sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

FÉRIAS!!!!

Mais um ano está chegando ao fim e é hora de desacelerar e se preparar para as festas.

É também hora de fazer um rápido balanço. Este foi um ano bastante irregular em termos profissionais. Em alguns momentos, tendo que recusar ou dividir com mais gente alguns trabalhos simultâneos e tendo que adiar alguns projetos. Em outros ainda, procurando novos clientes sem sucesso. Espero que o ano que vem, sobre o qual pairam muitas incertezas econômicas, possa ser um ano de maior estabilidade e regularidade.

Este também foi o ano em que vivi a maior aventura da minha vida, indo conhecer o Japão por conta do Consulado Geral e do Ministério de Assuntos Estrangeiros do Japão. Aventura, aliás, que foi narrada dia a dia neste blog. (Se ainda não leu, confira aqui.)

Houve também muitos trabalhos e casos profissionais relatados, comentários sobre assuntos que me interessam e até um furo de reportagem, a divulgação sobre a adaptação teatral do mangá Death Note. Na ocasião, este blog foi bastante divulgado e ganhou centenas de novos leitores em poucos dias. E ainda arranjei tempo pra manter, paralelamente a este blog, um outro que divido com alguns amigos, o Blog Robô Gigante, que rapidamente ganhou alguma popularidade entre os fãs de heróis japoneses.

Mas agora é hora de parar e recarregar as baterias, que ninguém é de ferro. Estou de férias e retomo atividades (incluindo este blog) no começo de janeiro de 2009.

Tenha um Feliz Natal e um 2009 repleto de paz, saúde, prosperidade e boas realizações.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CARICATURAS ESPORTIVAS

Esta imagem mostra algumas das caricaturas que produzi recentemente para uma empresa. Eles forneceram fotos (algumas não muito boas) para que eu criasse corpos caricatos mostrando esportes olímpicos. Alguns tinham a indicação de algum esporte favorito, mas com a maioria eu pude criar à vontade. Foram 53 ilustrações no total, em que fiz a criação, desenhos e colorização. O tratamento das fotos, cenários digitais e edição final de imagens ficou a cargo do Marcelo Ishida, do Núcleo de Arte. Foi a primeira vez que fiz um trabalho assim, com caricaturas em que não precisei desenhar justamente os rostos.

O resultado ficou satisfatório, mas deu um belo trabalho. Tudo em menos de uma semana, com outro trabalho para outro cliente feito simultaneamente. Ufa!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

CLIPE MUSICAL: FAMÍLIA ULTRA


Pra espairecer, um clipe carregado de nostalgia. Com cenas da recente e inédita série Ultraman Mebius (2006~07), circula no YouTube um vídeo que homenageia os heróis da infância de muita gente. Aparecem os Ultras originais como estão hoje, incluindo Ultra Seven e os dois primeiros Ultramen. Já idosos mas esbanjando carisma, Hayata, Dan Moroboshi e Hideki Goh ainda salvam a Terra dos monstros gigantes. A música é Ultra Miracle, do Project DMM, uma agradável canção que gruda nos ouvidos. Divirta-se.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O CLIENTE NEM SEMPRE TEM RAZÃO

Vou relatar um caso que exemplifica bem o título desta postagem. Certa vez, durante o andamento de um trabalho (que não vou revelar por questões éticas), um cliente pediu uma alteração em um dos desenhos entregues. Até aí, nada mais normal. Mas era uma alteração impossível.

No desenho, feito com referência fotográfica, uma pessoa aparecia montando em uma bicicleta, com uma das pernas erguida. O cliente não gostou e disse preferir a pessoa pedalando. E disse que os pés estavam longe demais dos pedais. Lógico, visto que a pessoa não estava pedalando, mas montando na bicicleta, passando uma perna por cima. Refiz o desenho inteiro, e o cliente reclamou de novo. Disse que queria o desenho original e que eu deveria apenas refazer os pés, para que parecesse pedalar.

Alguém parou pra pensar? Como eu ia mudar a posição dos pés sem mudar a posição das pernas? Insisti que não dava, o cliente insistiu que era uma só uma alteração.
Expliquei que era impossível mudar a posição dos pés sem mudar as pernas e, consequentemente, todo o desenho. Inútil, pois o cliente voltou a insistir.

