RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CLIPES MUSICAIS: MULTI MAX

Uma das minhas bandas favoritas dentre as japonesas chama-se Multi Max, que esteve em atividade contínua entre 1989 e 1997. Foi formada por Chage, da dupla Chage & Aska, ao lado da bela cantora Hiromi Asai e do cantor e multiinstrumentista Keisuke Murakami. Chage (leia "Tiague") já era um astro consagrado por sua parceria milionária com Aska quando formou o grupo e manteve as duas atividades em paralelo durante anos. No cenário do J-pop, seguiam uma linha mais alternativa, mas tiveram bons momentos de sucesso.

Se você curte J-pop com influência de Beatles, poderá gostar muito do trabalho do Multi Max. Abaixo, separei três clipes com momentos distintos. Divirta-se!

Primeiro, Windy Road, single de 1991 que se tornou uma das mais importantes canções do trio.



Em seguida, o encontro do Multi Max com a cantora Ann Lewis e a banda Pinx, interpretando Woman, de John Lennon, e Pretty Woman, de Roy Orbison, ícones do rock clássico.



Finalizando, a música Some Day, mostrando o breve reencontro do grupo no show de virada de 99 para 2000 realizado por Chage & Aska. Essa música foi o single de estréia da banda, em 1989.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DORAEMON - O EMBAIXADOR DO ANIMÊ

No próximo final de semana, na Cinemateca Brasileira, haverá uma exibição gratuita do animê de longa-metragem Doraemon - O Dinossauro de Nobita, produção de 2006 com um dos personagens mais queridos pelo público japonês

Doraemon foi escolhido em 2008 pelo governo de seu país para ser o "Embaixador do Animê" e um divulgador da cultura japonesa pelo mundo. No Brasil, algumas exibições já aconteceram em outros estados, sempre com a coordenação do Consulado do Japão.

Perguntaram pra mim se não teria sido melhor escolher Naruto para tal função. Respondi que Naruto é uma febre hoje em dia. Não dá pra saber se o personagem terá relevância no futuro ou se será visto apenas como uma moda que passou. Já Doraemon é um ícone do mangá e da animação japonesa, tendo estreado na década de 1970 e já ultrapassou a marca dos 1.000 episódios, tendo aparecido também diversas vezes no cinema. Um gatinho-robô vindo do futuro para auxiliar o atrapalhado e chorão Nobita, Doraemon possui muitos recursos graças ao seu bolso cheio de apetrechos.

As aventuras de Doraemon trazem lições sobre amizade a amadurecimento em histórias leves e bem divertidas.
Além disso, não usa de violência excessiva, sendo um produto "para toda a família". Doraemon não é malicioso ou sangrento, o que é bom para afastar um pouco a imagem preconceituosa que muitas pessoas têm dos animês em geral

Na década de 1990, Doraemon foi exibido sem repercussão na TV Manchete, o que foi uma injustiça com um produto dessa importância. Melhor sorte no Brasil teve outra criação da dupla Fujiko F. Fujio, o atrapalhado Super Dínamo (Paa Man), animê que fez algum sucesso no Brasil na década de 1970.

O enredo do longa que será exibido mostra a amizade do garoto Nobita com um filhote de dinossauro cujo ovo encontrou intacto no quintal de um vizinho. Viajando no tempo para deixá-lo com outros de sua espécie, Nobita e sua turma acabam deixando o bichinho em apuros. Ao voltar para salvá-lo, encontram cruéis caçadores de dinossauros que viajam pelo tempo em busca de lucro.

Já assisti ao longa e recomendo. O som está no original em japonês, mas infelizmente as legendas estão em espanhol, o que não prejudica o entendimento do filme, que é bem simples. O final foi montado para literalmente obrigar o espectador a chorar. E é difícil resistir, pois o roteiro é simples e emocionante. Se puder, assista.

