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sábado, 17 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 3

Chegando no Panasonic Center,
onde nasce o futuro.
6 de março de 2008
VISITA AO PANASONIC CENTER
Em mais um dia em Tokyo, saímos cedo do Ryokan e partimos rumo ao
Panasonic Center, onde fomos recebidos como autoridades - sem exagero. Do lado de fora e dentro, uma mensagem de saudação ao nosso grupo, respeitosamente chamado de Young Leaders (Jovens Líderes). Lá, uma demonstradora nos apresentou as principais novidades tecnológicas da Panasonic.

Chamou a atenção uma impressionante parede digital onde, a um simples toque, pode-se redimensionar o tamanho da tela de TV, mover objetos e até brincar com uma bola e tocar um teclado virtual. Uma casa de alta segurança, com chão aquecido e diversos equipamentos para facilitar a vida dos idosos mostraram uma filosofia em sintonia com a cultura de um país que costuma respeitar seus idosos. Também fomos apresentados a uma série de produtos que visam promover economia de energia e água. Bem interessante, pena que vai demorar muuuuito pra essa tecnologia toda chegar por aqui a preços acessíveis.




CULTURA POP JAPONESA É UMA ARTE (Com o Prof. Yasuki Hamano)

Depois de almoçar em outro hotel, voltamos à sede do MOFA para uma palestra com o Professor Yasuki Hamano, da Universidade de Tokyo, um ex-assistente do lendário diretor Akira Kurosawa e amigo pessoal do diretor de animês Hayao Miyazaki. Ele contou histórias pitorescas sobre esses grandes diretores. 

Ele descreveu tanto Kurosawa quanto Miyazaki como artistas e cineastas habilidosos com uma visão bastante humanista da vida, em contraste com um modo de ser muitas vezes rude e ranzinza no trato com as pessoas. Ele contou que Miyazaki, certa vez, encontrou um garoto que disse que assistia Totoro (clássico de Miyazaki) todo dia. Miyazaki se irritou e disse: "Idiota, se ficar vendo desenho todo dia, vai ficar burro! Veja só no seu aniversário!". 

Sobre Kurosawa, com quem ele trabalhou de motorista, secretário, contato, relações públicas e muito mais, ele contou outra pérola. Uma vez Hamano perguntou a Kurosawa como ele agiria se tivesse um orçamento de muitos milhões de dólares para um filme. Ao que Kurosawa disse: "Idiota! Se eu tivesse tanto dinheiro, não iria ficar fazendo filmes, ia tentar fazer algo de bom para as pessoas!". Rindo, disse que às vezes pode não ser muito bom conhecer esses gênios de perto.

Homem de hábitos tradicionais e orgulhoso de seu país, o sr. Hamano falou sobre o caráter prático e duradouro da arte japonesa e respondeu a várias perguntas do grupo. Depois de encerrada a palestra, trocamos cartões e tive oportunidade de fazer mais perguntas ainda. Perguntei a ele sobre a ligação entre Akira Kurosawa e o diretor dos primeiros filmes de Godzilla, Ishiro Honda. Em fim de carreira, Honda trabalhou como diretor assistente de Kurosawa em vários filmes, como o aclamado Sonhos. Indaguei se era uma relação de chefe e auxiliar, ou se eram mesmo amigos. Ele respondeu que ambos eram grandes diretores e se respeitavam como tal, além de serem amigos pessoais.

Também perguntei sobre o excepcional clipe
On Your Mark (1995), da dupla Chage and Aska, que foi dirigido e escrito por Hayao Miyazaki. Comentei que os cantores declararam serem fãs de Miyazaki, mas já o diretor falou que não acompanhava música pop ou rock. Perguntei como nasceu o projeto que reuniu esses artistas tão renomados em suas áreas. Hamano explicou que o convite partiu da gravadora de Chage & Aska, e que Miyazaki somente aceitou naquela época para equilibrar as finanças de seu Studio Ghibli. Hoje em dia, depois do Oscar por A Viagem de Chihiro, é praticamente impossível que ele aceite um convite similar. Uma palestra bastante interessante com um homem que tem muita história pra contar.

O NOSSO J-POP (Bate-papo com DJ Taro)

Completando, tivemos outra atividade no mesmo local, onde conhecemos o DJ Taro, um produtor musical e apresentador de TV nascido no Brasil, mas que vive no Japão desde pequeno e fala pouco português. Atencioso, pediu que cada um se apresentasse e falasse sobre um pouco sobre si. Tendo como ponto de partida o J-pop, o bate-papo com ele seguiu para várias direções, como projetos de animê que ele quer desenvolver, bem como o interesse dele em se reaproximar com a cultura brasileira, no caso através de seu trabalho como produtor musical.

Em certo momento, ele comentou sobre as anime songs a meu pedido. Ele comentou que hoje em dia muitos temas de animês têm sido cantados por astros pop e são músicas sem relação com o enredo da série. Ele explicou que isso acontece por força do mercado e ajuda a projetar as produções para um público mais amplo. Mas, do ponto de vista pessoal dele (e também do meu), é muito importante que a música de uma série fale do personagem ou do enredo, pois isso cria uma identificação imediata. Disse que tem saudades das músicas antigas de animês, que existiam em função da série e a ela se referiam.

A colossal
Tokyo Tower

JANTAR ESPECIAL NO RYOKAN
Já de noite, voltamos para nossa última noite no Ryokan (pois no dia seguinte iríamos para outro lugar) e fomos homenageados com um jantar tradicional japonês maravilhoso, onde experimentei até unagui (enguia), um prato que é uma delícia. Devem ter avisado que nós brasileiros comemos bastante, tanto que a simpática equipe de senhoras que nos atendia não parava de trazer mais comida. Ainda bem que eu não me preocupei com dieta. No dia seguinte, iríamos conhecer uma cidade cheia de brasileiros. Próxima parada: Oizumi

TOKYO TOWER
Localizada em Tokyo, a imponente Tokyo Tower é alguns metros maior que a Torre Eiffel, um colosso de metal que é uma das atrações da cidade. Eu a vi apenas enquanto andávamos pela cidade no ônibus fretado. Alguns de nós venceram o cansaço e foram visitar a torre de perto, mas era tarde da noite e ela já estava fechada para visitação.

(continua)

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