quinta-feira, 29 de maio de 2008

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO - O SHOW DE ABERTURA

Neste ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, muitas atividades têm sido realizadas como preparação para a grande festa em junho. Uma das mais interessantes foi o show de abertura das festividades oficiais, realizado no dia 16 de janeiro, no auditório do Ibirapuera (São Paulo, capital). Abaixo, vou republicar, para fins de registro histórico, o relato que escrevi na época, para a antiga versão deste blog.

Estive lá como convidado do Consulado Geral do Japão de São Paulo, o que foi uma honra. Havia muitos convidados ilustres, gente da música, da política, artes, imprensa e meio empresarial. Eu estava na terceira fileira, perto do palco, e assisti um show que nunca vai sair da minha memória. O repertório era eminentemente instrumental, talvez a melhor maneira de derrubar barreiras de idioma, usando a música como linguagem universal.

Primeiro, o trio feminino Rin´ apresentou sua fusão de instrumentos tradicionais com música eletrônica. Tocando okotô (similar à harpa), shamisen (similar ao banjo) e shakuhashi (flauta japonesa) e cantando de modo angelical, elas criaram uma atmosfera hipnótica, o que tornava ainda mais divertidas suas falas em português (lidas com um sotaque graciosamente irresistível) entre as músicas. No palco negro, iluminado de modo elegante, apenas algumas faixas brancas com escritos em kanji decoravam o fundo. Uma delas trazia a inscrição "Chikyu no koe" ("Voz da Terra"), uma definição perfeita para algumas músicas.

Depois delas entrou o genial Yamandu Costa e seu violão de sete cordas, ao lado de Hamilton de Holanda, uma lenda do bandolim. Uma apresentação impressionante, com uma entrega de corpo e alma ao que de melhor em termos de melodia, ritmo e harmonia a música brasileira tem a oferecer. E Yamandu arriscou seu japonês, tão "bom" quanto o português dos convidados, deixando o clima alegre e descontraído. Mas quando eles tocavam, a reverência ao som das cordas era quase religiosa de tão solene.

O show seguinte foi de Hiromitsu Agatsuma, jovem gênio do shamisen, tradicional instrumento japonês de 3 cordas. Fazendo o máximo com o mínimo, ele mostrou, tocando e cantando, porque é considerado um símbolo de renovação da música tradicional japonesa. Em algumas músicas, foi acompanhado pelo pianista Yoichi Nozaki. Entre o clássico e o jazz, Nozaki mostrou não ser apenas um músico de apoio, com vigorosos solos tocados com impacto e grandiosidade. Depois, Yamandu e Hamilton voltaram, fazendo uma outra performance memorável ao lado de Agatsuma e Nozaki.
Finalmente, para a apoteose do show, o trio Rin´ subiu novamente ao palco e, juntos, os sete interpretaram "Mais que nada", música de Jorge Benjor que ficou famosa mundialmente na interpretação de Sergio Mendes e já foi até regravada pela banda japonesa Pizzicato Five.

Encerrando, os músicos interpretaram a delicada "Furusato" ("Terra Natal"), que embalou de nostalgia muitos dos cerca de 800 presentes. Solos virtuosos, simplicidade e bom gosto marcaram uma apresentação que foi aplaudida de pé em vários momentos. Ao final da última música, a parede de fundo do palco foi elevada, revelando o bosque do Ibirapuera, todo iluminado. A platéia foi às lágrimas e a emoção contagiou a todos.Naquele palco, os sete artistas não fizeram apenas música. Criaram vida. (Fotos:
Fundação Japão)

Sites dos artistas:
- Rin´
- Yamandu Costa
- Hamilton de Holanda
- Hiromitsu Agatsuma

quarta-feira, 28 de maio de 2008

OFICINA DE MANGÁ EM SP

Em junho, aos sábados de manhã, irei ministrar uma oficina gratuita de mangá na Biblioteca Monteiro Lobato (região central de São Paulo, capital), que inaugurou neste ano uma seção de gibiteca. É a terceira vez que irei realizar uma oficina lá. A divulgação mal começou e já há mais reservas de inscrição do que o curso comporta. Ainda assim, como é comum que haja desistências, estou divulgando a quem interessar possa. O curso, composto de 4 aulas, irá apresentar algumas técnicas básicas para desenho e desenvolvimento de personagens, com ênfase no estilo mangá.

Oficina de Mangá
Idade: a partir de 12 anos
Número de alunos: até 20 inscritos
Dias: 7, 14, 21 e 28 de junho
Horário: 09h30 às 12h30
Local: Biblioteca Monteiro Lobato
Endereço: Rua General Jardim, 485 - Vila Buarque - São Paulo/ SP
Tel.: (11) 3256-4122
Página da biblioteca

terça-feira, 27 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 6

9 de março de 2008
OS TEMPLOS DE KYOTO 

Aulas de História e arquitetura nos templos de Kyoto
Paulo, Naguissa, Nagado e Raphael em Kyoto
Logo de manhã, pegamos outro Shinkansen, para seguir de Hiroshima para Kyoto, a antiga capital do Japão. Cerca de 1h40 de viagem depois, lá estavamos para um dia inteiro de passeios culturais, sem necessidade de terno ou traje formal. Depois de toda a emoção que passamos em Hiroshima e da correria na qual estávamos envolvidos desde o início da viagem, foi providencial termos momentos de paz e sossego. Conhecemos diversos templos, como o impressionante Templo dos Mil Budas. Dentro, onde não é permitido tirar fotos, havia um grande salão com mil estátuas do tamanho de uma pessoa. Cada buda representado tinha um rosto diferente, permitindo a identificação com um grande número de pessoas que podia procurar algum traço fisionômico próprio em cada estátua.

