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quinta-feira, 22 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 5 (Tsukiji, Shinkansen e Hiroshima)


O quinto dia de minha viagem ao Japão foi o mais intenso. Depois de passeios com um toque de aventura, chegamos a Hiroshima, um encontro que nos marcou pra sempre.

8 de março de 2008

MADRUGANDO PARA VER... PEIXES
Tendo ido dormir tarde no Hotel Cápsula, acordamos às 3h00 da manhã para ir conhecer o Mercado de Tsukiji, um local que começa a funcionar realmente muito cedo, recebendo comerciantes e pescadores profissionais que abastecem restaurantes e hotéis. O lugar é enorme, cheio de coisas e muito movimentado. Parecíamos estar em um cenário de filme. Trabalhadores corriam de um lado para o outro, num ritmo frenético. Alguns usavam pequenos veículos com a frente redonda, parecendo que haviam saído de um filme de ficção científica. No galpão principal, centenas de atuns gigantes eram posicionados para o leilão que acontece diariamente.

Dia 8 também foi o dia do meu aniversário e a Roberta puxou os parabéns do povo. Eu estava longe da família, mas a situação da viagem era tão empolgante, que nem deu pra ficar triste. Completei 37 anos, sendo o terceiro mais velho do grupo. O Alex tinha completado 37 no dia 3, em pleno vôo. E o Marcelo, com 38, era o mais velho dos Jovens Líderes.


SHINKANSEN - RÁPIDO COMO UM FÓRMULA 1
Ainda de manhã, corremos para a estação de trem, onde íamos pegar o shinkansen, o famoso trem-bala japonês. 


Correndo a uma velocidade média de 300km/h, o trem é silencioso, confortável e é até melhor do que andar de avião, pois não tem turbulência. Andar de shinkansen é caro e muitos japoneses nunca andaram nele. E além de viajarmos de graça, ainda tivemos o privilégio de, no caminho, vislumbrarmos o famoso Monte Fuji

O impressionante cartão postal do Japão parece uma figura quase etérea e ao mesmo tempo imponente e colossal. O céu estava limpo, o que permitiu uma visão perfeita do antigo vulcão.




HIROSHIMA: O MUSEU DA PAZ E OS HORRORES DA GUERRA


Chegando em Hiroshima, fomos aos poucos entrando no clima da visita que viria a seguir. A nossa guia Silvia começou a explicar um pouco sobre a cidade, que fica entre montanhas e é recortada por rios e lagos. 

Um lugar muito bonito que, na época da Segunda Guerra abrigava uma escola preparatória de oficiais militares. Por não ter sido ainda bombardeada nenhuma vez e por suas condições geográficas, foi escolhida a dedo para ser o alvo do primeiro ataque nuclear da história. A derrota do Japão era questão de tempo, mas era preciso mostrar ao mundo um poder sem precedentes que colocaria os EUA à frente do mundo no período pós-guerra. E Hiroshima pagou um preço caro por isso.

O dia estava limpo e ensolarado, contrastando com o clima lúgubre que comecei a sentir. Pra mim, parecia que estávamos pisando em solo sagrado.

Andamos ao redor do único prédio que restou do bombardeio atômico. Outrora uma repartição pública localizada a cerca de 600 metros do ponto onde a bomba foi detonada, apenas parte de sua estrutura (incluindo sua famosa cúpula) resistiu, servindo como um registro da violência daquela explosão. Depois ficamos sabendo que todas as vidraças dos prédios atingidos se fragmentaram em milhões de pedaços, que retalharam a população. 








Muitas pessoas, além de horrivelmente queimadas e desfiguradas pelo calor nuclear, vagavam em desespero com inúmero pedaços e cacos de vidros encravados em todo o corpo. Fotos mostravam corpos desfigurados, outros carbonizados. Um chocante diorama mostrava bonecos em escala real para mostrar como as pessoas atingidas pela radiação vagavam em desespero pelas ruas.

E chegamos ao Museu Memorial da Paz. Lá, é necessário entrar com o espírito forte e preparado, pois as imagens e informações que se consegue lá são impactantes, devastadoras. É impossível ficar indiferente ao que se vê lá e há informações em vários idiomas, incluindo o português.

Maquetes mostram como era a cidade antes e depois da bomba. Há objetos, roupas, partes de construções afetadas pela explosão e até fragmentos de corpos conservados. As fotos de sobreviventes e mortos são arrepiantes. Notei que muitas famílias levam crianças para o local. Lá, aprende-se o valor da vida e da paz. Um dos mais tocantes relatos é o da pequena Sadako Sasaki, uma menina linda que foi contaminada pela radiação. Lutou durante anos contra uma doença degenerativa, sem sucesso. Uma antiga crença no Japão dizia que quem fizesse 1.000 tsurus (origami de pombo), se curaria de qualquer doença. Sadako, sua família e colegas de escola fizeram os mil pássaros. E aos 12 anos, Sadako morreu e foi sepultada com os tsurus. A foto dela no caixão mostrava uma expressão de profundo sofrimento, de uma vida com tanto a fazer e que foi interrompida pela guerra, como tantas outras. Em sua homenagem, um monumento foi erguido, no qual uma escultura de Sadako aparece erguendo um tsuru gigante.


UMA MULHER DE CORAGEM

Depois de percorrer todo o museu, fomos levados a uma sala de conferências onde ouvimos uma palestra da senhora Emiko Okada, sobrevivente da bomba. Ela, que era criança quando a bomba caiu, conta que perdeu uma irmã mais velha e que sua mãe perdeu o bebê que esperava por causa da radiação. Alguns relatos foram acompanhados de desenhos feitos por sobreviventes. As descrições dos cadáveres eram impressionantes e chocavam mais ainda quando falava-se das crianças mortas. 


Aparentemente forte, a senhora Okada desenvolveu uma doença no sangue, que no entanto não a impede de viajar a outros países para dar seu testemunho sobre a desgraça que é a guerra e o uso da energia nuclear para fins bélicos. Várias vezes, a intérprete Silvia teve que interromper a tradução da palestra, pois alguns relatos a fizeram chorar muito. A maioria do grupo chorou em diversos momentos e, com a voz embargada, Aline Kashinoki falou em nome do grupo, agradecendo o encontro e a maravilhosa lição de vida que ouvimos.

Ao final de seu depoimento, a sra. Emiko distribuiu para cada um de nós um pequeno tsuru, que é um símbolo da paz. Nós a abraçamos muito e ela, que não está acostumada com esse tipo de manifestação, sorriu bastante e disse que parecíamos netos dela. Foi um momento muito tocante que jamais sairá de nossa memória.





Exaustos, física e emocionalmente, seguimos para o Rihga Royal Hotel, um luxuoso hotel de padrão internacional onde pudemos descansar. No dia seguinte, iríamos conhecer a antiga capital do Japão, uma bela cidade histórica repleta de museus, templos e castelos. 


Próxima parada: Kyoto.

2 comentários:

Thomas Victor disse...

Muito legal seu post, Alexandre! Eu sabia que existia o Memorial da Paz no Japão, mas seu relato o trouxe para muito mais perto. Fiquei com vontade de conhecer, ainda que seja um lugar triste, tem coisas que é necessário trazermos para perto, para nos lembrarmos sempre, como as pessoas que você relatou, que levavam crianças ao museu.

Agradeço muito o relato!

Abraços,

Thomas Conti

Ale Nagado disse...

Thomas, foi uma experiência muito intensa ter visitado Hiroshima. Me senti na obrigação de contar o que vi, mas nada é capaz de descrever com precisão a experiência, única e enriquecedora.

Abraços!