Ameacei largar tudo e aí resolvemos que ia ficar a segunda tentativa. Por mais que eu explicasse, parecia que eu estava recusando algo fácil.
Há casos em que o cliente pede algo não razoável. Já teve cliente pedindo pra mudar detalhes que ele nunca havia mencionado ou que eu só saberia se trabalhasse ao lado dele ou lesse sua mente. Infelizmente, não tenho poderes paranormais para adivinhar o pensamento do cliente.

Na carreira, temos que aprender a extrair tudo do cliente em termos de informação. E ainda assim, ficamos sujeitos ao humor do cliente, que em última instância, é quem vai nos pagar. Mas tudo tem limite e o bom senso deve reger as negociações. E às vezes é igualmente importante bater o pé e marcar posição de modo firme e enérgico. É isso.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

EXPRESSÃO VERBAL EM DESTAQUE

Em janeiro, sai o livro Faça seu coração falar (Ed. Bushido), do empresário e escritor Cláudio Ayabe. Trata-se de uma obra voltada à expressão verbal e o Cláudio é um verdadeiro especialista no tema. Com seu Instituto Cultural Gambaru, tem promovido cursos e palestras para ajudar as pessoas a vencerem a timidez e a desenvolver a habilidade de se comunicar bem com sua voz e postura.

Por trabalhar com cursos, oficinas e palestras, sempre dei muita atenção à expressão verbal. Estou acostumado a falar em público, li bons livros e textos sobre oratória e tive bons professores. Fiz teatro no colegio e estudei canto por alguns anos. Treinei oratória, respiração, expressão corporal e levo isso a sério. O tema é algo que vejo com bastante naturalidade, mas me sinto um amador quando vejo o quanto o Cláudio sabe e como ele consegue cativar e motivar as pessoas. Esse é um livro que eu leria com prazer e fiquei muito contente por ter sido convidado para produzir algumas ilustrações internas, transformando a figura do Cláudio em personagem. Mas minha participação acabou indo além.

Estou acostumado a divulgar meus trabalhos e sempre fiz minha própria assessoria de imprensa. Agora, pela primeira vez, farei esse tipo de trabalho sob encomenda, pois fui convidado pelo Cláudio para trabalhar na divulgação do livro. Fazer contatos com a mídia não é nada novo pra mim, mas o fato de estar fazendo profissionalmente algo que sempre fiz de modo informal, representa novo desafio.

Então, 2009 já vai começar a todo vapor, com os preparativos para o lançamento do livro, que já tem data marcada: 15 de janeiro, na Saraiva MegaStore do Shopping Ibirapuera, aqui em São Paulo. Após, ainda haverá outro coquetel para marcar o lançamento da obra em Campinas.


Caso precise de mais informações sobre esse livro, escreva pra mim:
nagado@nagado.com

sábado, 6 de dezembro de 2008

CLIPES MUSICAIS: EVANGELION (YOKO TAKAHASHI)

Comecei a trabalhar com cultura pop japonesa por gostar de ler mangás, assistir animês e tokusatsu e também ouvir J-pop e anime songs. A partir de um certo ponto, comecei a ter que conhecer e acompanhar algumas coisas mais por obrigação ou interesse profissional do que por gosto. Entre as coisas que conheci por dever de ofício está a série Neon Genesis Evangelion (1995). Ícone absoluto dos mangás e animês de ficção intelectual, a série não me empolgou muito, apesar de reconhecer sua qualidade e alto nível. Acho que prefiro histórias mais leves e despretensiosas.

No entanto, a trilha sonora me chamou a atenção. As canções são belíssimas e valem por si só uma conferida, independente do animê. Os clipes desta postagem foram retirados do show Super Robot Spirits 2003, um evento que reuniu vários cantores de anime songs, como Ichirou Mizuki, Hironobu Kageyama, Isao Taira e Mitsuko Horie.