Caminhando pelo local, ainda tivemos a sorte (notaram como essa palavra tem sido recorrente na viagem?) de presenciar um casamento budista tradicional, tudo muito solene e elegante. Em outro templo, havia o Chão de Rouxinóis. Trata-se de um tipo de "alarme" que havia em alguns castelos e templos. O assoalho de madeira, quando pisado, emite um som parecido com o canto de um rouxinol. Não era madeira rangendo ou um barulho irritante, mas um som delicado que, com a multidão andando lá, causava a impressão de se ouvir uma revoada de passarinhos.

UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO


Depois, fomos ao Templo Daitokuji, onde tivemos uma experiência de prática da meditação Zazen sob a orientação de um monge. Em posição de lótus (ou quase, que aquilo não é mole não), tentamos esvaziar a mente e entrar em estado de produndo relaxamento. O monge passava de um lado a outro e, quem desejasse uma bênção, bastava ficar com as mãos em posição de oração e curvar o corpo para a frente. Com um bastão de madeira, ele dava batidas rápidas e secas nos ombros da pessoa. O barulho forte assustou alguns, mas não doía nada, muito pelo contrário, parecia que ativava a circulação. 


Vimos os belos jardins de pedra do templo e entramos em uma sala que não é aberta à visitação do público. Era o salão particular de meditação de Musashi, o mais famoso samurai da história do Japão. Alguns, mais entusiastas da história de Musashi, ficaram emocionados com a honra. O monge era extremamente simpático e sorridente, deixando todos muito à vontade. Em seguida, fomos conhecer uma das mais famosas atrações de Kyoto.




KINKAKU-JI - O PAVILHÃO DE OURO

Depois, fomos conhecer o impressionante Kinkaku-ji, um local de orações de senhores feudais com paredes folheadas a ouro. Localizado em um parque que no século XIII foi o vilarejo Kintsune Saionji, o pavilhão dourado impressiona pela beleza. Na verdade, todo o parque é extremamente bonito, bem cuidado e acolhedor. Oratórios, altares e templos dão ao parque um ar solene e passear naquele lugar dava uma sensação de serenidade e paz.

Site oficial:

www.shokoku-ji.or.jp/english/index.html (em inglês)

CULTURA TRADICIONAL


À noite, fomos assistir a uma demonstração de cultura tradicional no Gion Corner. A série de apresentações atrai muitos turistas e cada ato é planejado para oferecer, de forma rápida, uma visão sobre diversos tipos de arte tradicional japonesa.

Uma gueixa, pequena e delicada como uma boneca, demonstrou sua dança quase etérea, assim como um imponente ator mascarado de kabuki, mostrando dois extremos da dança tradicional japonesa. Também houve demonstrações de cerimônia do chá, ikebana (a arte dos arranjos florais), kotô (instrumento tradicional) e o teatro kyogen, que consiste em pequeno sketches cômicos. A mais interessante das apresentações foi do teatro de bonecos bunraku, onde uma trágica história é contada por meio de uma boneca articulada movimentada por operadores vestidos de preto. Somente o mestre pode mostrar o rosto, enquanto os auxiliares ficam cobertos de preto da cabeça aos pés. Depois, fomos jantar no Hotel Hiean no Mori.

HORA DE DESCANSAR

Finalmente, fomos ao último hotel que nos hospedaria no Japão, o Rhiga Royal Hotel Kyoto, da mesma rede que havia nos hospedado em Hiroshima. Os luxuosos e sofisticados hotéis Rhiga são considerados 3 estrelas no Japão, o que levou muitos de nós a achar que no Brasil, não existem hotéis 5 estrelas de verdade.

Depois de voltar ao hotel, eu, Daniel, Miguel e Gustavo (os 4 caras paulistas da turma) saímos para andar. Compramos saquê em lata numa loja de conveniência e ficamos bebendo pelas ruas de Kyoto. Conversamos sobre como tínhamos chegado até aquele ponto e sobre nossas expectativas com a viagem. Ninguém podia imaginar que tudo aquilo ia acontecer conosco. Entre o aviso de inscrição para o programa e a viagem, menos de três meses haviam se passado. E aquela semana estava sendo a mais intensa de nossas vidas.

O último dia de programação oficial nos reservava um mergulho no universo de um assunto que levou muitos de nós a se interessar pelo Japão: o mangá.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

HQ MIX - SAIU A LISTA DE INDICADOS

Começou a campanha da nova edição do Troféu HQ Mix para os melhores da área de quadrinhos do ano passado. Primeiro, os organizadores listam tudo o que foi lançado no mercado editorial no ano anterior. Depois, uma comissão indica alguns nomes ou títulos representativos de cada categoria. Os eleitores (que devem ser artistas profissionais ou amadores ou ainda pesquisadores cadastrados) podem votar em quem quiser, mas sem dúvida a lista de indicações é um termômetro para quem tem maiores chances. O troféu deste ano será com a forma do personagem Samurai, de Cláudio Seto, e o evento de premiação vai homenagear os autores brasileiros de mangá e o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Pela primeira vez, estou concorrendo entre os indicados, com o Almanaque da Cultura Pop Japonesa. Pessoalmente, acredito que Desenhando Quadrinhos (que eu li, resenhei e acho sensacional) deva levar a melhor, por mais que os livros indicados tenham propostas bem diferentes. Mas só de ver meu trabalho (indicado como destaque de 2007 pelo site Nippo-Jovem) entre os selecionados já é uma honra. Veja a lista de indicados para a categoria Livro Teórico:

