RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

REVISTA MAG! FALA DE CULTURA JAPONESA

Já está nas bancas a nova edição da revista mag!, um especial sobre Tokyo e a cultura japonesa em homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa. Tem artigos do ator Carlos Takeshi, do fotógrafo Bob Wolfeson, da jornalista Paula Dip e de um monte de gente bacana. Em meio a tantos feras, fui convidado para escrever um texto sobre J-pop, a música pop japonesa. A mag! é a publicação oficial do evento São Paulo Fashion Week, que terminou recentemente.

Pra quem tem a revista, gostaria de fazer dois reparos: Entre revisões e edições, um trecho do texto menciona a cantora Hikaru Utada, dando a entender que ela começou carreira nos anos 80. Na verdade, ela estreou no final dos anos 90. E "corrigiram" a palavra "animê" que aparece no meu texto, deixando ela grafada como "anime". Apesar de alguns especialistas no Brasil escreverem assim, eu nunca uso a palavra sem o acento circunflexo, para deixar a pronúncia mais próxima do original. Mas tudo bem, são coisas que acontecem e nada disso prejudicou o entendimento do texto, um dos mais elaborados que já escrevi. A matéria, originalmente, ia incluir uma pequena entrevista com a cantora japonesa Mari Iijima (famosa com os temas do animê Macross), com quem troquei alguns e-mails. Depois eu conto detalhes de como foi a conversa. Por enquanto, fica aqui o agradecimento ao pessoal da mag! pelo excelente tratamento e pelo impecável profissionalismo.

A mag! número 09 tem 332 páginas e custa R$ 18,90. O lançamento é da Lumi 05 Marketing e Propaganda.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

FALANDO DE CULTURA POP JAPONESA: TOKUSATSU

Dentro do conjunto de mídias que forma a chamada cultura pop japonesa o meu assunto favorito é o tokusatsu (leia "tokussatsu"). A palavra vem de "tokushuu kouka satsuei" ou "filmagem com efeitos especiais". É a palavra que designa, no Japão, os efeitos especiais (em inglês, "special effects" ou "SFX"), tão necessários em produções de ficção científica e fantasia. Em cultura pop japonesa, fala-se de tokusatsu para se referir a seriados como Jaspion, Ultraman e National Kid ou filmes de longa-metragem com monstros como Godzilla.

Produções tokusatsu são geralmente mais estereotipadas e infantis, mas nem todas. Muitos fãs de mangá e animê até desdenham o tokusatsu, classificando-o como infantil ou curtindo apenas o que marcou sua própria infância. Os apreciadores do gênero continuam assistindo sempre, mas obviamente com outro nível de entendimento e compreensão. Os "defeitos especiais" tão comuns a várias produções (mas não a todas) são vistos como um tipo de charme que, aliado a histórias mirabolantes e cheias de fantasia, drama e humor, agradam e divertem muitas pessoas que, teoricamente, estão fora da faixa etária para a qual a maioria dessas produções são destinadas. Mas também aparecem boas cenas de ação, produções com efeitos especiais de qualidade, trilhas sonoras empolgantes e até - pasmem - alguns bons atores, diretores e roteiristas. Em comum, temas de ficção científica e fantasia e a presença de monstros ou de super-heróis (ou ambos, o que é mais comum).

O gênero entrou na minha vida há muitos anos, desde quando eu era criança. Cresci brincando na rua, jogando taco, empinando pipa, andando de bicicleta, jogando bolinha de gude e sendo fissurado em jogos de tabuleiro, como xadrez e os jogos de estratégia da Grow. Mas eu tive também uma infância televisiva, curtindo muitos programas, entre desenhos e seriados live-action (com atores). Dentre eles, os seriados tokusatsu (na época nem imaginava que essa palavra existia) ocupavam um lugar de destaque. Eu procurava acompanhar Ultraman (as duas séries), Ultra Seven, Esper, Spectreman, Robô Gigante e Vingadores do Espaço. E tinha também os "kaiju eiga" (ou "filmes de monstros"), como King Kong versus Godzilla e os da tartaruga gigante Gamera. Alguns eu corria pra casa pra assistir
e não perder um só dia, como os Ultras. Cresci na década de 1970 vendo esse tipo de seriado.