Primeiro, Zankoku na Tenshi no teeze (a abertura) e depois, Tamashii no Refrain, ambas com sua intérprete original, a graciosa Yoko Takahashi.



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

DICAS DE COMPRAS - LIVROS TEÓRICOS

Estamos a menos de um mês do Natal e resolvi postar algumas dicas de livros teóricos sobre quadrinhos e cultura pop. Os links apontam para resenhas que escrevi, com opção para compra em lojas virtuais (*). Confira:

Brincando de Matar Monstros

Desenhando Quadrinhos

Guia Oficial DC Comics - Roteiros

Otaku - Os Filhos do Virtual


Super-Heróis e a Filosofia


E deixa eu fazer agora o meu "merchan", pois meu livro ainda está à venda em diversas livrarias (físicas e virtuais), podendo também ser adquirido diretamente no site da editora Via Lettera:

Almanaque da Cultura Pop Japonesa

(*) Este blog não está vinculado a nenhuma loja. Os links sugeridos são de responsabilidade de seus respectivos proprietários.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

NOTÍCIAS RÁPIDAS (26/11/08)

ANIMEPAN 2009
Nos dias 24 e 25 de janeiro de 2009 acontece em Recife (PE) a quinta edição do festival Animepan, voltado ao universo pop do mangá, animê, cosplay e afins. Fui convidado para participar e acertei um pacote de atividades, que inclui palestras e uma oficina de desenho. Será a primeira vez que irei participar de um evento no nordeste. Depois eu postarei mais detalhes.

www.animepan.com

EXPRESSÃO VERBAL
Em janeiro, será lançado um livro sobre expressão verbal do escritor Cláudio Ayabe. Com dicas preciosas sobre como vencer o nervosismo e utilizar bem sua voz para uma apresentação, o livro é leitura obrigatória para empresários, estudantes, jornalistas, professores e qualquer pessoa interessada em aprimorar sua capacidade de comunicação.

O trabalho foi ilustrado por mim e será o lançamento de estréia da Editora Bushidô. Haverá um coquetel de lançamento em São Paulo (capital), no dia 15 de janeiro, o qual será devidamente divulgado na mídia. Depois, ainda haverá outro coquetel em Campinas (SP).

Sou um grande interessado no tema e seria com certeza um leitor do material. Poder participar profissionalmente do processo de produção foi uma alegria e uma honra.
Também estarei trabalhando na divulgação desse livro e espero poder ver muitos amigos no lançamento.

www.ayabe.com.br

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CIDADANIA EM QUADRINHOS

No Rio de Janeiro (capital), está sendo distribuído em escolas um míni-gibi patrocinado pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Em 12 páginas em formatinho, uma família aprende noções básicas de cidadania e fica sabendo sobre o Núcleo de Defesa do Consumidor (NUDECON) e a Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDEDICA).


A arte e a adaptação são de minha autoria, com roteiro original e coordenação de Roberto Gobatto, cores de Marcelo Ishida (Núcleo de Arte) e produção gráfica da Editora Via Lettera. Na imagem, uma reprodução de uma das páginas da edição.

Achei bem interessante que uma instituição como a Defensoria Pública tenha utilizado a linguagem dos quadrinhos para passar mensagens ao público infanto-juvenil. Mais pra frente, outros gibis poderão ser produzidos com os mesmos personagens.

Cada vez mais, os quadrinhos vão sendo reconhecidos como uma importante ferramenta de comunicação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

CLIPE MUSICAL: YAMATO (ISAO SASAKI)

Minha série em animê favorita de todos os tempos é a Patrulha Estelar, conhecida no Japão como Uchuu Senkan Yamato - Encouraçado Espacial Yamato. Série marcante na trajetória da animação japonesa, o Yamato cativou não somente por sua história, personagens e cenas de ação. A trilha sonora de Hiroshi Miyagawa era um show à parte, com orquestrações belíssimas. E havia também a música-tema, cantada pelo vozeirão de Isao Sasaki, que ficou conhecido no Brasil como o Professor Nambara do seriado Jaspion.

Confira acima uma apresentação de Isao Sasaki anos atrás como convidado especial do show Super Robots Spirits, evento que reúne cantores de anime songs.