DORAEMON - O DINOSSAURO DE NOBITA
Local: Cinemateca Brasileira

Endereço:
Largo Senador Raul Cardoso, 207
(próximo ao Metrô Vila Mariana)
São Paulo/ SP

Dias: 28 de fevereiro (sábado), às 18h, e 1º de março (domingo), às 16h
Entrada franca
(220 lugares) - Os interessados devem retirar seu ingresso com uma hora de antecedência

www.cinemateca.gov.br

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ILUSTRAÇÃO: CINDERELLA

A ilustração desta postagem foi feita no ano retrasado sob encomenda para uma agência de propaganda que estava produzindo material institucional para uma empresa. O tema era sobre contos de fada e totalizou 10 ilustrações. O projeto foi engavetado (mas devidamente pago) e permanece inédito até agora. Libero aqui um pequeno preview com um estudo de cores.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ESTUDOS DE PERSONAGEM: ENCRUZILHADA

Há alguns anos atrás, meu amigo Nick Farewell me ligou certa noite contando sobre um curta-metragem que estava criando. Perguntou se eu não gostaria de fazer story-boards para ele. Topei na hora e fui pra casa dele desenhar quadro a quadro, conforme ele ia contando e descrevendo o que imaginava. A produção avançou pela madrugada e gerou dezenas de cenas que serviriam para ajudar na filmagem. Tempos depois, vi o filme pronto e fiquei contente em ter tido uma pequena participação. Encruzilhada, de Nick Farewell, participou de festivais e até foi premiado.

A história, que fala sobre solidão, renderia uma boa HQ e resolvi fazer alguns estudos dos personagens. Infelizmente, nunca mais tive tempo para me dedicar a isso. Hoje, na fila, ainda há outra HQ escrita pelo Nick que - juro - ainda irei desenhar como se deve. Por enquanto, mostro aqui os estudos que fiz na época.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

UM DEPOIMENTO SOBRE CULTURA POP JAPONESA

Em 2008, as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil geraram muitos eventos, produtos e trabalhos para gente ligada à colônia. Diversos projetos editoriais homenagearam a cultura japonesa e participei de dois deles. Um foi o livro Brasil Japão - 100 anos de paixão (M.Books), que eu mencionei dias atrás. Outro foi o Almanaque do Centenário da Imigração Japonesa (Ed. Escala), livro que reuniu depoimentos de pessoas ligadas à área editorial e de cultura. Minha parte foi um longo depoimento sobre minha ligação com a cultura pop japonesa. O texto segue abaixo, na íntegra.


MINHA LIGAÇÃO COM O LADO POP DO JAPÃO

Entre japoneses e seus descendentes, há diferentes definições étnicas, conforme o grau de ascendência. "Issei" é o japonês nativo. "Nissei", o termo mais popular, é o filho de japoneses e "sansei", é o neto ou nikkey de terceira geração. Há ainda os "yonsei" (quarta geração), “gossei” (quinta geração) e por aí vai. Sou um sansei, resultado da união das famílias Nagado, Uema, Nohara e Yamashiro, todas provenientes de Okinawa, na parte sul do Japão. Para muita gente, Okinawa é algo à parte dentro do território japonês. Um reino anexado ao Japão no século XVI, o povo de Okinawa (ou Utiná) tem língua, tradições e traços físicos diferentes da maior parte do arquipélago japonês. (Nota: Sobre Okinawa, há um livro essencial escrito por meu falecido tio-avô José Yamashiro. Indicação no final do texto.)

Mesmo sendo um descendente sem mistura racial e tendo sido criado até os 12 anos com a presença marcante de meu avô materno, tive uma criação bem mais ocidental que muitos amigos também descententes que estudavam comigo. Por outro lado, me interessava muito por um lado do Japão não muito ligado às tradições ancestrais, que eram os desenhos e seriados que via na TV. E havia também o mangá, que eu descobri na escola onde fiz pré-primário. Desde pequeno, gostava de desenhar e fazia isso o tempo todo, em grande parte, motivado pelo que eu lia e assistia.