Depois, no final dos anos 80, uma nova geração começou a chegar, como Jaspion, Changeman e Flashman. No início, estranhei o novo estilo de aventura, mas logo acabei gostando. O ritmo das histórias era mais ágil, os personagens eram mais caricatos e havia uma ingenuidade ainda maior. Tudo era mais colorido e espalhafatoso. Achei tudo muito divertido e acompanhei também Lion Man, Jiban, Cybercop e tantos outros. Logo, eu viria a trabalhar com esses personagens.

Fazendo roteiros de histórias em quadrinhos, vi meus primeiros trabalhos publicados como profissional nas revistas Jaspion e Heróis da TV (Ed. Abril, 1990~91) e também Goggle V, Sharivan e Machine Man (Ed. EBAL, 1991). E escrevi dezenas (ou seriam centenas) de artigos, matérias e notícias sobre esse tipo de produção para inúmeros veículos, como as revistas SET (1993), Herói (1994~2000), Heróis do Futuro (1996), Mangá Mania (1995), Henshin (2001~02) e sites como Omelete (desde 2000), NihonSite (2001), Bigorna (desde 2005) e Nippo-Jovem (2007).

Em 1991, ajudei a organizar o "Jubileu de Prata - Ultraman", um evento na Gibiteca Henfil que foi até noticiado no jornal Folha da Tarde. Depois, em 1993 (acho) escrevi um álbum de figurinhas do Jiraiya (que, creio, só foi distribuído em São Paulo), prestei consultoria remunerada à Glasslite (1996) para ajudar na estratégia de
lançamento das séries Kamen Rider Black RX e Solbrain, escrevi rótulos das capas das fitas de vídeo do KR Black RX (1996~97), redigi histórias curtas para o "Disk Winspector", um serviço de histórias contadas pelo telefone narradas pelos dubladores da série, e muitas outras atividades profissionais.

Em minha passagem pela revista Henshin, em 2001, ajudei a organizar pautas e escrever perguntas para entrevistas feitas no Japão por repórteres da JBC com atores das séries clássicas. Susumu Kurobe (o Hayata/Ultraman), Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultra Seven), Yuriko Hishimi (a Anne da série do Ultra Seven) e Jiro Dan (Hideki Goh/ Ultraman Jack) foram artistas para quem escrevi perguntas. O mesmo aconteceu com as entrevistas com Ikue Ootani (dubladora do Pokémon Pikachu), Seiji Yokoyama (compositor da trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco e Metalder) e Junichi Haruta (o MacGaren da série do Jaspion), pautas sugeridas por mim. Por ser na época membro fixo da equipe de redação da editora, jamais recebi créditos por essas participações nas entrevistas (uma postura corporativa não muito legal), exceção feita à entrevista com Jiro Dan.

Participei de eventos, fiz palestras, prestei consultoria, trabalhei diretamente com tokusatsu em diversas ocasiões. Até tive a honra de conhecer e entrevistar em 2003 o ator Hiroshi Watari (Spielvan e Sharivan) e os cantores de temas de seriados Hironobu Kageyama e Akira Kushida. E no meu livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa
(Ed. Via Lettera, 2007), não por acaso o tema principal é tokusatsu, ocupando 95 páginas de um total de 224. Também tenho alguns vídeos, DVDs, trilhas sonoras e até alguns bonecos de personagens, mas é longe de ser uma coleção propriamente dita.