- Relembre a Patrulha Estelar em meu texto no site Omelete clicando aqui.

- Matéria também disponível no Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

COBRANDO PELO TEMPO

Quando se trabalha com prestação de serviços (e desenhista é um prestador de serviços), muitos problemas aparecem, a começar pela própria definição da atividade. Se você é visto apenas como um "cara que gosta de desenhar", a tendência é que os clientes achem que estão te fazendo um favor se te chamam pra fazer um desenho.

Mas o desenhista ou prestador de serviços tem que agir como um comerciante. A diferença é que, ao invés de vender um produto, ele vende um serviço. Na verdade, dá pra chamar de produto o desenho, ilustração ou página que se faz.

Quando se trabalha com caricaturas em eventos, se vende o tempo, o que é um item aparentemente mais fácil de medir, mas não é. O desenhista pode estipular quantas pessoas em média consegue desenhar em uma hora (no meu caso, de 12 a 15 caricaturas). Se o evento forma fila, corre-se o risco de ficar trabalhando além do tempo pra atender todo mundo, mais os retardatários, aqueles que deixaram pra última hora porque estavam trabalhando no evento e vem implorar um desenho. Sempre dá pra quebrar um galho ou outro, bem como atender uma ou outra solicitação do cliente pra fazer depois do horário algum convidado VIP ou algo assim. Porém, é importante marcar posição quanto ao cumprimento do horário acordado quando o trabalho foi aprovado. Se você ficou 10 ou 15 minutos sem desenhar ninguém porque ninguém pediu, não é isso que vai interferir na contagem do tempo.

Ou seja, se o horário estava marcado para terminar às 19h00, não tem que ficar até 19h30 ou 20h00 sem receber extra por isso. Se você estava no local no horário combinado e o evento atrasou, não é sua culpa. Claro que sempre dá pra tentar chegar num acordo amigável e quebrar alguns galhos, mas é importante marcar posição quanto a horários. Se tem fila de gente pra ser desenhada e o tempo está acabando, eu calculo quantas pessoas consigo fazer e peço pra fecharem a fila. Nunca, em quase 20 anos de eventos, eu vi um único cliente reclamar por me ver fechando a fila.

Há clientes que se irritam se o desenhista interrompe o trabalho por uns minutos pra descansar a mão e aproveita pra papear um pouco.

Também há clientes que olham para caricaturista como se este fosse - com todo o respeito a essas profissões - um caixa de supermercado ou operador de call center (esses que ficam no telefone o dia inteiro e têm até horário de ir no banheiro controlado) pra ficar correndo de modo mecânico. É comum descansar um pouco durante o trabalho, pois desenhar não é apertar parafuso. Desenhista não é robô e precisamos respirar pra criar bem. Também é preciso garantir condições de iluminação adequada e evitar ficar com prancheta na mão, desenhando em pé e circulando pelo ambiente.

Desenhar de longe, sem a pessoa perceber ou te dar atenção, é impraticável. O caricaturado tem que dar sua preciosa atenção ao trabalho do artista por míseros minutos pra levar um bom desenho. Ou isso ou você se subvaloriza demais.

Finalmente, há o problema dos valores. Costumo cobrar R$ 100,00 por hora em média, mas já vi cobrarem um quarto desse valor. É comum negociar valores pelo pacote do serviço, mas certos valores são imorais.

Se o desenhista não se valorizar, não deve esperar que o contratante o faça.

sábado, 15 de novembro de 2008

ADEUS, CLÁUDIO SETO

Hoje, às 10h30 da manhã, na cidade de Curitiba, faleceu aos 64 anos o quadrinhista, escritor e artista plástico Cláudio Seto. Grande veterano dos quadrinhos brasileiros, foi um dos primeiros a usar influências de mangá em seu trabalho, já na década de 1960. Segundo Franco de Rosa, ele teve um derrame ontem a tarde, devido a pressão alta e diabetes. Seto vinha sofrendo com essas doenças há mais de 8 anos, quando teve um enfarto.