32) Livro Teórico
Almanaque da Cultura Pop Japonesa de Alexandre Nagado (Via Lettera)
Desenhando Quadrinhos de Scott McCloud (M. Books)
Iconográficos - Teorias, Colecionismo e Quadrinhos de Agnelo Fedel (LCTE)
JAPOP - O Poder da Cultura Pop Japonesa de Cristiane A. Sato (NSP Hakkosha)
Love Hina Infinity (JBC)
Mulher ao Quadrado - As Representações Femininas nos Quadrinhos Norte-americanos de Selma Oliveira (UNB/Finatec)
O Riso que nos Liberta de Wellington Srbek (Marca da Fantasia)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 5 (Tsukiji, Shinkansen e Hiroshima)


O quinto dia de minha viagem ao Japão foi o mais intenso. Depois de passeios com um toque de aventura, chegamos a Hiroshima, um encontro que nos marcou pra sempre.

8 de março de 2008

MADRUGANDO PARA VER... PEIXES
Tendo ido dormir tarde no Hotel Cápsula, acordamos às 3h00 da manhã para ir conhecer o Mercado de Tsukiji, um local que começa a funcionar realmente muito cedo, recebendo comerciantes e pescadores profissionais que abastecem restaurantes e hotéis. O lugar é enorme, cheio de coisas e muito movimentado. Parecíamos estar em um cenário de filme. Trabalhadores corriam de um lado para o outro, num ritmo frenético. Alguns usavam pequenos veículos com a frente redonda, parecendo que haviam saído de um filme de ficção científica. No galpão principal, centenas de atuns gigantes eram posicionados para o leilão que acontece diariamente.

Dia 8 também foi o dia do meu aniversário e a Roberta puxou os parabéns do povo. Eu estava longe da família, mas a situação da viagem era tão empolgante, que nem deu pra ficar triste. Completei 37 anos, sendo o terceiro mais velho do grupo. O Alex tinha completado 37 no dia 3, em pleno vôo. E o Marcelo, com 38, era o mais velho dos Jovens Líderes.


SHINKANSEN - RÁPIDO COMO UM FÓRMULA 1
Ainda de manhã, corremos para a estação de trem, onde íamos pegar o shinkansen, o famoso trem-bala japonês. 


Correndo a uma velocidade média de 300km/h, o trem é silencioso, confortável e é até melhor do que andar de avião, pois não tem turbulência. Andar de shinkansen é caro e muitos japoneses nunca andaram nele. E além de viajarmos de graça, ainda tivemos o privilégio de, no caminho, vislumbrarmos o famoso Monte Fuji

O impressionante cartão postal do Japão parece uma figura quase etérea e ao mesmo tempo imponente e colossal. O céu estava limpo, o que permitiu uma visão perfeita do antigo vulcão.




HIROSHIMA: O MUSEU DA PAZ E OS HORRORES DA GUERRA


Chegando em Hiroshima, fomos aos poucos entrando no clima da visita que viria a seguir. A nossa guia Silvia começou a explicar um pouco sobre a cidade, que fica entre montanhas e é recortada por rios e lagos. 

Um lugar muito bonito que, na época da Segunda Guerra abrigava uma escola preparatória de oficiais militares. Por não ter sido ainda bombardeada nenhuma vez e por suas condições geográficas, foi escolhida a dedo para ser o alvo do primeiro ataque nuclear da história. A derrota do Japão era questão de tempo, mas era preciso mostrar ao mundo um poder sem precedentes que colocaria os EUA à frente do mundo no período pós-guerra. E Hiroshima pagou um preço caro por isso.

O dia estava limpo e ensolarado, contrastando com o clima lúgubre que comecei a sentir. Pra mim, parecia que estávamos pisando em solo sagrado.

Andamos ao redor do único prédio que restou do bombardeio atômico. Outrora uma repartição pública localizada a cerca de 600 metros do ponto onde a bomba foi detonada, apenas parte de sua estrutura (incluindo sua famosa cúpula) resistiu, servindo como um registro da violência daquela explosão. Depois ficamos sabendo que todas as vidraças dos prédios atingidos se fragmentaram em milhões de pedaços, que retalharam a população. 








Muitas pessoas, além de horrivelmente queimadas e desfiguradas pelo calor nuclear, vagavam em desespero com inúmero pedaços e cacos de vidros encravados em todo o corpo. Fotos mostravam corpos desfigurados, outros carbonizados. Um chocante diorama mostrava bonecos em escala real para mostrar como as pessoas atingidas pela radiação vagavam em desespero pelas ruas.

E chegamos ao Museu Memorial da Paz. Lá, é necessário entrar com o espírito forte e preparado, pois as imagens e informações que se consegue lá são impactantes, devastadoras. É impossível ficar indiferente ao que se vê lá e há informações em vários idiomas, incluindo o português.

Maquetes mostram como era a cidade antes e depois da bomba. Há objetos, roupas, partes de construções afetadas pela explosão e até fragmentos de corpos conservados. As fotos de sobreviventes e mortos são arrepiantes. Notei que muitas famílias levam crianças para o local. Lá, aprende-se o valor da vida e da paz. Um dos mais tocantes relatos é o da pequena Sadako Sasaki, uma menina linda que foi contaminada pela radiação. Lutou durante anos contra uma doença degenerativa, sem sucesso. Uma antiga crença no Japão dizia que quem fizesse 1.000 tsurus (origami de pombo), se curaria de qualquer doença. Sadako, sua família e colegas de escola fizeram os mil pássaros. E aos 12 anos, Sadako morreu e foi sepultada com os tsurus. A foto dela no caixão mostrava uma expressão de profundo sofrimento, de uma vida com tanto a fazer e que foi interrompida pela guerra, como tantas outras. Em sua homenagem, um monumento foi erguido, no qual uma escultura de Sadako aparece erguendo um tsuru gigante.


