria repetir hoje. Tecnicamente, sei que estruturo melhor um texto hoje em dia, mas aquela matéria tinha uma aura de sinceridade que só com aquela idade eu iria conseguir.

Falando agora da Turma da Mônica, devo discordar com essa idéia de que sempre foram mangá. Havia "pitacos" de mangá aqui e acolá, mas a narrativa sempre foi ocidental, mais influenciada por Luluzinha, Disney e alguns outros.

Realmente, existem mangás mais simples, e o gatinho Doraemon talvez seja um bom exemplo de mangá que, guardadas as devidas proporções, atinge um mesmo nicho que a Turma da Mônica em seu país.

Mas são propostas narrativas diferentes. Ao menos, é assim que enxergo com algum embasamento para falar sobre o tema.

Abraços!!

Takeshi Ishii disse...

Marcelo Del Greco! Esse também marcou a minha infância/adolescência, adorava ler seus textos também.

Michel disse...

Infelizmente as coisas são assim mesmo. Tem gente que pega conversa pela metade ou interpreta errado o que a gente escreve, aí vem uma chuva de pedras. Também já passei por isso. O jeito é ignorar.
A respeito do Hiroshi Watari, tenho uma entrevista que ele fala sobre o tal acidente. Talvez seja por isso que ele não participou de Shaider, caso estivesse cotado (uma especulação minha). Fugindo um pouco do assunto, situação similar aconteceu com o ator/dublê Yoshinori Okamoto. Após filmar sua última participação em Changeman, no episódio “A Morte de Buba”, Okamoto sofreu um grave acidente de carro, o que o impossibilitou de andar. Ele, que estava cotado para participar desde o começo em Flashman, só aparece bem depois, como Galdan, já o Okamoto estava fazendo reabilitação pra andar.

Lucas Ed. disse...

Grande Nagado!
Me enviaram o link dessa tua postagem e achei interessante tomar parte na discussão.
Bem, sou eu o autor do texto que pinçava um trecho da sua introdução de "Como desenvolver roteiro para mangá" para embasar (essa palavra é importante) a crítica a Turma da Mônica Jovem.
Assim, respondamos por partes:
1) eu sabia (e sei) que a sua revista pela Canaã fora lançada muitos anos antes, porque eu havia comprado no lançamento, já que acompanhava aquela série de como desenhar da editora. A questão é que, em nenhum ponto da sua revista, as informações catalográficas estavam completas, faltando, veja só, o ano. O que eu fiz foi, como é comum à redação acadêmica, foi citar uma fonte, uma referência: você mesmo reconhece que seu texto por vezes encaixa feito luva no que os Estúdios Maurício de Souza fizeram. Inclusive, ainda que eu não soubesse o ano exato da sua publicação, eu indiquei que ela era anterior à TMJ, como se pode ver neste trecho do meu texto original:
"Sei que a citação é bastante longa, mas a fiz porque, se não fosse pelo intervalo temporal (a revista do Nagado não traz informações acerca do ano de publicação, mas eu a tenho já há um bom tempo, coisa de quatro anos pelo menos) eu diria que o que Alexandre faz é escrever uma crítica direta ao produto que o MSP colocou nas bancas."
2) O que me parece que falta, sobretudo à cultura internética, é cuidado para ler. Os textos em sites e blogs costumam ser escritos de forma apressada e pouco cuidadosa, o que gera uma leitura similar. Como eu quase nunca escrevo assim, passo por chato e ignorante simplesmente porque... As pessoas não leem de verdade o que escrevi! Foi este o caso e, posteriormente, o Flaid (que foi quem pensou que você era o autor da matéria) reconheceu o erro e entendeu o que se passava.
3) em nenhum momento eu reconheci que "errei o tom" porque, como te disse, eu não acho que o tenha feito. Meu texto lá está da exata mesma forma que quando o publiquei, em agosto do ano passado. Eu continuo achando que os roteiristas da MSP pegaram seu trabalho sobre roteiro de mangá e disseram: "Hum, o que esse cara diz do mangá? Vamos copiar!" mas ignorando que o seu texto apontava negativas. Só pode. A edição #1 da revista trás, ipsis literis, tudo o que você coloca como elementos meramente gráficos que não caracterizam ou fazem o mangá! É tão igual que parece intencional!
Bem, é isso. Espero ter esclarecido as coisas, e desculpe o comentário tão extenso...

Alexandre Nagado disse...

Vamos por partes:

Quando eu mencionei que o autor da crítica reconheceu que "errou o tom", não me referia à você, Lucas, e sim ao Flaid. Afinal, foi ele que achou que eu estava criticando o gibi da Turma da Mônica. Acho que isso não ficou mesmo claro na forma como me expressei.

As revistas da Escala não traziam mesmo data de publicação. Na verdade, muitas revistas não trazem data, estratégia para facilitar venda de encalhe tempos depois.

Bom, Lucas, obrigado por ter comparecido aqui para enriquecer o debate e desculpe se não fui claro ao expor o caso. Vamos continuar trocando idéias.

Abraços!

Guyferd disse...

Bom, eu já li em um site (ou fórum pertencente ao tal site) não muito idôneo uma crítica ao nagado, daquelas de despeito mesmo.

Seja como for, quem acompanhou e acompanha a sua carreira certamente pensa muito bem a seu respeito.

Porém devo concordar que pequenas coisas mancham a imagem de alguém público, e por vezes não há como remediar isso.

Aí é que está o problema. É preciso ser quase onisciente (senão onipresente) para adivinhar em qual canto da web alguém irá falar bem ou mal de você por exemplo.