Neste ano, foi homenageado pelo Troféu HQ Mix (que neste ano foi modelado com seu personagem Samurai) e também no álbum Front Especial - Imigração Japonesa, com sua biografia em quadrinhos assinada por Bira Dantas.

Não tive a honra de conhecê-lo pessoalmente, mas já o havia citado em muitos textos e li alguns de seus trabalhos. Um tempo atrás, me correspondi com sua filha Mayumi por conta de uma pesquisa para faculdade que ela estava realizando e sempre tive referências ótimas dele através de vários amigos em comum. Sem dúvida, uma grande perda para os quadrinhos.

Deixo aqui minhas condolências à família.
Sem dúvida, toda a comunidade dos profissionais e estudiosos dos quadrinhos lamenta a partida do grande samurai das artes.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

CARTUM

Cartum é, basicamente, o desenho de humor e aqui no Brasil não deve ser confundido com o termo original em inglês "cartoon", que é associado a desenho animado. Mais especificamente, cartum é aquele desenho de comunicação universal, instantânea. Diferente da charge, que é sempre feita dentro de um contexto social ou político sem o qual perde o sentido, o cartum pode ser entendido rápida e facilmente por qualquer um. Sendo uma linguagem gráfica de figuras estilizadas e expressivas, o cartum serve de inspiração para animações e quadrinhos. E também pode ser usado como ilustração, sendo um complemento para um texto jornalístico ou técnico.

Apesar de ter começado minha carreira fazendo cartuns e fazendo isso eventualmente até hoje, não me considero um cartunista. Tendo amigos cartunistas de fato como Marcio Baraldi, Spacca, Bira Dantas, Mastrotti e Cláudio de Oliveira, não me atrevo a me apresentar como cartunista.

Mas eu tento quebrar um galho sempre que preciso, como neste cartum produzido a pedido do amigo Fernando Palmari para uma mostra que ele organizou em Atibaia (SP), em homenagem à imigração japonesa no Brasil.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

20 ANOS DE ESTRADA

Neste mês de novembro, estou completando 20 anos de carreira. Não são vinte anos desenhando, visto que comecei a traçar figuras reconhecíveis aos 2 anos de idade. É que já vi gente que diz ter 30 anos de carreira, mas considera o tempo em que era criança e ficava desenhando por gosto. Com 10 anos, fiz desenhos pra um jornalzinho da escola, impresso em mimeógrafo, o que obviamente não conta. Aos 15, comecei a estudar desenho com Ismael dos Santos no Núcleo de Arte e aí comecei a considerar seriamente trabalhar com desenho. No meu caso, o apoio dos pais foi fundamental para isso, pois as cobranças da sociedade são muitas e a profissão de artista em geral é mal vista. Trabalhar por conta, então, dá a impressão pra muita gente que não se tem horário certo pra trabalhar, quando na verdade não se tem horário certo é pra descansar.

Eu debutei profissionalmente, (ou seja, recebendo por um desenho publicado) em novembro de 1988, quando eu tinha 17 anos e estava concluindo o colegial. Eram cartuns para dois jornais de sindicato patronal: um de fabricantes de motopeças e outro de bicicletas. Infelizmente, não tenho mais as edições.

Com caricaturas para eventos, o primeiro trabalho veio em 1989, numa promoção da semana dos pais do Shopping Interlagos. Nos quadrinhos, foi com um roteiro de Flashman para a revista Jaspion (Editora Abril), em 1990, mas o que marcou minha carreira foi Street Fighter (Ed. Escala), gibi de sucesso dos anos 90 com mais de 20.000 exemplares vendidos por ediçãoo (algo quase impensável no mercado atual de quadrinhos). E na área de redação, o primeiro texto foi publicado em 1993, na revista SET - Terror e Ficção, mas fiquei marcado mesmo pela revista Herói (ACME), fenômeno de vendas também na década de 90, com picos de mais de 500.000 exemplares por edição. Apesar dos 20 anos desenhando, construí uma carreira mais conhecida pelo público escrevendo roteiros e matérias.