UMA MULHER DE CORAGEM

Depois de percorrer todo o museu, fomos levados a uma sala de conferências onde ouvimos uma palestra da senhora Emiko Okada, sobrevivente da bomba. Ela, que era criança quando a bomba caiu, conta que perdeu uma irmã mais velha e que sua mãe perdeu o bebê que esperava por causa da radiação. Alguns relatos foram acompanhados de desenhos feitos por sobreviventes. As descrições dos cadáveres eram impressionantes e chocavam mais ainda quando falava-se das crianças mortas. 


Aparentemente forte, a senhora Okada desenvolveu uma doença no sangue, que no entanto não a impede de viajar a outros países para dar seu testemunho sobre a desgraça que é a guerra e o uso da energia nuclear para fins bélicos. Várias vezes, a intérprete Silvia teve que interromper a tradução da palestra, pois alguns relatos a fizeram chorar muito. A maioria do grupo chorou em diversos momentos e, com a voz embargada, Aline Kashinoki falou em nome do grupo, agradecendo o encontro e a maravilhosa lição de vida que ouvimos.

Ao final de seu depoimento, a sra. Emiko distribuiu para cada um de nós um pequeno tsuru, que é um símbolo da paz. Nós a abraçamos muito e ela, que não está acostumada com esse tipo de manifestação, sorriu bastante e disse que parecíamos netos dela. Foi um momento muito tocante que jamais sairá de nossa memória.





Exaustos, física e emocionalmente, seguimos para o Rihga Royal Hotel, um luxuoso hotel de padrão internacional onde pudemos descansar. No dia seguinte, iríamos conhecer a antiga capital do Japão, uma bela cidade histórica repleta de museus, templos e castelos. 


Próxima parada: Kyoto.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

SPEED RACER - A SÉRIE CLÁSSICA

Uma das séries em animê mais divertidas de todos os tempos (e uma das minhas favoritas) foi Speed Racer. Com a repercussão do filme live-action feito pelos criadores de Matrix, o Omelete publicou uma matéria na seção "Lembra desse?" dedicada ao famoso piloto. O texto, de minha autoria, pode ser acessado aqui.

VIDEOCONFERÊNCIA - MANGÁ E HAICAI

No último dia 6 de maio, participei de uma videoconferência para professores da rede estadual de ensino. Parte do projeto Viva Japão (ligado às comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil) e apoiado pela Rede do Saber, foi uma experiência interessante, no qual falei sobre mangá e pude responder a perguntas de pessoas em diferentes pontos do estado, ligados por um sistema de circuito interno de vídeo. No mesmo dia, a escritora Teruko Oda falou sobre os poemas haicai. Felizmente, correu tudo nos conformes, mas eu não estava 100% bem, com uma tosse irritante (o que deixou minha voz péssima), que até que ficou sob controle.

O trabalho valorizou não só a cultura, mas as pessoas que trabalham com ela, pois várias reuniões de planejamento foram realizadas e o projeto destinou uma verba justa para remunerar os profissionais que se dispuseram a dividir seus conhecimentos com o público selecionado. Fica aqui meu agradecimento ao escritor Silvio Sano, pela indicação, apoio e suporte, e a todo o pessoal da Rede do Saber e da secretaria de educação que colaborou para que o trabalho fosse realizado.
Agora, a videoconferência foi disponibilizada no arquivo da Rede do Saber e pode ser assistido no link abaixo:

terça-feira, 20 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 4

7 de março de 2008

DESPEDIDA DO RYOKAN
Depois do café da manhã, arrumamos nossas malas e fomos embora do Ryokan Homeikan Hotel, nossa primeira e mais marcante base no Japão. Alguns funcionários foram nos acompanhar até o ônibus e ficaram acenando até sumirmos de vista. A simpatia e boa-vontade deles realmente nos tocou, até porque a maioria já era de certa idade. E que pique eles tinham! Foi uma acolhida, estadia e despedida bastante calorosas. E assim, pegamos estrada para mais uma maratona de atividades.

VISITA EM OIZUMI




Oizumi é uma pequena cidade localizada na província de Gunma, próxima de Tokyo. Possui muitas fábricas e tem uma grande concentração de estrangeiros (em sua maioria, brasileiros), que compôem 16% de sua população. Quando me informaram que iríamos para Oizumi, achei que ia conseguir encontrar meu amigo Michel Matsuda, do blog Universo Otaku. Mas nós ficamos na cidade exatamente no horário em que ele trabalhava e apenas nos falamos por telefone uma vez.


Fomos recebidos pelo prefeito Hiroshi Hasegawa e assessores e ficamos sabendo várias curiosidades sobre a cidade. Foi uma grande gentileza da parte dele, pois ele estava em plena campanha eleitoral e deixou de lado seus afazeres para nos recepcionar. Depois, fomos para uma escola japonesa. As crianças nos receberam como autoridades e fizeram uma adorável apresentação musical para nós, ensaiadíssimos e disciplinados. Em retribuição, o Carlos Prazeres, que é maestro assistente da Orquestra da Petrobrás, fez uma apresentação com oboé, instrumento com o qual é solista na mesma orquestra. Depois, as crianças nos entregaram delicados origamis. Andamos pelos corredores para ver as salas de aula. Em uma delas, a professora nos chamou para entrar. Aí, por sugestão da Roberta Regalcce, fiz um desenho na lousa para as crianças.


