RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

COBRANDO PELO TEMPO

Quando se trabalha com prestação de serviços (e desenhista é um prestador de serviços), muitos problemas aparecem, a começar pela própria definição da atividade. Se você é visto apenas como um "cara que gosta de desenhar", a tendência é que os clientes achem que estão te fazendo um favor se te chamam pra fazer um desenho.

Mas o desenhista ou prestador de serviços tem que agir como um comerciante. A diferença é que, ao invés de vender um produto, ele vende um serviço. Na verdade, dá pra chamar de produto o desenho, ilustração ou página que se faz.

Quando se trabalha com caricaturas em eventos, se vende o tempo, o que é um item aparentemente mais fácil de medir, mas não é. O desenhista pode estipular quantas pessoas em média consegue desenhar em uma hora (no meu caso, de 12 a 15 caricaturas). Se o evento forma fila, corre-se o risco de ficar trabalhando além do tempo pra atender todo mundo, mais os retardatários, aqueles que deixaram pra última hora porque estavam trabalhando no evento e vem implorar um desenho. Sempre dá pra quebrar um galho ou outro, bem como atender uma ou outra solicitação do cliente pra fazer depois do horário algum convidado VIP ou algo assim. Porém, é importante marcar posição quanto ao cumprimento do horário acordado quando o trabalho foi aprovado. Se você ficou 10 ou 15 minutos sem desenhar ninguém porque ninguém pediu, não é isso que vai interferir na contagem do tempo.

Ou seja, se o horário estava marcado para terminar às 19h00, não tem que ficar até 19h30 ou 20h00 sem receber extra por isso. Se você estava no local no horário combinado e o evento atrasou, não é sua culpa. Claro que sempre dá pra tentar chegar num acordo amigável e quebrar alguns galhos, mas é importante marcar posição quanto a horários. Se tem fila de gente pra ser desenhada e o tempo está acabando, eu calculo quantas pessoas consigo fazer e peço pra fecharem a fila. Nunca, em quase 20 anos de eventos, eu vi um único cliente reclamar por me ver fechando a fila.

Há clientes que se irritam se o desenhista interrompe o trabalho por uns minutos pra descansar a mão e aproveita pra papear um pouco.

Também há clientes que olham para caricaturista como se este fosse - com todo o respeito a essas profissões - um caixa de supermercado ou operador de call center (esses que ficam no telefone o dia inteiro e têm até horário de ir no banheiro controlado) pra ficar correndo de modo mecânico. É comum descansar um pouco durante o trabalho, pois desenhar não é apertar parafuso. Desenhista não é robô e precisamos respirar pra criar bem. Também é preciso garantir condições de iluminação adequada e evitar ficar com prancheta na mão, desenhando em pé e circulando pelo ambiente.

Desenhar de longe, sem a pessoa perceber ou te dar atenção, é impraticável. O caricaturado tem que dar sua preciosa atenção ao trabalho do artista por míseros minutos pra levar um bom desenho. Ou isso ou você se subvaloriza demais.

Finalmente, há o problema dos valores. Costumo cobrar R$ 100,00 por hora em média, mas já vi cobrarem um quarto desse valor. É comum negociar valores pelo pacote do serviço, mas certos valores são imorais.

Se o desenhista não se valorizar, não deve esperar que o contratante o faça.

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