quinta-feira, 19 de junho de 2008

FALANDO DE CULTURA POP JAPONESA: TOKUSATSU

Dentro do conjunto de mídias que forma a chamada cultura pop japonesa o meu assunto favorito é o tokusatsu (leia "tokussatsu"). A palavra vem de "tokushuu kouka satsuei" ou "filmagem com efeitos especiais". É a palavra que designa, no Japão, os efeitos especiais (em inglês, "special effects" ou "SFX"), tão necessários em produções de ficção científica e fantasia. Em cultura pop japonesa, fala-se de tokusatsu para se referir a seriados como Jaspion, Ultraman e National Kid ou filmes de longa-metragem com monstros como Godzilla.

Produções tokusatsu são geralmente mais estereotipadas e infantis, mas nem todas. Muitos fãs de mangá e animê até desdenham o tokusatsu, classificando-o como infantil ou curtindo apenas o que marcou sua própria infância. Os apreciadores do gênero continuam assistindo sempre, mas obviamente com outro nível de entendimento e compreensão. Os "defeitos especiais" tão comuns a várias produções (mas não a todas) são vistos como um tipo de charme que, aliado a histórias mirabolantes e cheias de fantasia, drama e humor, agradam e divertem muitas pessoas que, teoricamente, estão fora da faixa etária para a qual a maioria dessas produções são destinadas. Mas também aparecem boas cenas de ação, produções com efeitos especiais de qualidade, trilhas sonoras empolgantes e até - pasmem - alguns bons atores, diretores e roteiristas. Em comum, temas de ficção científica e fantasia e a presença de monstros ou de super-heróis (ou ambos, o que é mais comum).

O gênero entrou na minha vida há muitos anos, desde quando eu era criança. Cresci brincando na rua, jogando taco, empinando pipa, andando de bicicleta, jogando bolinha de gude e sendo fissurado em jogos de tabuleiro, como xadrez e os jogos de estratégia da Grow. Mas eu tive também uma infância televisiva, curtindo muitos programas, entre desenhos e seriados live-action (com atores). Dentre eles, os seriados tokusatsu (na época nem imaginava que essa palavra existia) ocupavam um lugar de destaque. Eu procurava acompanhar Ultraman (as duas séries), Ultra Seven, Esper, Spectreman, Robô Gigante e Vingadores do Espaço. E tinha também os "kaiju eiga" (ou "filmes de monstros"), como King Kong versus Godzilla e os da tartaruga gigante Gamera. Alguns eu corria pra casa pra assistir
e não perder um só dia, como os Ultras. Cresci na década de 1970 vendo esse tipo de seriado.

Depois, no final dos anos 80, uma nova geração começou a chegar, como Jaspion, Changeman e Flashman. No início, estranhei o novo estilo de aventura, mas logo acabei gostando. O ritmo das histórias era mais ágil, os personagens eram mais caricatos e havia uma ingenuidade ainda maior. Tudo era mais colorido e espalhafatoso. Achei tudo muito divertido e acompanhei também Lion Man, Jiban, Cybercop e tantos outros. Logo, eu viria a trabalhar com esses personagens.

Fazendo roteiros de histórias em quadrinhos, vi meus primeiros trabalhos publicados como profissional nas revistas Jaspion e Heróis da TV (Ed. Abril, 1990~91) e também Goggle V, Sharivan e Machine Man (Ed. EBAL, 1991). E escrevi dezenas (ou seriam centenas) de artigos, matérias e notícias sobre esse tipo de produção para inúmeros veículos, como as revistas SET (1993), Herói (1994~2000), Heróis do Futuro (1996), Mangá Mania (1995), Henshin (2001~02) e sites como Omelete (desde 2000), NihonSite (2001), Bigorna (desde 2005) e Nippo-Jovem (2007).

Em 1991, ajudei a organizar o "Jubileu de Prata - Ultraman", um evento na Gibiteca Henfil que foi até noticiado no jornal Folha da Tarde. Depois, em 1993 (acho) escrevi um álbum de figurinhas do Jiraiya (que, creio, só foi distribuído em São Paulo), prestei consultoria remunerada à Glasslite (1996) para ajudar na estratégia de
lançamento das séries Kamen Rider Black RX e Solbrain, escrevi rótulos das capas das fitas de vídeo do KR Black RX (1996~97), redigi histórias curtas para o "Disk Winspector", um serviço de histórias contadas pelo telefone narradas pelos dubladores da série, e muitas outras atividades profissionais.