Mas como tenho muitos outros interesses (dentro e fora da cultura japonesa), não me posiciono como fã ou colecionador específico, mas como um apreciador. E acredito ter sido um dos pioneiros no tratamento sério dado a esse assunto na imprensa. Nos últimos anos, meu interesse em tokusatsu decaiu, mas ainda procuro me manter atualizado sobre Godzilla e Ultraman, temas recorrentes no site Omelete, o maior portal de cultura jovem do Brasil. Por envolver filmagens em cenários variados e mostrar partes do Japão e seu povo, esses filmes, à sua maneira, me ajudaram a conhecer um pouco aquele país distante.

Seriados favoritos: O Regresso de Ultraman, Ultra Seven, Ultraman, Metalder, Black Kamen Rider, Jaspion, Maskman, Robô Gigante, Jiraiya, Jetman, Changeman...
Filmes favoritos: Kamen Rider ZO, Hakaider, Godzilla vs Biollante, Godzilla Final Wars, Ultraman Tiga - A Odisséia Final, Ultraman Mebius & Ultraman Brothers...

terça-feira, 17 de junho de 2008

TV CURIOSO - ESPECIAL JAPÃO

Está no ar o programa TV Curioso Especial Japão, que foi exibido originalmente ontem no iG para homenagear o Centenário da Imigração Japonesa. Eu fiz uma pequena participação, falando sobre as origens do mangá. Foi no começo do programa, logo depois de um "momento nostalgia", com a abertura do antigo seriado Spectreman. O maior mérito desse especial foi entrevistar Rosa Miyake, que com seu talento e simpatia comandou o programa Imagens do Japão, referência da cultura japonesa durante muitos anos na TV brasileira.
Registro aqui meu agradecimento ao escritor e apresentador Marcelo Duarte, à repórter Maísa Zakzuk e ao pessoal da livraria HQ Mix, onde minhas participações foram gravadas. Outros depoimentos rápidos serão incluídos nos próximos programas.

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(Em breve, o programa também estará disponível no YouTube.)

FALANDO DE CULTURA POP JAPONESA: J-POP

A chamada cultura pop japonesa é um termo usado para definir um conjunto de mídias voltadas ao entretenimento. Engloba assuntos como o mangá (histórias em quadrinhos), o animê (desenhos animados), o J-Pop (pop-rock), os games, cosplay (fantasias de personagens, com intepretação teatral) e muitos outros assuntos que se interligam. E um dos temas que mais gosto nesse universo é o J-Pop.

A música japonesa entrou na minha vida através das canções de seriados e animações japonesas que assistia desde criança. Adorava os temas de Ultra Seven, Candy Candy, Menino Biônico e Patrulha Estelar, mesmo sem entender uma só palavra na época. Também me lembro que minha mãe tinha um compacto importado do Japão com a música "Toki ni wa haha no nai kono youni", lançado pela cantora Carmen Maki (uma das precursoras da música pop e do rock japonês), lá pelo final dos anos 60. Isso acabou criando certa afinidade com o idioma e com uma sonoridade diferente do que tocava nas rádios.

Em 1990, ganhei um CD importado da banda The Checkers, que eu havia descoberto assistindo clipes que passavam nos saudosos programas Japan Pop Show (apresentado por Nelson Matsuda) e Imagens do Japão (com Rosa Miyake). Foi a minha entrada para o J-Pop, o pop-rock nipônico. Em termos de música japonesa, ainda aprecio música instrumental e algumas coisas de new enka e folk, mas alguns dos meus artistas favoritos de todos os tempos e estilos são de J-Pop. Ainda no Japan Pop Show, descobri a dupla Chage & Aska, meus artistas japoneses favoritos até hoje. Depois, fui descobrir o trabalho solo de Aska e o de Chage com a banda Multi Max (que se tornou outra das minha favoritas). Com o tempo, fui descobrindo muitos outros artistas. Minha preferência é pelo material feito nos anos 80 e 90, como o da banda Anzen Chitai. Tem muita bobagem no J-Pop, muita boys e girls bands, grupinhos e ídolos pré-fabricados, música feita em escala industrial (algumas grudentas e irresistíveis) e muitas armações. Também não curto o J-Rock (uma variante mais pesada do J-Pop), com muitos posers, artistas com cara de mau e pose ensaiada de rebelde. Mas tem também artistas pop de grande consistência, grandes músicos e canções que poderiam fazer sucesso no mundo inteiro, não fosse a barreira do idioma. Com toda sua diversidade, não se pode dizer que J-Pop seja um estilo ou gênero, mas sim uma definição para o segmento de música popular jovem no Japão.

