RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A ARTE DE SABER COBRAR

Outro dia, uma pessoa me procurou para orçar um trabalho. Era uma ilustração para uma capa de CD. Antes de passar o valor, perguntei se o CD era independente ou se a banda já tinha gravadora. O contato falou que era independente (ou seja, ia pagar do próprio bolso), mas que não via que diferença isso poderia fazer.

Bom, faz uma enorme diferença. Imagine a seguinte situação: um homem o procura e pede pra você desenhar um gênio com um prato de quibe na mão. Se a arte for pra um folheto da lanchonete da esquina, que tem dois funcionários e uma estrutura modesta, não dá pra cobrar bem. É questão de ver disponibilidade, amizade e outras coisas pra ver se compensa o trabalho. Se o desenho do gênio é para um anúncio publicitário pra rede de fast food Habib´s, com uma verba milionária, a coisa muda de figura. Aliás, alguém consegue imaginar quanto vale o desenho do mascote do Habib´s? E criar um novo design para o Ronald McDonald, alguém tem um palpite de quantos milhões seria o valor de um "desenhinho"? Os desenhistas mais bem pagos que eu conheço atuam na publicidade, ganhando bem de grandes agências sem nunca assinar um único desenho.

Voltando ao caso inicial, cobrei um valor que achei justo e o cliente, como muitos outros, desapareceu. Acho que imaginou que eu ia cobrar 50 reais só pra ver meu desenho sendo divulgado. Esse lance de "divulgar o desenho" é a maior balela. Empresas que contratam desenhistas para prestar serviço não ficam perguntando pras pessoas quem fez o desenho na sua camiseta pra pedir contato.

O pior é quando se mistura amizade. A frase "amigos, amigos, negócios à parte" raramente funciona. Certa vez, um amigo me chamou para fazer um trabalho de ilustrações pra uns folhetos. Na conversa, quando eu comecei a dar a entender que cobraria um preço bom levando em conta o porte da empresa para a qual ele trabalha, meu amigo me lembrou que estava me chamando mais para "dar uma força" pra mim. Como orgulho não paga conta, aceitei negociar numa boa depois de ouvir a frase. No final, até que não ficou um preço ruim, mas por pouco o clima não ficou chato.

Por outro lado, há um outro caso para exemplificar que nem tudo são espinhos. Um outro amigo me procurou para orçar um trabalho. Ele explicou que estava ajudando uma pessoa a estruturar um livro e que essa pessoa precisava que eu fizesse um certo número de ilustrações. Dei meu preço. Meu amigo negociou dizendo que tinha ouvido que a verba seria um pouco menor. Chegamos num acordo que achei interessante e só então ouvi a verdade: meu amigo disse que não havia uma terceira pessoa e que era ele mesmo quem precisava das ilustrações. Ele preferiu me fazer pensar que era para uma outra pessoa o trabalho para que a amizade não influenciasse e eu cobrasse o valor que achasse justo. Se antes eu já considerava esse amigo, o respeito aumentou ainda mais.

Saber cobrar e negociar bem é uma arte que só se aprende tomando muitos tombos. Eu ainda estou aprendendo.

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PREÇOS DE MERCADO

Apesar de nem sempre funcionarem, existem tabelas de preço envolvendo o trabalho de desenhistas.
Confira duas tabelas de preço:

ACB - Associação dos Cartunistas do Brasil

Sindicato dos Jornalistas de SP

ORIENTAÇÕES PROFISSIONAIS

SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil

Guia do Ilustrador

2 comentários:

JJ Marreiro disse...

Oi, Nagado! Excelente texto como de praxe:) Vou rapassar para uns amigos que estão nessa trilha de aprender a cobrar:)
Esses relatos são verdadeiras aulas.

Alexandre Nagado disse...

Valeu. E até quem é macaco velho como a gente está sempre aprendendo.

Abraços!