PRIMEIROS CONTATOS
No início, o que me moveu a querer ser desenhista foi gostar de quadrinhos. Eu lia de tudo: Mônica, Capitão América, Mortadelo & Salaminho, Tio Patinhas... E assim ficava criando minhas próprias histórias durante minha infância, na década de 1970. Na TV, assistia Batman, Os Monkees, Viagem ao Fundo do Mar, Os Impossíveis e tantos outros. Mas o que eu mais curtia era ver seriados japoneses de animê (animações) e tokusatsu (efeitos especiais), apesar de na época nem imaginar tais definições. Assisti Ultraman, Ultra Seven, Robô Gigante, Speed Racer, A Princesa e o Cavaleiro, Sawamu, Fantomas e outros, especialmente na TV Record e na extinta TV Tupi. Na Record, inclusive, havia o “Especial do Mês”, um filme que era anunciado como uma grande atração. E na época, a garotada levava a sério e aguardava ansiosamente pelos “grandes clássicos” programados. Entre filmes de ficção científica “B”, faroeste italianos e pancadarias de Hong Kong com imitadores de Bruce Lee, havia os filmes de monstros gigantes (chamados no Japão de “kaiju eiga”), como A Fuga de King Kong (a divertida versão nipônica do famoso gorila), Godzilla versus King Kong, Gamera contra Barugon, Ataque dos Monstros e muitos outros.

No geral, tanto as emissoras quanto os empresários viam tudo isso como tapa-buraco de programação, até mais do que hoje. Praticamente não havia licenciamento. Somente Spectreman teve série em quadrinhos, pela Editora Bloch, mas não parecia material oficial. A produção era nacional e, apesar do traço dinâmico de Eduardo Vetillo, havia muitas discrepâncias em relação ao que era veiculado na TV, além da falta de informações de copyright. E Ultraman teve alguns brinquedos lançados pela Glasslite no começo dos anos 80, que passou meio desapercebido. Mas foram fatos bem isolados.

Lembro-me também de assistir ao Imagens do Japão (com Rosa Miyake) e ao Japan Pop Show (com Nelson Matsuda), programas muito divertidos que eu assistia com minha família. Algumas bandas e artistas solo que apareciam em clipes que esses programas exibiam chamavam minha atenção. Alguns cantores japoneses chegaram a vir ao país, como Itsuki Hiroshi e Kondo Masahiko, em shows que mobilizaram a comunidade nipo-brasileira. Falando em música, as canções de séries japonesas, as chamadas anime songs, também chamavam muito a minha atenção, mas não havia, na época, onde procurar tais coisas.

Lá pelos anos 80, séries antigas ainda eram reprisadas e uma ou outra coisa “nova” aparecia, como Rei Arthur, Menino Biônico, Angel e Robotech. Com a estréia da TV Manchete em 1983, novos desenhos japoneses chamaram minha atenção, como o Pirata do Espaço e a Patrulha Estelar (Yamato), que é até hoje meu animê favorito. Na metade daquela década, fui estudar desenho no estúdio-escola Núcleo de Arte e comecei a esboçar meus primeiros passos na carreira. Na época, já ouvia do professor Ismael dos Santos como o mercado de quadrinhos era complicado e eu precisava diversificar meu trabalho para me manter em atividade. Mesmo tendo resolvido trabalhar com desenho editorial ou publicitário, ainda assim queria poder trabalhar paralelamente com quadrinhos. E foi o que aconteceu.

ESTRÉIA PROFISSIONAL
A chegada de Jaspion e Changeman ao Brasil, no final dos anos 80, causou uma verdadeira febre de consumo e incendiou a audiência. Depois de lançados em fitas VHS pela Everest Vídeo, agitaram a audiência na TV Manchete e abriram caminho para muitas séries similares em outros canais. Logo, vi nas bancas gibis que adaptavam os episódios da TV, mas feitos por artistas nacionais e com a autorização da produtora Toei Company. A editora era a EBAL, outrora uma gigante do mercado editorial, que dava tímidos passos para se manter na ativa.

