7_Visual_Kei CDJapan

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Papo com o ator Miguel Atênsia, de "O Caderno da Morte" (Death Note)

O ator Miguel Angelo Atênsia é natural de Campinas (SP) e tem 25 anos. Formado em artes cênicas pela Unicamp, está no elenco da peça O Caderno da Morte, baseado no famoso mangá Death Note (notícia dada em primeira mão aqui neste blog). Seu personagem será o detevive L, que persegue o responsável por escrever os nomes das vítimas no misterioso caderno.

Nós nos conhecemos no Japão, em março deste ano, quando participamos do programa de intercâmbio Jovens Líderes, promovido pelo Ministério de Relações Exteriores do Japão, com apoio do Consulado Geral do Japão de São Paulo. Foi durante nossa estadia no Japão que ele comentou sobre o projeto de adaptar Death Note para o teatro. Achei o projeto muito interessante, pois acredito que seja uma das primeiras peças de teatro profissional que se inspira no mangá, aqui no Brasil. Neste ano, Naruto também foi adaptado como uma peça de teatro no Rio de Janeiro.


Os quadrinhos já inspiraram outras peças antes, e era questão de tempo até que o mangá fosse referência. E agora, meses depois, já está quase tudo pronto para a estréia do trabalho. Fiquei muito contente pelo Miguel, pois ele é um ator sério, consciente e talentoso. E um cara muito legal, o que é um privilégio para quem o conhece pessoalmente. Sem mais delongas, a entrevista:

FALANDO SOBRE DEATH NOTE NO TEATRO


Nagado: Como e quando surgiu a idéia de fazer Death Note no teatro?
Miguel: Tem coisas que inspiram fazer teatro. Filmes, livros que são muito bons, desenhos... é claro que mangá e anime também. Foi isso que aconteceu quando assitimos o Death Note. Pensamos: "Isso ia ficar muito legal no palco!". A vontade inicial partiu do Bruno Garcia (dramaturgo) no ano passado, e conversando comigo, com a Thais e com o Nei, fomos amadurecendo essa vontade até que criamos o projeto.

N: Como foi a negociação dos direitos? Houve alguma pressão para a aprovação do projeto?
M: No início, a editora JBC nos ajudou, e depois passamos a negociar direto com a Viz Media (detentora dos direitos de DN para o ocidente).
N: Os autores já estão sabendo? Qual foi a reação?
M: Nós gostaríamos muito de saber qual foi a reação dos autores, mas como a negociação teve muitos intermediários até dar a volta ao mundo, não sabemos se ficaram surpresos ao saber que sua obra estava sendo adaptada para o teatro no Brasil.


N: Além do mangá, houve inspiração também no animê e no live-action?
M
: De todos, cada um inspirou de forma diferente. Como estamos trabalhando com adaptação, a forma de contar a história muda de acordo com as caracteríscas de cada veículo. O mangá nos inspirou a sermos ágeis. Como cada quadro expressa muito bem ao leitor o que está acontecendo e o que os personagens estão sentindo, ele nos ajudou muito a chegar na essência de cada coisa. O anime, além de trazer a expectativa do que vai acontecer em seguida, foi a grande base da criação sonora. E o live-action nos ajudou a ver possibilidades dramatúrgicas sobre como poderíamos resolver algumas passagens e sintetizar uma história tão longa sem perder o desenvolvimento.


N: Death Note já virou teatro em algum outro lugar?
M: Não sabemos.
N: O que se pode esperar de fiel e de diferente em termos de história e caracterização de personagens?
M: Quando se vai adaptar de uma linguagem para outra, temos muitas opções. Cada uma tem seu valor específico. Por exemplo: um livro pode contar com a imaginação do leitor, um filme pode acrescentar efeitos e trilha sonora. No teatro tudo acontece ao vivo e cada dia é unico. Nos preocupamos desde o início em como a linguagem teatral poderia acrescentar ao Death Note. Reduzimos a quantidade de personagens para que cada um fosse mais importante na trama e condensamos as situações para que cada cena fosse vital para o desenvolvimento da peça.

N: Você escolheu o seu personagem?
M: Durante o processo de criação, todos interpretaram todos os personagens, e eles foram escolhidos naturalmente. Eu devo admitir que deste o inicio tinha muita vontade de fazer o L, acho que ele é um personagem muito rico e tenho muito respeito por ele. E é por isso que estou tão feliz de poder levá-lo ao palco.


-------------------------------------------------------------

Elenco
Vinicius Carvalho: Light Yagami
Miguel Angelo Atênsia: L
Thais Brandeburgo: Misa
Rudson Marcello: Sr. Yagami
Bruno Garcia: Shinigami

Direção: Alice K


------------------------------------------------------------


Agradecimentos a Miguel Atênsia pela entrevista e informações fornecidas.
Crédito da foto: Alexandre Sales


Para quem se interessar, o relato sobre nossa viagem ao Japão pode ser lido aqui.

Nenhum comentário: