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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

UM PAPO SOBRE A IMPRENSA ESPECIALIZADA

Com frequência, sou procurado por estudantes de comunicação, artes ou jornalismo para fornecer informações para teses ou TCCs (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre mangá e cultura pop japonesa, apesar de não ter vindo do meio acadêmico. Um dos contatos mais recentes foi com o Glauco Benetti, que mandou algumas perguntas que reproduzo abaixo, por serem relevantes aos temas abordados aqui no blog.

Porque a mídia televisiva e a impressa dão pouco destaque para a cultura pop japonesa?
- Talvez porque as pessoas que mandam nas redações sejam de outra geração, sem afinidade com esses fenômenos mais recentes. Os jornalistas ainda tentam entender essas coisas estranhas que vêm do Japão... :-)


Qual a sua formação? Voce não é jornalista, ou estou enganado?
- Realmente, não tenho formação universitária. Por isso sempre me apresento como redator.


Você acha que publicando matérias/colunas está suprindo a falta de jornalistas especializados nessa área?
- Essa imprensa nasceu do meio dos fãs e de certa forma é assim até hoje. Na época da revista Herói, os redatores eram remunerados. Hoje, com a internet suprindo as informações e cada vez mais gente escrevendo sobre isso, tudo virou meio fanzine. Os redatores da maioria dos sites sobre mangá e animê não ganham nada, pois os sites mal geram renda pra se manter no ar. Tudo fica sendo "pra divulgação". Então, é inviável pra um jornalista formado (ou adulto que se preze) querer viver disso, a menos que consiga se empregar em uma empresa de comunicação séria que, entre outros assuntos, tenha espaço para cultura pop em geral e, eventualmente, a japonesa.

Quando você escreve alguma matéria, quais os critérios de redação que você usa? (jornalismo on-line sempre requer paragrafos curtos, notícias condensadas, hiperlinks...)
- Ainda estou me adaptando à internet e tenho certa resistência a parágrafos muito curtos. Acabo escrevendo igual seja para sites ou para revistas. Mas sempre li textos técnicos e manuais de redação para me informar e atualizar. Sempre procurei colocar tudo no contexto, escrever de forma clara e, quando possível, coloquial. Isso me abriu portas para escrever profissionalmente, mas também criou críticos ferozes no meio dos fãs, que acham que eu escrevo coisas óbvias, para não-iniciados. Meus textos já foram editados e aprovados por jornalistas experientes e felizmente nunca questionaram o fato de eu não ter formação. Mas já vi ficarem meio surpresos e até indignados por eu "me passar por jornalista", mesmo que eu nunca tenha dito que era um.

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