quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Grandes Finais de Séries Clássicas

No ano passado, compilei dezenas de matérias sobre mangá, animê e tokusatsu e publiquei o Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera), que chegou a ser indicado ao prêmio HQ Mix como melhor livro teórico. Durante o processo de elaboração e seleção de material, vários textos acabaram ficando de fora por questões de espaço, mesmo que o projeto do livro tenha saltado de 120 para 224 páginas. Um deles eu resolvi mostrar aqui no blog. Foi publicado originalmente em duas partes na extinta revista Henshin (Ed. JBC) em 2001. É um texto que relembra alguns finais de séries japonesas que eram conhecidas até então e é ideal pra quem passou dos 30 ou 40.


GRANDES FINAIS

Conheça os finais mais emocionantes das sagas dos maiores heróis do Japão

Qualquer um que assista animês ou seriados tokusatsu sabe que há grandes diferenças entre uma série japonesa e uma americana. Em termos de história, a maior é que as japonesas têm uma estrutura mais próxima da novela - com começo, meio e fim - com um enredo mais abrangente do que a trama do episódio isolado, que vai se resolvendo aos poucos até o final definitivo. Seja a morte do vilão – ou em alguns casos do próprio herói -, seja algo que acontece para mudar a vida dos personagens centrais para sempre, o capítulo final é algo lembrado com emoção pelos fãs.

Esta seqüência de matérias especiais sobre os grandes finais de séries japonesas tem o objetivo de relembrar momentos marcantes para fãs de várias idades. E também para levantar discussões, refrescar a memória de quem viu e deixar quem não viu sabendo como foi.

Ultraseven

A saga do maior guerreiro da Nebulosa M-78 terminou em um episódio duplo dos mais dramáticos. Na primeira parte. Dan Moroboshi – a forma humana de Seven na Terra – sente-se fraco devido à longa permanência longe de seu planeta. Mas ele se recusa a voltar, pois os perigosos aliens Ghost estão na Terra. No fatídico final, ele revela sua identidade à sua amada Anne numa cena emocionante, filmada em silhuetas e com uma forte música clássica ao fundo, o "Concerto para piano em lá menor - Opus 54", do compositor alemão Robert Schumann, que se estende até o desfecho da luta contra o monstro Pandon. Arrepiante!

Após vencer o último monstro, voa de volta para M-78, observado por seus amigos do Esquadrão Ultra. Depois de mostrar Anne em lágrimas, a última imagem era a de Ultraseven voando rumo ao infinito, enquanto apareciam no céu imagens de Dan Moroboshi. Ao fundo, a música-tema do herói era tocada. (Exibição original no Japão: 08/09/1968)

Sawamu, o Demolidor

Desenho biográfico do lutador Tadashi Sawamura (chamado aqui de Savamu), esse clássico da Toei Animation (chamado originalmente de Kick no Oni ou O Demônio do Chute) teve um final muito bem bolado. Sucesso na TV Record até o início dos anos 80, o 26º - e último – episódio mostrava a revanche entre Sawamu e Ponshai Sheriakan – O Lagarto de Fogo, contra quem havia empatado antes. 

Embora tenha vencido, Sawamu acaba muito ferido. O herói, então, é mostrado no ringue num combate que culmina com seu golpe Salto no Vácuo com Joelhada. No momento do impacto, a imagem é congelada e assim termina a série. A sequência era a mesma que abria o primeiro episódio, seguida por uma narrativa de Sawamu lembrando o quanto batalhou até chegar a ser campeão de kickboxe – o final fechou o ciclo com o primeiro episódio. (Exibição no Japão: 26/03/1971)

Black Kamen Rider

O episódio final nunca exibido no Brasil começava onde o penúltimo havia parado: Shadow Moon pilotando a moto Battle Hopper e atacando Black. O herói contra-ataca reassumindo seu elo mental com a moto viva, que reage e acaba destruída pelo vilão. A explosão fere mortalmente Shadow Moon, que se refugia na base Gorgom. Black, empunhando a espada Sabre Satã, enfrenta o inimigo. A condição de Shadow Moon é crítica, mas ele decide morrer lutando. Antes, ele recupera sua consciência humana e energiza o Sabre Satã, que é usado por Black para destruir o Grande Rei Gorgom.