Entrei em contato com a empresa que representava aqueles heróis no Brasil, a Alien International, que por acaso ficava perto de casa, em Pinheiros. Tinha esperança de conseguir um teste pra revista ou uma chance em algum projeto similar. Lá, fiquei sabendo que a revista iria sair da EBAL e migrar para a Editora Abril, onde uma nova equipe estava sendo montada, através de uma empresa terceirizada, o Studio Velpa. Lá, pediram uma história de teste. Como não tinha nada pra mostrar, criei uma história de 20 paginas e desenhei ela toda. Dias depois de enviar o material, falei com o roteirista Rodrigo de Goes, que estava coordenando a parte de criação. Ele disse que o pessoal de lá havia considerado meu desenho ainda fraco, mas que meu roteiro podia ser aproveitado. O ano era 1990, eu tinha apenas 19 anos e mal podia acreditar na chance que estava se abrindo para mim. Daí, comecei a escrever algumas histórias que foram sendo publicadas na Abril, como Flashman, Maskman e Changeman. Primeiro, foi na revista Jaspion, que depois mudou para Heróis da TV (um título que a Abril já havia usado para heróis Marvel e Hanna-Barbera), quando passou a ser produzida internamente pela Abril. Na fase de transição entre as equipes de criação, ainda escrevi algumas histórias, que depois foram assumidas por Marcelo Cassaro. Para a EBAL, eu ainda iria escrever roteiros para uma edição cada de Goggle V, Machine Man e Sharivan.

Mas como toda moda, a dos super-heróis japoneses passou, as revistas sumiram e fui batalhar trabalhos com caricatura em eventos e ilustração (atividades que exerço até hoje), mas eu logo voltaria a trabalhar com heróis japoneses.

Em 1993, o inesperado sucesso do gibi Street Fighter II (baseado no game japonês que era a sensação da época) pegou a Editora Escala desprevenida. Até então, tinham sido publicadas pela editora apenas 3 edições da versão americana e um fanzine japonês “não-oficial” lançado antes. Com a crescente procura por mais histórias, a Escala contratou os serviços de Marcelo Cassaro, João Pacheco (grande amigo que faleceria em 95, vítima de câncer) e Arthur Garcia. Mas depois da quinta edição, o Cassaro assinou exclusividade com outra editora e me indicou como seu substituto. Não éramos mais do que conhecidos, mas ele havia lido minhas histórias na época da Abril e confiou que eu poderia manter o pique da publicação. E assim, trabalhando ao lado do Arthur (que já havia desenhado roteiros meus na Abril) e de artistas como Silvio Spotti, Neide Harue e Alexandre Silva, escrevi 19 edições. No final, acabei trazendo à equipe o Rodrigo, que me incentivou e abriu portas no passado, para escrever histórias de Street Fighter ao meu lado e, depois, no meu lugar. Quando a revista foi cancelada, em 1996, eu estava bastante envolvido com outra atividade, também ligada a personagens japoneses.

DE AUTOR A PESQUISADOR
Em 1991, enquanto eu ainda fazia roteiros para a Abril, descobri o livro Mangá – O poder dos quadrinhos japoneses (reeditado pela Ed. Hedra), da pesquisadora Sonia Luyten, o que abriu meus olhos para a possibilidade de um trabalho sério de pesquisa sobre mangá e afins. Ao comprar uma edição de 1992 da revista SET – Terror e Ficção (Ed. Azul), vi anunciarem para a edição seguinte, uma matéria sobre Ultraman. Como eu tinha algum material de referência, me dispus a ajudar. Liguei na redação, conversei com o editor Carlos Eduardo Miranda (que anos depois seria jurado do programa Ídolos, do SBT) e ele me contou que ainda não havia um autor escolhido, apenas era um assunto que ele achava legal e estavam fazendo uma pesquisa coletiva pra matéria. Ele então perguntou se eu não gostaria de fazer um teste de redação. Escrevi uma resenha que foi bem recebida e acabei tendo a chance de estrear como redator, com um texto pequeno sobre Ultraman, depois de pesquisar algumas revistas importadas. Depois, veio uma reportagem maior sobre monstros japoneses. Além de puxar muita coisa de memória daquelas sessões na TV Record, pesquisei dados de jornais da colônia sobre alguns filmes de monstros (especialmente Godzilla), exibidos nos extintos cinemas da colônia japonesa, como o Niterói e o Shochiku, que eu nem cheguei a conhecer. Aliás, como era difícil conseguir informação naquela época! Pra SET, foram poucas resenhas e matérias em 1993, nada muito importante ou digno de nota.