No campo da música jovem japonesa, ainda sou grande curtidor de anime songs, os temas de animês e seriados japoneses, que foram na verdade minha porta de entrada para a música japonesa. Sobre J-pop e anime songs, assinei uma matéria que será publicada na edição deste mês da revista MAG!, editada pelo evento São Paulo Fashion Week.

Artistas favoritos: Chage & Aska, The Checkers, Anzen Chitai, Yuki Katsuragi, My Little Lover, Fumiya Fujii, Multi Max, Hikaru Utada, Namie Amuro, Puffy AmiYumi...

sábado, 14 de junho de 2008

MANGÁ NO PROGRAMA TV CURIOSO

Nesta segunda, no programa TV Curioso do site MegaPlayer (iG), vai ao ar a primeira de uma série de participações em que aparecerei falando sobre mangá e animê. A convite do Marcelo Duarte (do Guia dos Curiosos), gravei pequenos quadros respondendo a algumas perguntas simples. As gravações aconteceram na livraria HQ Mix, cujo espaço foi gentilmente cedido pelos seus proprietários, o Gualberto e a Dani. A convite do Marcelo Duarte, já participei como entrevistado do TV Curioso no ano passado e já conversei com ele em três edições do programa de rádio Você é Curioso?, que vai ao ar pela Rádio Bandeirantes.

O TV Curioso vai ao ar toda segunda, às 17h00, no iG. Depois, os programas são disponibilizados no YouTube.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CANAL FUTURA HOMENAGEIA A CULTURA JAPONESA

No último dia 29 de maio, participei de uma gravação para o Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho. Por ocasião do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, o Futura irá exibir uma série de 10 vinhetas em sua programação, cada uma enfocando uma arte japonesa que irá ilustrar um poema haicai. O nome da série de interprogramas (que é como as vinhetas são chamadas), inclusive, é "Haicais do Brasil". Minha peça é a intitulada "Mangá e Animê".

Fui filmado desenhando gatinhos em estilo mangá (conforme orientação do diretor Marcio Motokane - de camiseta vermelha na foto), que depois seriam animados digitalmente. Entre o planejamento das cenas (que foi feito na hora), preparação, filmagem e tomadas de cena comigo desenhando, foram quase duas horas para uma edição final de 30 segundos. O trabalho aconteceu em um salão dentro do Pavilhão Japonês no Parque do Ibirapuera. Me chamou a atenção a estrutura extremamente cuidadosa da produção, que tem o padrão Globo. Estou bastante curioso pra ver o resultado, mas sei que ficará interessante. Meus agradecimentos a toda a equipe do Futura que cuidou da produção e também ao Noryuki Sato, pela indicação.

As vinhetas serão exibidas nos intervalos do Canal Futura entre 16 e 20 de junho de 2008.

Confira a divulgação oficial do Futura clicando aqui.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O TERREMOTO DA CHINA, EM QUADRINHOS

Seguindo uma dica do Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos (que por sua vez pegou a dica no blog Gibizada), gostaria de recomendar uma série de 10 historinhas de uma página cada feitas pelo chinês Coco Wang. O tema é sobre o terremoto que assolou seu país recentemente. Estão em inglês, mas um conhecimento básico do idioma já é suficiente.