Fugindo da explosão da base, Issamu vê o corpo inerte de Shadow Moon. Tendo perdido o contato com sua irmã de criação Kyoko e Satie (a namorada de Nobuhiko), que fugiram para os EUA durante o ataque Gorgom, o herói parte para nova vida. Antes de ir, ele passa na lanchonete onde vivia, olha as fotos e recorda o passado com a sensação amarga de ter falhado. Resignado, ele parte rumo a novas aventuras, que seriam mostradas na série Kamen Rider Black RX. (Exibição original no Japão: 02/10/1988)

Street Fighter II – V

O encerramento da série dos lutadores do famoso game foi bombástico: enquanto Ken e Ryu enfrentavam Bison, Guile tentava conter o ataque de uma hipnotizada Chun Li. O final em que Bison é vencido mostra uma das sequências de lutas de artes marciais mais movimentadas dos animês com cortes rápidos de cena e, ao som de uma música composta especialmente para aquele momento, se tornou inesquecível.


O desfecho era previsível e a série já se arrastava, mas a direção do cineasta Gisaburo Sugii deu um tom grandioso ao final de SF II – V. (Exibição original no Japão: 27/11/1995)

Cybercop

A produção pobre tirou o brilho dessa série cheia de boas histórias e personagens marcantes. No episódio duplo final, o Barão Kageyama desliga o computador-líder Fuhrer, absorve seu poder e parte para o ataque. 


A inimiga Luna, por ser apaixonada por Marte, se rebela e acaba morta pelo Barão. Finalmente, os Cybercops se reúnem para enfrentar o tirano, e aparentemente triunfam. A energia dimensional liberada na batalha cria um portal que permite a Lúcifer e Júpiter a voltarem a sua era (eles haviam vindo do futuro). Tomoko, assumindo seu amor por Júpiter, vai junto. Quando estavam prestes a entrar no portal dimensional, o vilão ressurge e tenta alcançá-los. Então Marte salta para impedí-lo. Uma grande explosão faz desaparecer os dois inimigos. Os remanescentes acreditam que o herói morrera, mas eis que ele reaparece para celebrar a vitória com os amigos.

Mesmo sem uma boa produção que valorizasse as batalhas, o final de Cybercop empolgou os fãs pelas grandes reviravoltas na história – embora suas conclusões fossem previsíveis. Pena que este final, assim como o de Black Kamen Rider – nunca passou no Brasil, mas isso já é outra história. (Exibição original no Japão: 05/07/1989)

Pirata do Espaço


O 36º episódio do famoso anime visto na TV Manchete nos anos 80 fechou a série de maneira épica. O maligno Imperador Geldon e seu conselheiro, o Chefe Golem, comandam o gigantesco Robô-Bomba Gailar 5 num último ataque.

Após a violenta batalha que termina com a vitória do Pirata do Espaço, os pilotos Joe e Rita se despedem com muita tristeza, sem conseguirem revelar seus sentimentos um para o outro. Chorando enquanto pilota sozinho o Pirata do Espaço, Joe vê uma nave levando Rita, seu pai e amigos de volta ao distante planeta Gailar. Quem assistiu chorou também. (Exibição original no Japão: 31/03/1977)

Metalder, O Homem-Máquina


Esqueça a montagem picareta que transformou Metalder (junto com Spielvan) na lamentável série americana VR Troopers. A série original, exibida pela TV Bandeirantes nos anos 80, foi densa e dramática do começo ao fim. O vilão Neroz destrói o Dispositivo Gravitacional no cinto de Metalder – o que pode gerar uma explosão que arrasaria o Japão. Neroz se oferece para consertá-lo em troca da lealdade do herói. Ele se recusa, degolando o tirano com seu golpe Punho Titânico.
Finalmente, Metalder é encontrado por sua amada Maya e por Satoru, que disputava com ele o amor da fotógrafa. O herói pede que Satoru use uma espada do inimigo para destruir o Dispositivo Gravitacional – mas isso eliminaria o lado humano dele, chamado de Hideki Kondo, e o mataria. O país, no entanto, seria salvo. Satoru hesita, mas concorda com o amigo. Ao ser golpeado, Metalder emite uma luz ofuscante que afasta Satoru e Maya. O espírito do herói se despede do casal numa tocante cena final. O título já dava o tom grandioso: “Eternamente Metalder”. (Exibição original no Japão: 17/01/1988)