O IMPACTO DA REVISTA HERÓI
No final de 1994, dois jornalistas que eu havia conhecido na SET, o André Forastieri e o Rogério de Campos, criaram uma publicação para falar de gibis, seriados e desenhos animados, a revista Herói (Ed. ACME, depois Conrad). Fui chamado para escrever sobre personagens japoneses e, com o grande sucesso dos Cavaleiros do Zodíaco na TV Manchete naquela época, a revista assumiu patamares de venda impensáveis, com tiragens na casa das centenas de milhares de edições. Verdadeira histeria coletiva, os Cavaleiros foram um marco na TV brasileira e abriram espaço para uma infinidade de títulos. Uma edição chegou a atingir 600 mil exemplares, um fenômeno sem precedentes. Sobre os Cavaleiros, era o Marcelo Del Greco quem escrevia, enquanto eu pesquisava sobre outras produções que serviam para dar um tempero extra. Foi uma época bastante divertida e desafiadora.

Antes das facilidades da internet, tínhamos que pesquisar em revistas americanas importadas, procurar colecionadores, ir em obscuras locadoras da colônia e tentar decifrar nomes e datas em raras e caras revistas importadas japonesas. Nessa hora, valia a ajuda de amigos, professores, parentes, vizinhos, quem quer que estivesse perto e entendesse os complicados ideogramas. Algumas vezes, alugava fitas “alternativas” em locadoras da colônia, congelava a imagem do videocassete para copiar os créditos em japonês para descobrir quem criava e produzia os seriados sobre os quais eu escrevia. Aos poucos, dubladores e licenciantes também foram se tornando fontes valiosas de informação.

Entre erros e acertos, fomos ajudando a criar uma imprensa especializada em cultura pop japonesa, ajudando a popularizar termos, artistas e personagens. Outras revistas surgiram na época e a imprensa especializada fomentou grupos de fãs, eventos e um público com bastante conhecimento. As palavras “anime” (uma pronúncia equivocada para animê que acabou pegando) e “otaku” (o fã de animê/mangá) ganharam significados próprios. Inicialmente uma palavra pejorativa no Japão para designar fanáticos por alguma coisa e sem vida social, aqui no Brasil o termo otaku passou a indicar animadas multidões de fãs de personagens e cultura pop japonesa.

Depois, já no começo desta década, veio a revista Henshin (Ed. JBC), onde o Del Greco era editor e eu fui um colaborador nos dois primeiros anos, chegando a organizar a primeira versão do site, que hoje existe no lugar da revista. Falando em sites, com a explosão da internet, eles realmente tiraram muito espaço das revistas, pois oferecem informação grátis e com mais rapidez. Outros projetos vieram, como o NihonSite.com e uma extensa produção para o site Omelete.com.br e, em menor escala, para o Bigorna.net. Apesar de no Omelete escrever também sobre livros, música e até eventualmente cinema, meu forte continua sendo o universo dos heróis japoneses. Parte desse material foi compilado no livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera).

Sem nunca largar totalmente dos quadrinhos, publiquei alguns projetos pessoais com óbvia inspiração nipônica: Blue Fighter, uma (meio tosca, confesso) homenagem a heróis de tokusatsu e também Dani, uma garota criada para historinhas de cotidiano. Ambos saíram algumas vezes em revistas profissionais e Dani ainda integrou em 2003 a coletânea Mangá Tropical (Ed. Via Lettera), álbum onde reuni alguns bons autores de mangá brasileiro, tentando honrar uma tradição de cerca de 40 anos de produção de mangá nacional.

Agora, com a proximidade das comemorações do centenário da imigração, o mangá, o animê, o J-pop (pop-rock japonês), o cosplay (o pessoal que se fantasia de personagens) os games e os heróis japoneses se uniram às artes mais tradicionais, como a ikebana (arranjos florais), origami (dobraduras de papel) e taikô (os trovejantes tambores). Tudo isso está amplamente difundido entre não-descendentes, muitos dos quais até estudam japonês para ter mais acesso ao material que curte. Como Jaspion, Changeman, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z, Pokémon e agora Naruto, as febres vêm e passam, mas existe um público que independe de grandes sucessos na mídia. 30 anos atrás, isso seria impensável pela ausência de informações e um público especializado que cresceu lendo e se informando sobre o lado mais pop e divertido do Japão. De certa forma, sinto-me parte desse processo.

Dica de leitura:

Okinawa – Uma ponte para o mundo (esgotado)
Autor: José Yamashiro
Editora: Cultura Editora Associados
Lançamento: 1993

Formato: 14 x 21 cm, com 280 páginas

Sinopse: A história de Okinawa, seu povo, costumes, religiosidade e tradições num abrangente relato do jornalista e historiador José Yamashiro.