Na biblioteca da escola, ficamos sabendo mais sobre o sistema educacional e sobre os esforços para que os estrangeiros matriculem seus filhos nas escolas, o que infelizmete nem sempre acontece. Depois, almoçamos em um restaurante de comida brasileira (onde saboreamos uma boa feijoada) e seguimos com nossa programação.

Na escola seguinte que visitamos, conhecemos crianças e jovens brasileiros, todos filhos de dekasseguis. Representantes de classe falaram para nós, visivelmente nervosos e emocionados. Depois, o Hiroshi Homma fez um pequeno discurso como representante do grupo e, então, cada um pôde também dirigir algumas palavras aos alunos. Em minha vez, enfatizei muito a importância deles aproveitarem a estadia no Japão, aprenderem o idioma e assimilar o que o país tem de bom a oferecer. Mas fiz a ressalva para que sintam orgulho do Brasil e que cada país tem coisas boas ou ruins. Me alongando um pouco, falei sobre a importância da cultura para se destacar em qualquer área. O Carlos fez outra apresentação e se arriscou a reger as palmas como acompanhamento ao seu oboé. E o Miguel Angelo, que é ator profissional, fez um divertido exercício de interpretação com 3 alunos para divertir a todos os presentes. nos dividimos em vários grupos para conversar com a garotada, o que foi uma experiência muito agradável. Finalizando, entregamos pequenas lembranças aos jovens, posamos para fotos e seguimos para outra atividade agendada, o que nos levaria de volta a Tokyo.

Um fantástico e exclusivo show de taikô
TAIKÔ - EXPERIÊNCIA CULTURAL COM O GRUPO NAGISA TAIKO

Para quem não sabe, taikô é aquele tambor japonês que possui diversas variantes e é tocado em
eventos por grupos numerosos. O som é poderoso, suas vibrações são sentidas na pele e assistir a um show de taikô é uma experiência única. Ver um show exclusivo em um salão fechado então, é privilégio que muito poucas pessoas puderam experimentar. E foi o que aconteceu conosco, ao assistir a uma apresentação do grupo Nagisa Taiko

Alguns membros do grupo não só já haviam tocado taikô, como tínhamos músicos especializados no instrumento, como a Naguissa Kawada, Alice Yumi (que vai tocar no show do centenário em São Paulo) e o Fernando Kanashiro (que também deve se apresentar em São Paulo no futuro). Depois do show, fomos convidados a tocar taikô sob a orientação do pessoal do Nagisa.

Meio desajeitadamente (no meu caso),
fizemos nosso barulho e pudemos experimentar a emoção de tocar taikô. O grupo ainda ofereceu pra gente um belo e generoso jantar, onde brindamos com muita cerveja e nos divertimos no karaokê. Fiz caricaturas dos músicos, as meninas fizeram uma coreografia para acompanhar uma das músicas e outros tiveram uma aula rápida de origami no meio da festa. Já no final, cantamos (meio bêbados) Hey Jude, que acabou virando a música-tema da nossa viagem. No YouTube, até postaram um trechinho da nossa cantoria (veja aqui). Quando íamos sair do salão, os músicos e seus familiares fizeram um túnel com os braços (tipo festa junina), para que passássemos. E correram atrás do ônibus, mesmo com o frio absurdo que fazia, acenando animadamente. 

Todos estávamos muito felizes e empolgados. Aquele pessoal sabe como fazer uma festa e ser hospitaleiro!

HOTEL-CÁPSULA E MEU PRIMEIRO TERREMOTO (OU QUASE)

Fechando a programação, já era noite quando fomos ao Hotel Capsule Inn, no já conhecido bairro de Akihabara. Os hotéis-cápsula são uma opção barata de pernoite, sendo muito usados por trabalhadores que perderam o último trem ou ônibus para voltar para casa. Em cada cubículo individual, tem rádio, TV e uma cama bastante confortável. Foi bem interessante experimentar esse tipo de hospedagem, que acredito só existir no Japão.

Na madrugada, ainda houve um pequeno terremoto, que foi sentido pelos que estavam acordados. No meu caso, estava ferrado no sono e nem percebi nada. O que não foi um mau negócio. De todos os aspectos e experiências que o Japão pode proporcionar, sentir um terremoto (leve ou de qualquer outro tipo) não estava entre as minhas prioridades. Dormi feito pedra, mas por pouco tempo, pois depois teríamos que levantar muito cedo para ir conhecer o gigantesco e movimentado mercado de peixes de Tokyo.


O dia seguinte também nos levaria a conhecer os resultados de um dos maiores horrores da história da humanidade. Próxima parada: Hiroshima!

sábado, 17 de maio de 2008

PAPO COM MACHADO - A ENTREVISTA

Há cerca de um ano, fui entrevistado pelo dublador Nelson Machado (o Quico do Chaves) em seu programa de TV virtual Papo com Machado. O programa foi transmitido ao vivo e teve duas partes, onde conversamos sobre vários assuntos ligados ao meu trabalho. Na época, o meu Almanaque da Cultura Pop Japonesa ainda não tinha sido publicado. Agora, toda a entrevista está disponível para quem quiser assistir através do videolog do Nelson. Confira:

-
Papo com Machado - parte 1
-
Papo com Machado - parte 2

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 3

Chegando no Panasonic Center,
onde nasce o futuro.
6 de março de 2008
VISITA AO PANASONIC CENTER
Em mais um dia em Tokyo, saímos cedo do Ryokan e partimos rumo ao
Panasonic Center, onde fomos recebidos como autoridades - sem exagero. Do lado de fora e dentro, uma mensagem de saudação ao nosso grupo, respeitosamente chamado de Young Leaders (Jovens Líderes). Lá, uma demonstradora nos apresentou as principais novidades tecnológicas da Panasonic.