O traço simples, a narrativa direta, o uso do vermelho-sangue junto com o preto-e-branco do traço e as situações tocantes - além de um toque de humor tragicômico - são capazes de atingir o leitor como um soco no estômago. Uma tragédia inconcebível, com pequenos milagres e muito sofrimento. E um exemplo de como os quadrinhos podem ser grandes.

- Leia os quadrinhos aqui.

ULTRAMAN NOS CINEMAS JAPONESES

Está no ar no Omelete uma nota que escrevi sobre o novo filme para cinema do Ultraman, que estréia em setembro no Japão. Os Ultras estão entre os personagens que marcaram mais intensamente minha infância e gosto deles até hoje.

Profissionalmente, escrevi sobre eles dezenas de vezes, para as revistas Herói (ACME/ Conrad), Heróis do Futuro (Press Editorial), Henshin (JBC) e para os sites Omelete, Bigorna, NihonSite e Nippo-Jovem, entre outros. Foi, inclusive, o tema do meu primeiro texto profissional, uma nota sobre a série nipo-australiana Ultraman Great, para uma edição de 1993 da revista SET - Terror & Ficção (Ed. Azul). Também prestei uma consultoria meio informal em 1993 para o extinto programa Top TV (TV Record), num especial que fizeram sobre os Ultras, além de participações em eventos temáticos.
E no Almanaque da Cultura Pop Japonesa, os Ultras ocupam nada menos que 28 páginas, de um total de 224!

- Confira a nota do Omelete clicando aqui.

domingo, 8 de junho de 2008

As crianças e o aprendizado do desenho

Com alguma frequência, as pessoas me perguntam qual a melhor idade pra se estudar desenho. Bom, como eu sempre entendo que estudar desenho implica em aprender perspectiva, anatomia, utilização de materiais e uma série de coisas que requerem uma certa percepção, eu sempre recomendo que se encaminhe o jovem interessado após os 12 anos. 

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Intercâmbio no Japão - O relato completo

Em março de 2008, conheci o Japão através do MOFA - Ministry of Foreign Affairs (Ministério de Assuntos Estrangeiros) daquele país, como um dos selecionados no programa Jovens Líderes e fiz um relato neste blog sobre cada dia dessa grande aventura que vivi. 

Agora, organizei os capítulos em ordem cronológica e com palavras-chave associadas para facilitar a consulta:


INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PRÓLOGO 


PARTE 1 ~ Reunião dos participantes, chegada em Tokyo, Akihabara, Ryokan Hotel


PARTE 2 ~ Recepção no Ministério, Production I.G. (estúdio de animê), escola de culinária


PARTE 3 ~ Panasonic Center, palestra com Yasuki Hamano (cultura pop japonesa), papo com DJ Taro


PARTE 4 ~ Oizumi, show de taikô, Hotel-Cápsula, terremoto


PARTE 5 ~ Mercado de peixes, trem-bala, Hiroshima, Museu Memorial da Paz, palestra com Emiko Okada (sobrevivente da bomba)


PARTE 6 ~ Kyoto, templos, pavilhão de ouro Kinkaku-Ji, cultura tradicional


PARTE 7 - final ~ Museu Internacional do Mangá, palestra com Shuhei Hosokawa (Osamu Tezuka e o mangá no pós-guerra), retorno ao Brasil

FLASHMAN EM QUADRINHOS

O site Tokufriends.com resgatou minha primeira HQ publicada profissionalmente. Era um roteiro para uma história sobre o seriado japonês Flashman, exibido na extinta TV Manchete. A historinha foi desenhada por Roberto Martins e veio complementando a revista Jaspion n. 1, da Editora Abril, em novembro de 1990. O gibi teve a formidável venda de 100 mil exemplares. Se na época já era uma venda excelente, nem se compara com hoje em dia, quando vender 5 mil exemplares faz um mega-sucesso.