Sites sobre Okinawa:
www.uchina.com.br / www.utinapress.com.br / www.radiolequios.com.br

domingo, 15 de fevereiro de 2009

DE VOLTA!

Depois de uma pane ocasionada por erro de hardware orgânico (aquela peça que senta na frente do teclado), este blog está reativado. Mil desculpas aos leitores que sentiram falta do conteúdo do Sushi POP e para aqueles que tentaram comentar nos últimos tempos, pois algumas tentativas se perderam. Em breve, novas postagens.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TESTE DE ILUSTRAÇÃO

Aqui está um teste de ilustração para um livro didático, misturando visual de mangá com um traçado de lay-out. O trabalho está em andamento, mas preciso deixar as garotas menos atraentes e com aspecto mais simples.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A CRÍTICA DO DESCONHECIMENTO

Quando se publica um trabalho, se está sujeito ao julgamento de quem nem o conhece ou tem base para fazê-lo. Isso é parte de se tornar uma pessoa pública. E maus juízos acontecem e se disseminam numa escala sobre a qual não se tem controle. Quem sofre mais, obviamente, são as pessoas famosas, mas cada nicho de mercado, cada pedaço de universo profissional, tem suas figuras mais reconhecidas que se tornam alvo de críticas e comentários, sejam eles embasadas ou não. Os dois exemplos que vou relatar retratam bem esse tipo de situação.

Em 2003, entrevistei no palco do evento Anime Friends o ator Hiroshi Watari (Sharivan, Spielvan). Em um certo momento, ele contou que seu famoso papel em Jaspion, o herói coadjuvante Boomerman, saiu da série porque ele (o ator) precisava tirar pinos da perna, que foram implantados por conta de um acidente de moto que sofreu durante um passeio de férias. Daí, perguntei se ele já havia se machucado sério também durante alguma filmagem, já que ele havia sido dublê. A resposta foi negativa. Tempos depois, li um blog cujo autor me chamava de burro e que não sabia entrevistar. Em seu texto, ele enfatizava que o Watari havia acabado de dizer que tinha saído de Jaspion pra tratar de um ferimento na perna e em seguida eu perguntei se ele tinha se machucado em alguma filmagem. O sujeito, que estava lá no evento assistindo, não prestou atenção na parte da entrevista em que o Watari dizia que o acidente que sofreu havia acontecido durante um passeio e não numa filmagem. Escrevi para o autor do texto e a resposta foi algo como: "Ah, cara, eu tô sem tempo de corrigir, paciência". E cada um que leu aquele blog infeliz e não estava lá ficou achando mesmo que eu teria feito uma pergunta estúpida.

Em 2000, eu escrevi a edição Como desenvolver roteiro para mangá, para a Editora Canaã. No texto introdutório (resgatado em 2007 no Almanaque da Cultura Pop Japonesa e em 2008 neste blog), eu explico que olho grande, cabelo espetado e outros sinais visuais não são suficientes para definir um mangá. E que o moderno mangá é, acima de tudo, um tipo de história narrada com conjunto de técnicas narrativas específicas. No ano passado, em um blog voltado a quadrinhos, seu autor escreveu uma crítica à revista Turma da Mônica Jovem e pinçou um trecho do meu antigo texto, ressaltando que não sabia quando o mesmo havia sido escrito, mas que parecia uma crítica ao gibi feito "em estilo mangá" dos Estúdios Mauricio de Sousa. Acontece que, a despeito de alguns pontos encaixarem mesmo como uma luva em aspectos dos primeiros números do citado gibi, meu texto foi escrito anos antes. Ele usou um texto meu para embasar parte da crítica negativa que fazia contra a Turma da Mônica Jovem. Daí, um leitor do tal blog escreveu um comentário dizendo que estava decepcionado comigo e com a postura que eu supostamente teria assumido contra o trabalho de Mauricio de Sousa, o que não era bem o caso. O próprio autor do comentário depois viu que interpretou errado e corrigiu o tom, mas isso é caso raro. Já vi em fóruns informações erradas atribuídas a mim e por aí vai.

