terça-feira, 20 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 4

7 de março de 2008

DESPEDIDA DO RYOKAN
Depois do café da manhã, arrumamos nossas malas e fomos embora do Ryokan Homeikan Hotel, nossa primeira e mais marcante base no Japão. Alguns funcionários foram nos acompanhar até o ônibus e ficaram acenando até sumirmos de vista. A simpatia e boa-vontade deles realmente nos tocou, até porque a maioria já era de certa idade. E que pique eles tinham! Foi uma acolhida, estadia e despedida bastante calorosas. E assim, pegamos estrada para mais uma maratona de atividades.

VISITA EM OIZUMI




Oizumi é uma pequena cidade localizada na província de Gunma, próxima de Tokyo. Possui muitas fábricas e tem uma grande concentração de estrangeiros (em sua maioria, brasileiros), que compôem 16% de sua população. Quando me informaram que iríamos para Oizumi, achei que ia conseguir encontrar meu amigo Michel Matsuda, do blog Universo Otaku. Mas nós ficamos na cidade exatamente no horário em que ele trabalhava e apenas nos falamos por telefone uma vez.


Fomos recebidos pelo prefeito Hiroshi Hasegawa e assessores e ficamos sabendo várias curiosidades sobre a cidade. Foi uma grande gentileza da parte dele, pois ele estava em plena campanha eleitoral e deixou de lado seus afazeres para nos recepcionar. Depois, fomos para uma escola japonesa. As crianças nos receberam como autoridades e fizeram uma adorável apresentação musical para nós, ensaiadíssimos e disciplinados. Em retribuição, o Carlos Prazeres, que é maestro assistente da Orquestra da Petrobrás, fez uma apresentação com oboé, instrumento com o qual é solista na mesma orquestra. Depois, as crianças nos entregaram delicados origamis. Andamos pelos corredores para ver as salas de aula. Em uma delas, a professora nos chamou para entrar. Aí, por sugestão da Roberta Regalcce, fiz um desenho na lousa para as crianças.


Na biblioteca da escola, ficamos sabendo mais sobre o sistema educacional e sobre os esforços para que os estrangeiros matriculem seus filhos nas escolas, o que infelizmete nem sempre acontece. Depois, almoçamos em um restaurante de comida brasileira (onde saboreamos uma boa feijoada) e seguimos com nossa programação.

Na escola seguinte que visitamos, conhecemos crianças e jovens brasileiros, todos filhos de dekasseguis. Representantes de classe falaram para nós, visivelmente nervosos e emocionados. Depois, o Hiroshi Homma fez um pequeno discurso como representante do grupo e, então, cada um pôde também dirigir algumas palavras aos alunos. Em minha vez, enfatizei muito a importância deles aproveitarem a estadia no Japão, aprenderem o idioma e assimilar o que o país tem de bom a oferecer. Mas fiz a ressalva para que sintam orgulho do Brasil e que cada país tem coisas boas ou ruins. Me alongando um pouco, falei sobre a importância da cultura para se destacar em qualquer área. O Carlos fez outra apresentação e se arriscou a reger as palmas como acompanhamento ao seu oboé. E o Miguel Angelo, que é ator profissional, fez um divertido exercício de interpretação com 3 alunos para divertir a todos os presentes. nos dividimos em vários grupos para conversar com a garotada, o que foi uma experiência muito agradável. Finalizando, entregamos pequenas lembranças aos jovens, posamos para fotos e seguimos para outra atividade agendada, o que nos levaria de volta a Tokyo.

Um fantástico e exclusivo show de taikô
TAIKÔ - EXPERIÊNCIA CULTURAL COM O GRUPO NAGISA TAIKO

Para quem não sabe, taikô é aquele tambor japonês que possui diversas variantes e é tocado em
eventos por grupos numerosos. O som é poderoso, suas vibrações são sentidas na pele e assistir a um show de taikô é uma experiência única. Ver um show exclusivo em um salão fechado então, é privilégio que muito poucas pessoas puderam experimentar. E foi o que aconteceu conosco, ao assistir a uma apresentação do grupo Nagisa Taiko

Alguns membros do grupo não só já haviam tocado taikô, como tínhamos músicos especializados no instrumento, como a Naguissa Kawada, Alice Yumi (que vai tocar no show do centenário em São Paulo) e o Fernando Kanashiro (que também deve se apresentar em São Paulo no futuro). Depois do show, fomos convidados a tocar taikô sob a orientação do pessoal do Nagisa.

Meio desajeitadamente (no meu caso),
fizemos nosso barulho e pudemos experimentar a emoção de tocar taikô. O grupo ainda ofereceu pra gente um belo e generoso jantar, onde brindamos com muita cerveja e nos divertimos no karaokê. Fiz caricaturas dos músicos, as meninas fizeram uma coreografia para acompanhar uma das músicas e outros tiveram uma aula rápida de origami no meio da festa. Já no final, cantamos (meio bêbados) Hey Jude, que acabou virando a música-tema da nossa viagem. No YouTube, até postaram um trechinho da nossa cantoria (veja aqui). Quando íamos sair do salão, os músicos e seus familiares fizeram um túnel com os braços (tipo festa junina), para que passássemos. E correram atrás do ônibus, mesmo com o frio absurdo que fazia, acenando animadamente. 

Todos estávamos muito felizes e empolgados. Aquele pessoal sabe como fazer uma festa e ser hospitaleiro!

HOTEL-CÁPSULA E MEU PRIMEIRO TERREMOTO (OU QUASE)

Fechando a programação, já era noite quando fomos ao Hotel Capsule Inn, no já conhecido bairro de Akihabara. Os hotéis-cápsula são uma opção barata de pernoite, sendo muito usados por trabalhadores que perderam o último trem ou ônibus para voltar para casa. Em cada cubículo individual, tem rádio, TV e uma cama bastante confortável. Foi bem interessante experimentar esse tipo de hospedagem, que acredito só existir no Japão.

Na madrugada, ainda houve um pequeno terremoto, que foi sentido pelos que estavam acordados. No meu caso, estava ferrado no sono e nem percebi nada. O que não foi um mau negócio. De todos os aspectos e experiências que o Japão pode proporcionar, sentir um terremoto (leve ou de qualquer outro tipo) não estava entre as minhas prioridades. Dormi feito pedra, mas por pouco tempo, pois depois teríamos que levantar muito cedo para ir conhecer o gigantesco e movimentado mercado de peixes de Tokyo.


O dia seguinte também nos levaria a conhecer os resultados de um dos maiores horrores da história da humanidade. Próxima parada: Hiroshima!

2 comentários:

Anny disse...

Nossa! eu tava lá nesse dia! rsrsrsrsrsr
eu era uma das "crianças" rsrsrsrsrsrsrsrs....
nouussa foi realmente mto legal!
XD
adorei! rs

Alexandre Nagado disse...

Ah, quando a gente fica velho (quase 40, no meu caso), se tem menos de metade da idade já vira "criaça", ah ah.

Conhecer sua turma foi um experiência emocionante, dentre as muitas que tive no Japão.

Abraços!