De 1988 pra cá, muitos trabalhos foram feitos. Manter-se na área é sempre difícil. Mesmo com tanto tempo de carreira, ainda aparecem convites para trabalhos que não pagam, com o "contratante" achando que divulgar o trabalho é um pagamento suficiente. Há apenas dois anos atrás, o assessor de um vereador (atualmente deputado) teve o disparate de tentar me convencer a desenhar o político "propondo um desafio" pra mim e depois dizendo como ia ser fantástico ver meu desenho transformado em centenas de adesivos circulando pela cidade. Ou um convite para uma palestra numa faculdade em que o professor que me convidou alegou que, como a palestra era para fins educativos (sério?), não haveria verba. Ou empresas de eventos que acham que caricaturista tem que desenhar feito um robô, em condições desconfortáveis e até humilhantes.

Ter longos anos de carreira na verdade só faz aumentar o número de casos a serem contados, dos hilários aos revoltantes. E ainda tenho que correr atrás de clientes - especialmente governamentais - para receber por trabalhos feitos.

Meu desenho não é exuberante e, na área dos quadrinhos, sempre tive críticos ferozes. Realmente, muitos garotos de 15 anos possuem um traço mais chamativo, mais elegante ou mais detalhado pra desenhar uma pose repetida. Porém, não é apenas talento que forja um profissional, como não me canso de dizer em palestras. Vocação artística e vocação profissional são coisas diferentes. O "artista" desenha por inspiração. Logo, pode não aceitar pressão para desenhar uma coisa que ele não gosta, como por exemplo um pasto cheio de ovelhas para um livro de matemática. Ser um artista profissional é tirar seu sustento de sua arte, cumprindo prazos e mantendo uma qualidade para o mercado. Em certos momentos, depende mais de treino e disposição do que talento.

Enfim, apesar das dificuldades, tem valido a pena trilhar este caminho. Tive a satisfação de ter publicado muitos quadrinhos, de ter conquistado o respeito de muitos colegas de profissão e de ter conseguido passar um pouco do que sei para muitos alunos. Também não posso esquecer que meu histórico me proporcionou um convite para conhecer o Japão em março passado.

Um enorme agradecimento a Deus, a meus pais, aos amigos, ao mestre Ismael e a todas as pessoas generosas que conheci pelo caminho. E a minha família, a razão maior para continuar.

Que venham os próximos 20 anos!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

FANZINES NAS ZONAS DE SAMPA

O Projeto FanZines nas Zonas de Sampa é uma iniciativa da coordenadoria do sistema municipal de bibliotecas. Consiste em oficinas gratuitas de HQ espalhadas em diversos bairros da capital, com ênfase nas periferias da cidade. Já ministrei oficinas em diversas bibliotecas em bairros como Penha, Aricanduva e Sapopemba. Participam atualmente do projeto os quadrinhistas Edson Pelicer, Edu Mendes, Ezê, Fábio Santos, Jozz, Rodrigo Bueno, Sam Hart e Weberson Santiago. Trata-se de uma louvável iniciativa da prefeitura de São Paulo, que inclusive paga preços competitivos aos professores. Coordenando tudo, a incansável (e paciente) Doroty Rojas.

Neste ano, participei pouco, mas ainda contribuo na medida do possível. Atualmente, os envolvidos com o projeto estão finalizando uma edição que reúne trabalhos e depoimentos de alunos e professores. E um item interessante do trabalho a ser publicado é uma jam session com os professores. Um dos autores produzia um quadrinho, que devia ser continuado pelo seguinte, dentro de uma ordem combinada previamente. Como profissional, é a segunda vez que participo de uma atividade assim (a primeira foi na livraria HQ Mix no mês passado), que é sempre interessante por mostrar o improviso visual e narrativo.

Quando o fanzine do projeto for lançado, divulgarei aqui.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

HQ: VALE-TUDO, DE MARCIO BARALDI

Acabei de receber meu exemplar de cortesia de Vale-Tudo (Opera Graphica Editora, GRRR!), nova compilação de quadrinhos do cartunista Marcio Baraldi. Ao folhear, reconheci de cara uma divertida historinha que havia lido na saudosa revista Porrada! (Ed. Vidente) muitos anos atrás. Humor politicamente incorreto e para adultos (mas com alma de moleque) escorre pelas páginas de um álbum que atira contra tudo e contra todos.