Zillion

Sucesso na Globo e na TV Gazeta, esse anime tinha como marca registrada o humor. O final, porém, mostrou os heróis em situações extremas de combate contra os invasores Noza e a comédia foi ficando de lado. Usando suas últimas cargas de munição das pistolas Zillion, os White Knights derrotam os inimigos e encurralam a terrível Rainha Adami. A inimiga morre tendo em seus braços um ovo que daria início a uma nova colônia de Nozas.
Com a missão cumprida e voltando para casa, os heróis JJ e Champ, mesmo feridos, terminam a série fazendo o que sabem de melhor: brigar como doidos pela atenção da curvilínea parceira Apple. A última imagem mostrava a sapeca atiradora empinando sua moto e derrubando os dois folgados da sua garupa. (Exibição original no Japão: 13/12/1987)

Maskman

A saga dos Defensores da Luz Maskman terminou preservando a marca da série: ação com pitadas de romance. Desde o primeiro episódio, o herói Takeo (o Red Mask) lutava para resgatar sua amada Miho, na verdade a princesa Yan, traidora do Império Tube.
Tendo conseguido isso nos episódios finais, a batalha derradeira dos heróis mostrou o grupo enfrentando o Rei Zeba em sua forma monstruosa. No auge da luta, Igan, a irmã gêmea maligna de Yan, se arrepende e une forças contra Zeba. Após a derrota do demônio, porém, Takeo não fica com sua amada. Em vez disso, Yan parte para liderar a reconstrução do Reino Subterrâneo, arrasado pela tirania do vilão vencido. (Exibição no Japão: 20/02/1988)

Nota do autor:
Desde criança, sempre tive em mente que as séries japonesas eram como novelas, sempre tendo um último capítulo. Fazer essa listagem com alguns finais memoráveis foi difícil, mas procurei valorizar produções antigas e meio desconhecidas para a geração que iria ler a matéria. Outros finais eletrizantes foram os capítulos finais de A princesa e o cavaleiro, Sailor Moon (primeira fase), Ultraman Tiga, Jaspion e Changeman.

5 comentários:

Lancaster disse...

Detalhe: Sawamu, o mangá original, teve roteiro de Ikki Kajiwara (com arte de Ken Nakajo). Então foi o único contato dos brasileiros com a obra de um dos autores mais importantes da história dos quadrinhos japoneses (Kajiwara foi o criador de Ashita no Joe – este sob o pseudônimo de Asaki Takamori –, Tiger Mask e Karate Baka Ichidai). Da mesma forma que o Pirata do Espaço foi o único contato dos Brasileiros com Go Nagai. Obras menores no Japão que aqui tomaram um vulto maior do que no país de origem.

Alexandre Nagado disse...

Excelente registro, Lancaster. Valeu!

Abraços!

Kowboy solitário disse...

PO CARA...VC SE ESQUECEU DE CITAR O DO FLASHMAN...É MUITO TRISTE VER A TERRA Q ELES JURARAM PROTEGER OS REJEITANDO...E ELES TENDO OD DIAS E HORAS CONTADOS PRA SE MANDAREM DALI...SE NÃO NORRERIAM..FORA Q SÓ UM DELES CONSEGUIU REENCONTRAR OS PAIS...E NÃO PODE FICAR COM ELES...NO MAIS, GRANDE MATÉRIA!!!

Anônimo disse...

O melhor final de uma série de Ultra é ULTRAMAN DYNA. Quem não chora com aquele final triste? Episódio triplo que leva à enésima potência o carisma de todas as personagens da série - especialmente Asuka, Ryo e May. Creio que merecia uma citação honrosa, que fosse.

Ale Nagado disse...

Feito o registro! Nessa matéria, eu me concentrei no material que passou oficialmente no Brasil. Fosse mais abrangente a lista, o final de Dyna poderia ter sido mencionado.

Valeu!
Abraço!