Já escrevi e publiquei algumas bobagens e coisas inconsistentes. Mas se vão criticar, que seja por coisas que eu realmente assinei embaixo. É isso.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O BOM SENSO E A FALTA DELE




REFORMA ORTOGRÁFICA

Pensei que era só eu, mas o sempre sensato professor Pasquale Cipro Neto, em uma entrevista ao UOL, se posicionou contra a reforma ortográfica da forma como foi feita. Interesses econômicos nortearam as decisões e quem se ferra é o povo, como sempre. Milhões já foram gastos na compra de novos dicionários e ainda existem pontos polêmicos nas regras, o que pode gerar revisões e ajustes. Aí, quem já comprou dicionário, vai ter que comprar de novo.

Um amigo editor comentou outro efeito nocivo da reforma. Editoras pequenas com títulos abaixo de 3 mil exemplares não terão condições de renovar seu catálogo com a nova ortografia. Esses livros irão morrer, sendo retirados de catálogo e sem chance de voltar. Quem se deu bem foram as editoras de livros didáticos e dicionários. Já o resto...

A FUMAÇA DA ARROGÂNCIA E DA ESTUPIDEZ

A caminho de uma reunião, parei num Fran´s Café para um rápido lanche e me deparei com a seguinte cena: Em uma das mesas, um cliente fumava sossegadamente, ignorando as leis que proíbem o cigarro dentro de estabelecimentos comerciais, bem como cafés, restaurantes e afins. Não há mais ala de fumantes em lugar algum de SP, pelo que eu saiba.

O cliente em si era um homem robusto, com ar de arrogante e exibindo um smartphone para todos verem. Parecia muito à vontade com seu ar de bad boy e fazia questão de exibir alto tanto o cigarro quanto o aparato eletrônico. Nenhum funcionário teve coragem de pedir ao homem que apagasse seu cigarro. Simplesmente me retirei do lugar e procurei outro estabelecimento. Ainda bem que poucos fumantes têm essa atitude.

Na cabeça de ostra daquele homem, ele certamente estava arrasando.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ILUSTRAÇÃO - KASATO MARU

No ano passado, o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil movimentou muita gente e agitou também o mercado editorial. Um dos lançamentos ligados ao evento foi o livro Brasil Japão - 100 Anos de Paixão, da editora MBooks. O trabalho compilou vários depoimentos de famosos e anônimos sobre a cultura japonesa e apresentou um trabalho gráfico impecável com numerosas fotos de grande beleza. Tive a honra de ter uma participação em dose dupla. Além de colaborar com um depoimento, recebi a encomenda de produzir uma ilustração exclusiva do navio Kasato Maru, o primeiro a trazer imigrantes japoneses para o Brasil, em 1908. Baseado em referências fotográficas, produzi o trabalho, que foi publicado na abertura do livro.

Para executar a arte, realizei vários esboços e estudos até finalizar um painel em folha de papel Canson A3. O esboço à lápis foi feito bem leve, para não marcar o papel. A colorização foi toda em tinta acrílica de cor sépia da marca Acrilex. A tinta acrílica permite um resultado vibrante, mas seca rápido, o que exige a utilização de um retardador de secagem, ou medium acrílico. A acrílica é uma tinta versátil, que permite tanto ser usada na forma pura (em pasta) sobre telas quanto ser diluída em água (como aquarela) para ser aplicada em papel. A técnica usada foi a da mancha, sem detalhar muito e usando pinceladas rápidas e fortes.

Na era da pintura digital, foi ótimo fazer um pouco de sujeira com tinta e desenferrujar os pincéis. Foram usados pincéis Kolinsky e Tigre - série 308, com numerações variadas, especialmente o número 1 (para detalhes) e o 6.
Depois de terminada a pintura (que levou uma tarde inteira), havia um trabalho adicional: escanear o trabalho. Como tenho um scanner simples para folhas A4, tive que escanear em duas etapas. O difícil foi ajustar a cor e fazer a colagem das duas partes sem que ficasse nenhuma marca de emenda na imagem. O resultado pode ser conferido melhor no livro.

Saiba mais sobre Brasil Japão - 100 Anos de Paixão e compre no site da editora clicando aqui.