Na contra-capa, alguns depoimentos de gente do mercado comentando sobre o Baraldi, incluindo um texto meu. A título de registro, meu depoimento segue abaixo:

"Conheço poucas pessoas que vivem 100% do cartum e para o cartum como o Marcio Baraldi. Seu desenho caligráfico expressa o que ele pensa e o que é, transitando do humor infantil ao picante, do politicamente engajado ao simplesmente alucinado. Sem concessões, Baraldi pode atirar em muitas direções, mas o alvo é sempre o senso de humor do leitor. Conhecendo o autor pessoalmente, é impossível não identificar o criador com suas criaturas. Afinal, Marcio Baraldi é, ele próprio, um divertido cartum ambulante."


Vale-Tudo tem 48 páginas e terá seu lançamento oficial dia 29 de novembro, no Festão do Baraldi, evento no qual também irá acontecer a entrega da primeira edição do Troféu Bigorna.

Veja maiores informações aqui.

Site do autor: www.marciobaraldi.com.br

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Maison Ikkoku - Uma série recomendada

Meu mangá favorito de todos os tempos é Maison Ikkoku, que li através de sua tradução em inglês para a VIZ Comics dos EUA. Maison Ikkoku foi produzido por Rumiko Takahashi, a mesma autora de Ranma 1/2 e Inu-Yasha, séries mais conhecidas no Brasil.

A obra conta a vida do estudante Yusuke Godai, morador da pensão Maison Ikkoku, que não é exatamente um vencedor na vida. Sempre sem dinheiro e sonhando com uma boa carreira após a faculdade, o batalhador rapaz tem uma vida amorosa pra lá de mal resolvida, ou melhor, platônica. Ele é apaixonado pela gerente da pensão, a bela e jovem viúva Kyoko Otonashi. Godai é inseguro e nunca consegue dar um passo firme em direção a Kyoko. Ela, por sua vez, é devotada à memória do falecido Soichiro (que também é o nome do cachorro dela), mas aos poucos também se interessa pelo rapaz, que é alguns anos mais novo do que ela. Pra complicar, Kyoko sai com seu treinador de tênis, o conquistador Shun Mitaka, que é apaixonado por ela e não mede esforços para humilhar seu rival. Godai, sem saber direito como disfarçar, começa a se encontrar com a insistente colega Kozue, que é apaixonada por ele.

Voltado para o público jovem adulto, o mangá foi publicado de 1982 a 87 na revista Big Comics, da editora Shogakukan, que depois compilou a história em 15 volumes. Maison ganhou muitos fãs adolescentes quando foi realizada sua versão em animê, numa produção da Kitty Film. A série teve 96 episódios entre 1986 e 88, mais um especial de cinema em 88 e um de vídeo em 90, fora uma novela.

Não por acaso, dediquei à série duas páginas do meu Almanaque da Cultura Pop Japonesa (de onde tirei um trecho desta postagem).

MAISON IKKOKU: AS MÚSICAS



Maison Ikkoku também foi sucesso nas rádios. Seu terceiro tema de abertura, a música “Suki sa”, do grupo Anzen Chitai (um dos mais populares da década de 1980), chegou ao topo das paradas. O Anzen-Chitai foi formado em 1973 por uma turma de jovens colegiais e teve vários integrantes até que estreou em 1982 com Haruyoshi Rokudo (baixo, teclados e vocais), Wataru Yahagi (guitarra, violão e vocais), Koji Tamaki (voz solo e guitarra), Yutaka Takezawa (guitarra, violão e vocais) e Yuji Tanaka (bateria). O Anzen-Chitai alcançou fama em quase toda a Ásia e, com o fim do grupo em 1992, eles se dedicaram a carreiras solo e projetos pessoais, com destaque para Tamaki, Yahagi e Rokudo. O grupo voltou a se reunir algumas vezes só pra matar as saudades. Anzen-Chitai significa "Local Seguro" ou "Zona Segura". Koji Tamaki compunha as melodias quase sempre sozinho e conseguiu se impor como artista solo depois do fim da banda.