Eu tinha 19 anos na época em que escrevi o roteiro (feito na forma de esboços já diagramados) e era um grande entusiasta desse tipo de seriado japonês. Depois de ser aprovado num teste do Studio Velpa, fiz diversos roteiros para HQs com super-heróis japoneses da TV que faziam sucesso na época. Flashman não era, sinceramente, um dos meus favoritos, mas tinha acompanhado toda a série e conhecia bem os personagens. As histórias feitas na época dariam continuidade ao enredo das séries, com aventuras passadas após o último capítulo de cada saga (lembrando que seriados japoneses são em geral como novelas, com um final definitivo). O visual e forma narrativa seguiam mais o estilo dos gibis de super-heróis estadunidenses, e só depois eu tentaria inserir elementos de mangá nas aventuras. Tudo era muito ingênuo, feito para o público infanto-juvenil e, da minha parte, a ingenuidade também era óbvia. Foi um grande aprendizado, um grande laboratório e tive muita sorte em ser pago para fazer. Numa época como a atual, em que a maioria dos artistas de HQ faz suas histórias apenas pelo prazer de ver publicada e por amor à arte, é até triste lembrar de uma fase em que o mercado de quadrinhos no Brasil possuía uma produção comercial regular e até numerosa.

Pra mim, é divertido e bastante nostálgico rever esse material depois de tanto tempo. Eu nem lembrava direito dessa história específica, mas foi uma delícia relembrar aqueles tempos. Tudo graças ao pessoal do Tokufriends, que escaneou o velho gibi, refez o letreiramento e limpou as imagens.

Faça o download da história completa clicando aqui.
- Relembre Flashman aqui

terça-feira, 3 de junho de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 7 (final)

10 de março de 2008

O MUSEU DO MANGÁDe manhã, fomos conhecer o Kyoto International Manga Museum, um verdadeiro templo da arte dos quadrinhos japoneses. Em nossa visita guiada, uma funcionária nos explicou sobre o acervo, que tem algumas peças bastante interessantes.

A obra mais antiga é um rolo de papel de 10 metros com ilustrações cômicas de animais humanizados. Chamada de chôjuu-giga, foi desenhado por um monge budista de nome Toba no século XII e o trabalho é considerado um ancestral dos mangás. 





Painel mostra a atividade dos
antigos contadores de histórias de
kami-shibai.
Vimos também algo sobre o qual eu só havia lido. Na época do pós-guerra, uma diversão popular entre as crianças era o kami-shibai, que consistia em contar uma história mostrando desenhos. O contador de histórias ia de vila em vila com seu mostruário de desenhos e ia contando as historinhas conforme trocava as ilustrações. Eles vendiam doces e é daí que vinha seu sustento. Com o tempo, a atividade foi desaparecendo, mas há um movimento hoje em dia para revitalizar e modernizar esses contadores de histórias, que reúnem desenho e arte teatral.

D
o século XIX, tablóides e revistas inspiradas nos cartuns da imprensa ocidental, sem nada que lembre os modernos mangás, ou mangás pós-Tezuka. Trabalhos consagrados, desconhecidos, raridades e curiosidades preenchem dezenas e dezenas de prateleiras. Há mangás de todas as épocas, tendências, estilos e gêneros, formando um acervo de dezenas de milhares de obras. Um lugar incrível para se passar uma semana explorando.
Site oficial do Museu:
www.kyotomm.com/english

A fantástica biblioteca do Centro
de Estudos Japoneses

PALESTRA SOBRE OSAMU TEZUKA


No Centro de Estudos Japoneses, tivemos uma palestra sobre mangá com o professor Shuhei Hosokawa, vice-presidente do Centro Internacional de Estudos sobre a Cultura Japonesa. Homem globalizado, apresentou um contraponto ao nacionalista e tradicionalista professor Yasuki Hamano, que conhecemos em Tokyo. Apaixonado pela cultura brasileira, falou conosco em um português bastante razoável, apresentado sua palestra "O mangá de Osamu Tezuka e a cultura japonesa no pós-guerra". 