Chamou a atenção uma impressionante parede digital onde, a um simples toque, pode-se redimensionar o tamanho da tela de TV, mover objetos e até brincar com uma bola e tocar um teclado virtual. Uma casa de alta segurança, com chão aquecido e diversos equipamentos para facilitar a vida dos idosos mostraram uma filosofia em sintonia com a cultura de um país que costuma respeitar seus idosos. Também fomos apresentados a uma série de produtos que visam promover economia de energia e água. Bem interessante, pena que vai demorar muuuuito pra essa tecnologia toda chegar por aqui a preços acessíveis.




CULTURA POP JAPONESA É UMA ARTE (Com o Prof. Yasuki Hamano)

Depois de almoçar em outro hotel, voltamos à sede do MOFA para uma palestra com o Professor Yasuki Hamano, da Universidade de Tokyo, um ex-assistente do lendário diretor Akira Kurosawa e amigo pessoal do diretor de animês Hayao Miyazaki. Ele contou histórias pitorescas sobre esses grandes diretores. 

Ele descreveu tanto Kurosawa quanto Miyazaki como artistas e cineastas habilidosos com uma visão bastante humanista da vida, em contraste com um modo de ser muitas vezes rude e ranzinza no trato com as pessoas. Ele contou que Miyazaki, certa vez, encontrou um garoto que disse que assistia Totoro (clássico de Miyazaki) todo dia. Miyazaki se irritou e disse: "Idiota, se ficar vendo desenho todo dia, vai ficar burro! Veja só no seu aniversário!". 

Sobre Kurosawa, com quem ele trabalhou de motorista, secretário, contato, relações públicas e muito mais, ele contou outra pérola. Uma vez Hamano perguntou a Kurosawa como ele agiria se tivesse um orçamento de muitos milhões de dólares para um filme. Ao que Kurosawa disse: "Idiota! Se eu tivesse tanto dinheiro, não iria ficar fazendo filmes, ia tentar fazer algo de bom para as pessoas!". Rindo, disse que às vezes pode não ser muito bom conhecer esses gênios de perto.

Homem de hábitos tradicionais e orgulhoso de seu país, o sr. Hamano falou sobre o caráter prático e duradouro da arte japonesa e respondeu a várias perguntas do grupo. Depois de encerrada a palestra, trocamos cartões e tive oportunidade de fazer mais perguntas ainda. Perguntei a ele sobre a ligação entre Akira Kurosawa e o diretor dos primeiros filmes de Godzilla, Ishiro Honda. Em fim de carreira, Honda trabalhou como diretor assistente de Kurosawa em vários filmes, como o aclamado Sonhos. Indaguei se era uma relação de chefe e auxiliar, ou se eram mesmo amigos. Ele respondeu que ambos eram grandes diretores e se respeitavam como tal, além de serem amigos pessoais.

Também perguntei sobre o excepcional clipe
On Your Mark (1995), da dupla Chage and Aska, que foi dirigido e escrito por Hayao Miyazaki. Comentei que os cantores declararam serem fãs de Miyazaki, mas já o diretor falou que não acompanhava música pop ou rock. Perguntei como nasceu o projeto que reuniu esses artistas tão renomados em suas áreas. Hamano explicou que o convite partiu da gravadora de Chage & Aska, e que Miyazaki somente aceitou naquela época para equilibrar as finanças de seu Studio Ghibli. Hoje em dia, depois do Oscar por A Viagem de Chihiro, é praticamente impossível que ele aceite um convite similar. Uma palestra bastante interessante com um homem que tem muita história pra contar.

O NOSSO J-POP (Bate-papo com DJ Taro)

Completando, tivemos outra atividade no mesmo local, onde conhecemos o DJ Taro, um produtor musical e apresentador de TV nascido no Brasil, mas que vive no Japão desde pequeno e fala pouco português. Atencioso, pediu que cada um se apresentasse e falasse sobre um pouco sobre si. Tendo como ponto de partida o J-pop, o bate-papo com ele seguiu para várias direções, como projetos de animê que ele quer desenvolver, bem como o interesse dele em se reaproximar com a cultura brasileira, no caso através de seu trabalho como produtor musical.

Em certo momento, ele comentou sobre as anime songs a meu pedido. Ele comentou que hoje em dia muitos temas de animês têm sido cantados por astros pop e são músicas sem relação com o enredo da série. Ele explicou que isso acontece por força do mercado e ajuda a projetar as produções para um público mais amplo. Mas, do ponto de vista pessoal dele (e também do meu), é muito importante que a música de uma série fale do personagem ou do enredo, pois isso cria uma identificação imediata. Disse que tem saudades das músicas antigas de animês, que existiam em função da série e a ela se referiam.

A colossal
Tokyo Tower

JANTAR ESPECIAL NO RYOKAN
Já de noite, voltamos para nossa última noite no Ryokan (pois no dia seguinte iríamos para outro lugar) e fomos homenageados com um jantar tradicional japonês maravilhoso, onde experimentei até unagui (enguia), um prato que é uma delícia. Devem ter avisado que nós brasileiros comemos bastante, tanto que a simpática equipe de senhoras que nos atendia não parava de trazer mais comida. Ainda bem que eu não me preocupei com dieta. No dia seguinte, iríamos conhecer uma cidade cheia de brasileiros. Próxima parada: Oizumi

TOKYO TOWER
Localizada em Tokyo, a imponente Tokyo Tower é alguns metros maior que a Torre Eiffel, um colosso de metal que é uma das atrações da cidade. Eu a vi apenas enquanto andávamos pela cidade no ônibus fretado. Alguns de nós venceram o cansaço e foram visitar a torre de perto, mas era tarde da noite e ela já estava fechada para visitação.