Em minha passagem pela revista Henshin, em 2001, ajudei a organizar pautas e escrever perguntas para entrevistas feitas no Japão por repórteres da JBC com atores das séries clássicas. Susumu Kurobe (o Hayata/Ultraman), Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultra Seven), Yuriko Hishimi (a Anne da série do Ultra Seven) e Jiro Dan (Hideki Goh/ Ultraman Jack) foram artistas para quem escrevi perguntas. O mesmo aconteceu com as entrevistas com Ikue Ootani (dubladora do Pokémon Pikachu), Seiji Yokoyama (compositor da trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco e Metalder) e Junichi Haruta (o MacGaren da série do Jaspion), pautas sugeridas por mim. Por ser na época membro fixo da equipe de redação da editora, jamais recebi créditos por essas participações nas entrevistas (uma postura corporativa não muito legal), exceção feita à entrevista com Jiro Dan.

Participei de eventos, fiz palestras, prestei consultoria, trabalhei diretamente com tokusatsu em diversas ocasiões. Até tive a honra de conhecer e entrevistar em 2003 o ator Hiroshi Watari (Spielvan e Sharivan) e os cantores de temas de seriados Hironobu Kageyama e Akira Kushida. E no meu livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa
(Ed. Via Lettera, 2007), não por acaso o tema principal é tokusatsu, ocupando 95 páginas de um total de 224. Também tenho alguns vídeos, DVDs, trilhas sonoras e até alguns bonecos de personagens, mas é longe de ser uma coleção propriamente dita.

Mas como tenho muitos outros interesses (dentro e fora da cultura japonesa), não me posiciono como fã ou colecionador específico, mas como um apreciador. E acredito ter sido um dos pioneiros no tratamento sério dado a esse assunto na imprensa. Nos últimos anos, meu interesse em tokusatsu decaiu, mas ainda procuro me manter atualizado sobre Godzilla e Ultraman, temas recorrentes no site Omelete, o maior portal de cultura jovem do Brasil. Por envolver filmagens em cenários variados e mostrar partes do Japão e seu povo, esses filmes, à sua maneira, me ajudaram a conhecer um pouco aquele país distante.

Seriados favoritos: O Regresso de Ultraman, Ultra Seven, Ultraman, Metalder, Black Kamen Rider, Jaspion, Maskman, Robô Gigante, Jiraiya, Jetman, Changeman...
Filmes favoritos: Kamen Rider ZO, Hakaider, Godzilla vs Biollante, Godzilla Final Wars, Ultraman Tiga - A Odisséia Final, Ultraman Mebius & Ultraman Brothers...

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu tive duas revistas em quadrinho do Goggle V, onde uma delas era o primeiro episódio dos Flashmans, o qual era protagonizado pelo Goggle V. Colecionei e tenho inúmeras revistas envolvendo personagens tokusatsu. Mas o que me espanta era a falta de cuidado dos desenhistas, que deformavam os personagens, pois é só analisar o físico do Japion em um gibi da abril. E sem contar a Ebal, que lançou alguns números de revista, com episódios que foram exibidos na TV, porém desenhados com péssima qualidade, e resumido bruscamente. Mas naquele tempo era extremamente fácil ganhar dinheiro as custas do Jaspion e sua turma, pois é só usar o exemplo da extinta Glasslite. Quem não lembra do Super Turbo do Jaspion??!? Titã?? Lancer?? Slice Car do Spielvan, Blindado do Jiraiya, Flash Moto e sem contar o Jiban que quebrou meu pai ( Rs ). O Cara tinha mais de 4 veículos na coleção! É Mole? Para a empresa era mais simples pegar mercadorias paradas, colar um adesivo do JASPION, ou de qualquer herói japonês e lança-lo no mercado...kkkakakkakakak e o pior é que eles conseguiam, eu e zilhões de brazucas sedentos por Tokusatsu, encenavam choros e birras em todas as lojas do Brasil....tinha até na DISAPEL!