Ressaltando a importância do mangá como entretenimento acessível no difícil período pós-guerra, ele explicou, do ponto de vista de alguém que conheceu Tezuka de perto, como o trabalho desse gênio causou um profundo impacto na cultura japonesa. Explicou de modo bem didático a evolução do trabalho de Osamu Tezuka, aclamado ainda em vida como o "Deus do Mangá". Foi ele quem codificou os principais elementos estéticos e narrativos do moderno mangá, sendo a inspiração de quase todos os que vieram depois dele. Ele também foi o autor de inúmeras criações exibidas no Brasil, como Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro, Vingador do Espaço, O Menino Biônico, Kimba, Don Drácula, Metrópolis e dos aclamados mangás Adolf, Buda, Phoenix e tantos outros.

À noite, fomos em um restaurante para nosso jantar de despedida. Fizemos nossa bagunça, comemos e bebemos. A aventura estava chegando ao fim. Na última noite, parte do grupo ainda foi a um karaokê. Eu, que estava doido pra ir, peguei no sono no quarto do hotel e, quando me chamaram, só lembro de ter balbuciado algo como "Acho que não vou, estou com ssszzzz..."

11 de março de 2008
A DESPEDIDA

Logo cedo, às 06h30, partimos para o Aeroporto de Kansai, construído em uma área aterrada. Ou seja, é uma plataforma construída como prolongamento do território japonês, uma estrutura fantástica que comporta um aeroporto moderno e movimentado. Lá, aguardamos nosso vôo (que ia partir às 10h40), já sentindo bater o cansaço. A longa viagem incluía outra escala na Alemanha, desta vez no aeropoto de Frankfurt, nem tão grande, moderno ou bem cuidado quanto o de Munique. Como na ida, ficamos espalhados pelo avião, mas desta vez, sempre tinha alguém mudando de lugar e andando pelo avião para bater papo. Acho que os comissários de vôo até se estressaram com a gente, pois a "turma de brasileiros" estava toda hora saindo do lugar e se comunicando. :-)

12 de março de 2008
DE VOLTA AO BRASIL
Chegamos no Aeroporto Internacional de Guarulhos às 06h30 da manhã. A maioria seguiu para pegar vôos para seus respectivos estados, já que apenas cinco de nós eram de São Paulo. Exaustos e com a sensação de dever cumprido, nos despedimos e voltamos para nossas vidas cotidianas, mas a experiência provocou mudanças em todos nós, bem como o desejo comum de utilizar um pouco do que aprendemos lá. Passadas algumas semanas, ainda fomos convidados para jantar com os cônsuls Masuo Nishibayashi e Michiko Takeda, para que pudéssemos contar pessoalmente nossas impressões sobre a viagem e nossa estadia no Japão.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em apenas uma semana, teoricamente não se pode conhecer muito um país. Mas também foi uma semana muito intensa, com uma programação que raramente alguém consegue cumprir em tão pouco tempo. Vimos e aprendemos muita coisa e também fomos muito bem tratados. Vimos muita organização e um senso de civilidade e limpeza que deveriam servir de inspiração para o povo brasileiro. E também fiz muitos novos amigos, daqui e do Japão.

O grupo dos Jovens Líderes continua trocando idéias, montamos uma lista de discussão e procuramos manter contato na medida do possível. Em um grupo tão heterogêneo, é difícil ficar igualmente amigo de todo mundo em tão pouco tempo, mas o entrosamento foi ótimo. Tínhamos o Japão como interesse em comum e vivemos muitas experiências inesquecíveis em conjunto. Tenho histórias para contar pelo resto da vida.
Fica aqui meu fraterno agradecimento a todos os que tornaram essa viagem possível e inesquecível, daqui do Brasil e lá do Japão. Dômo arigatou gozaimasu!!! (Muito obrigado!!!)