(continua)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 2

5 de março de 2008

COMPROMISSO OFICIAL NO MINISTÉRIO DE ASSUNTOS ESTRANGEIROS

No segundo dia do grupo em solo japonês, logo de manhã, fomos recebidos no MOFA - Ministry Of Foreign Affairs, entidade do governo japonês responsável por nossa estadia no país. Lá, tivemos um bate-papo informal com o diretor de assuntos da América Latina e Caribe, o sr. Akira Miwa, e pela assessora Hiromi Noguchi. Um detalhe: a Hiromi falava português com o adorável sotaque de Portugal, pois já trabalhou em Lisboa. Em nossa reunião de apresentação, perguntei ao diretor se a mídia japonesa estava dando atenção ao centenário da imigração japonesa no Brasil e ele respondeu afirmativamente. 

Depois, no hotel, pude conferir um documentário sobre o fato em um canal local, confirmando que o centenário da imigração japonesa no Brasil também é assunto lá. Uma coisa interessante que ele comentou é que o Japão possui boas relações diplomáticas com dezenas de países, mas somente com o Brasil é possível fazer um projeto de intercâmbio com tais dimensões como este no qual estamos participando. Depois do encontro, fomos almoçar no restaurante do ministério. E a Hiromi acabou nos acompanhando em boa parte dos compromissos.

PRODUCTION IG - BASTIDORES DO MERCADO DE ANIMAÇÃO

No período da tarde, fomos ao estúdio Production I.G, responsável por famosos animês, como a série Ghost In The Shell - Inocence. Ao lado, ficava o estúdio Tatsunoko Production, que eu tinha muita vontade de conhecer, mas vai ter que ficar para outra vez. Em uma palestra, um responsável pelo estúdio, o executivo Mikio Gunji, comentou sobre a história da animação japonesa e mencionou alguns fatos marcantes: que no Japão os animês se tornaram um fenômeno de massa com o Encouraçado Espacial Yamato (Patrulha Estelar, 1978), passaram a ser levados a sério com as tramas políticas e sem maniqueísmo de Mobile Suit Gundam (1979) e ganharam status de arte com a filosofia, sofisticação e beleza visual de Nausicäa (1984). 

Ele falou sobre crise financeira atual, em parte causada pela pirataria de DVDs, algo que, se não for combatido, pode acabar com o mercado, pois os lucros podem desaparecer. Com relação às aparentemente salvadoras parcerias com empresas de games, ele deixou claro que os estúdios de animação ficam com a menor parte dos lucros. Realmente, mostrou um quadro complicado para a situação atual do mercado de animês no Japão, desfazendo o aparente glamour imaginado por quem vê de fora. Também comentou sobre as dificuldades pelas quais passam os desenhistas e mostrou cadernos de esboços. Ele se queixou bastante da situação atual e comentou sobre alguns projetos nos quais o estúdio está envolvido.

Ficamos sabendo sobre a produção The Sky Crawlers, sobre um mundo que não conheceu a Segunda Guerra Mundial, com uma história narrada por crianças Esse animê promete repercutir no mundo inteiro. Depois, ganhamos brindes do estúdio, como folhetos promocionais, um cachorro de pelúcia - personagem de Inocence baseado no cachorro do diretor Mamoru Oshii -, um single com uma canção de Inocence e fomos conhecer um dos estúdios de produção. Na verdade, era uma kitchenete bem apertada, com alguns desenhitas trabalhando. 


Não tivemos permissão pra falar com eles e nem tirar fotos, pois estavam bem ocupados. Ou quase, já que um estava cochilando quando entramos, levou um susto e rapidamente protegeu os desenhos nos quais estava trabalhando. Faltou uma plaquinha com os dizeres "Não alimente os desenhistas". Entramos, vimos quase nada e saímos rápida e silenciosamente. Ainda assim, valeu.

Nagado e Hiroshi Homma: Desenhistas
aprendendo arte culinária. Até que nos
viramos bem.
MUSASHINO COOKING COLLEGE - WORKSHOP DE CULINÁRIA JAPONESA

Fechando o dia com chave de ouro, fomos conhecer a Musashino Cooking College, que oferece cursos profissionalizantes de culinária. Assistimos a uma palestra do mestre (ou sensei) Nakamura e depois partimos para uma aula prática.

Não sou conhecido exatamente por ter dotes culinários ou ser habilidoso com trabalhos manuais (pra dizer o mínimo, ah ah), mas consegui ao menos não perder nenhum pedaço de dedo na hora de cortar sashimi e nem me queimei ao preparar tempurá. Na minha turma, o ator Miguel Atênsia se mostrou bem familiarizado com rotinas de cozinha, bem ao contrário de mim e do Raphael Santana, ambos um pouco desajeitados (pra dizer o mínimo). No nosso grupo, o Alex Sakatsume é professor de culinária oriental no curso de gastronomia da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro e pôde conferir
as dicas com muito mais conhecimento que o resto de nós, mas a diversão foi geral.

Depois, orgulhosamente devoramos os pratos que nós mesmos havíamos preparado. Não sei se foi a fome, mas eu achei uma delícia o prato que eu preparei. Estava meio desconjuntado, mas eu que não ia ligar pra isso. No final, ainda ganhamos do pessoal da escola dois livros escritos pelo sr. Nakamura e também o belo avental da escola. O primeiro dia de atividades oficiais foi espetacular, e isso era só o começo. (continua)

Nagado, Miguel, Prof. Nakamura
Roberta e Raphael.

terça-feira, 13 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 1

Nosso avião em Munique (Alemanha)
2 de março de 2008

EMBARQUE E PRIMEIRO ENCONTRO COM TODOS OS PARTICIPANTES

Com tudo preparado para a viagem de intercâmbio, fui para o aeroporto internacional de Guarulhos em uma tarde de domingo. Cheguei lá às 18h30 e logo fui ao guichê da Lufthansa. A partida do Brasil aconteceu às 21h30. 

No aeroporto, encontrei os outros paulistas que iam junto comigo: Daniel Guimarães, Roberta Regalcce, Miguel Angelo Atênsia e Gustavo Gomes de Almeida. Já tínhamos nos conhecido uma semana antes, na reunião de orientação que tivemos no consulado japonês. 



A galera se conhece e todos falam sobre a
expectativa em finalmente conhecer o Japão.
A maior parte dos integrantes
jamais havia ido para lá.
Pouco antes do embarque, conhecemos o pessoal vindo pelo Consulado de Curitiba: Hiroshi Homma, Aline Kashinoki (de Londrina), Myllena Pampuch da Silva, Juliana Endo e Alice Yumi Sinzato. Os demais, conhecemos no avião e na escala que foi feita em Munique, na Alemanha, a saber: Marcelo Moreira, Carlos Prazeres, Alessandra Maeda e Alex Sakatsume (Rio de Janeiro), Adriana Akemi Shibata, Paulo Viana Jr. e Raphael Santana (Brasília), Gabriel Moreira (Porto Alegre), Naguissa Kawada e Rodrigo Almeida (Manaus), Stênio Barros (Recife), Clarice Barroso (Fortaleza) e Washington José de Souza Filho (João Pessoa). Pena que não pudemos sair do aeroporto, que é realmente muito bonito e moderno. Ficamos zanzando pelo belíssimo aeroporto de Munique e comprei uns postais e imãs de geladeira. Depois, pegamos outro avião e passamos todo o resto do dia 3 de março (e uma parte do dia 4) voando. Ao contrário de muitos, eu realmente gostei da comida do avião, meio apimentada. Havia comida japonesa e também pratos internacionais. Eu gostei.

4 de março de 2008

CHEGADA NO JAPÃO - PRIMEIRA PARADA: AKIHABARA

Chegamos ao aeroporto de Narita no dia 4 de março às 11h30 da manhã, onde Silvia e Keiko (nossas
guias) nos aguardavam. Fazia um frio animalesco, apesar de estarmos perto do final do inverno. Fomos no ônibus fretado até o ANA Plaza Hotel para almoçar e depois fomos conhecer o bairro de Akihabara, paraíso dos produtos eletrônicos e da cultura otaku dos games, mangás, kits, animês e super-heróis. Há lojas exuberantes e tantas outras que são corredores estreitos. Uma em que fui direto foi a Laox, que dá desconto a estrangeiros que apresentam passaporte.

Akihabara é um show de cores e luzes e dá pra ficar atordoado com tanta informação. Mas nossa agenda estava apertada e teríamos apenas 2 horas para passear - e fazer compras - pelo bairro. Foi um sufoco, ainda mais se levarmos em conta que estávamos meio atordoados com a longa viagem de avião. Mas foi maravilhoso conhecer aquele lugar doido e movimentado. Mal deu pra comprar algumas lembrancinhas e bugigangas. Experimentei as maquininhas de gashapon, onde você coloca moedas, gira um botão, e cai uma bola plástica com alguma miniatura dentro. As máquinas são separadas por tema ou por série, mas não é possível escolher exatamente o quê vai sair da máquina, o que incentiva a tentar várias vezes. Elas são parecidas com as máquinas de doces que existem por aqui, mas são muito superiores.



O grupo reunido, sob um frio de 1 grau.

Entrada da pousada
tradicional Ryokan
Homeikan Daimachi Hotel. Um
lugar muito bacana e acolhedor.
Ao meu lado, o
jornalista Marcelo Moreira.
A PRIMEIRA NOITE

Depois, jantamos no luxuoso Tokyo Dome Hotel, anexo ao famoso estádio Tokyo Dome, e finalmente fomos ao Ryokan Homeikan Daimachi Hotel. Trata-se de uma simpática hospedagem em estilo tradicional japonês, em um quarteirão sossegado no meio da movimentada Tokyo. Fazia muito frio (em torno de 2 graus) e o clima era bastante seco. Mas como a poluição dos veículos é bem controlada, senti bem menos desconforto do que eu sinto no nosso outono-inverno seco e poluído.

O pessoal ficou dividido em grupos. Lá, todos comem sentados no chão e tomam banho em espaços coletivos (homens e mulheres separados). Tinha chuveiro e ofurô (banheira japonesa de água quente), o que foi providencial pra relaxar um pouco. E nos vestimos a
caráter, com quimonos yukata, o que foi bem legal. Os quartos comportavam 3 de nós e dormimos no chão, algo que realmente faz muito bem pra coluna. Vale mencionar também o belíssimo jardim do lugar, que ainda tem uma equipe simpática e prestativa. Exaustos pela viagem, dormimos feito pedra, nos preparando para a grande maratona de atividades que ia começar no dia seguinte. (continua)
O jardim do Ryokan, uma obra de arte.
Outra vista do jardim interno do Ryokan.
Saboreando uma de muitas
refeições deliciosas para quem
aprecia culinária japonesa.