Também belíssimo era o tema de encerramento "Ashita hareru ka" ("Amanhã vai chover?"), de Takao Kisugi. Abaixo, os vídeos da abertura e encerramento citadas, lembrando que a série teve outras aberturas e encerramentos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

CAMPANHA DE NATAL

Esta ilustração foi produzida para uma campanha de arrecadação de cestas de Natal para crianças de comunidades carentes.

Os organizadores, ligados à Igreja Católica, são pessoas sérias e dedicadas, que eu conheço, confio e apóio. Além disso, a paróquia que promove a campanha é a mesma onde sou colaborador há anos.

Se tiver inspiração para uma boa ação de fim de ano, confira como ajudar: www.perpetuosocorro.net/news.htm

TWITTANDO

Entrei no Twitter faz algumas semanas. Pra quem não sabe, o Twitter é um microblog com rede social. Com poucos toques (apenas 140), você comunica o que anda fazendo e acompanha o que seus contatos estão fazendo. Dá pra interagir, comentando e recebendo comentários das postagens. É dinâmico e tem se tornado uma febre na internet.

Como gosto de escrever mais longamente e sou adepto de e-mail e blog, ainda não estou convencido de que "twittar" funciona ou tem utilidade pra mim, mas resolvi testar, mesmo tendo cada vez menos tempo pra isso. Se não me empolgar, deleto.

O endereço é www.twitter.com/nagado e os posts também aparecem na página inicial do meu site (www.nagado.com) e na coluna ao lado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

UM PROBLEMA SÉRIO

Em cursos e oficinas de HQ ou mangá com duração maior que um mês, costumo dedicar um tempo para o estudo de técnicas de roteiro. Como eu sempre digo, não dá pra ensinar a ter idéias novas ou inovadoras, mas sim as melhores maneiras de se contar uma história. No entanto, é comum que se esbarre em um problema grande logo no começo: muitos alunos não sabem como começar. Alguns reclamam que não conseguem pensar em nada, em ter idéia alguma.

Aí, forçando, aparecem histórias do tipo: Herói diz que é forte e o vilão diz que vai acabar com ele. O herói dá um golpe mortal e comemora vitória. Meu Deus!!! E vi isso dezenas de vezes. A história se limita a duas pessoas trocando golpes. Nem um video game antigo consegue ser tão raso.
Essa pobreza de idéias tem uma origem básica: Os alunos não lêem quase nada. E o que lêem, não foram ensinados a interpretar.

Na internet, passam o olho correndo em notícias curtas. Ao escreverem, usam abreviações e gírias estúpidas repetidas vezes e nunca aprendem a desenvolver uma argumentação coerente em texto corrido. Cometem erros de português inacreditáveis e às vezes confundem letras maiúsculas com minúsculas, sem saber quando se usa uma ou outra. Claro que esse é um problema de toda a sociedade, não apenas de alguns adolescentes.

A origem dessa falta de idéias e incapacidade de se expressar de modo claro usando palavras corretamente é uma só: falta de leitura. Tem que ler livro, jornal, revista informativa, quadrinhos. Jogar menos, perder menos tempo com MSN, Orkut, fórum... Ter mais cultura geral, não se limitar aos pobres currículos escolares... Ter mais interesse em informação, não ficar só no "ouvi falar". Faltar cultura - e pior, faltar interesse em ter cultura - é a pior coisa a se perceber em alguém que deveria estar aprendendo tanta coisa.

Por isso, para quem deseja trabalhar com quadrinhos, ilustração, texto, comunicação ou arte (ou qualquer coisa que seja), meu conselho é um só:

LEIA MUITO!!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CLIPE MUSICAL: CRY (ASKA)

Pra relaxar, um clipe pouco conhecido de J-Pop/Anime song. É a música Cry, tema de encerramento do animê Street Fighter II-V, de 1995. A interpretação original foi de Yuki Kuroda, mas a versão que encontrei no YouTube é cantada por seu compositor e produtor, o genial Ryo Aska, da dupla Chage & Aska.


sábado, 25 de outubro de 2008

JAM SESSION: "O CRIME DO TEISHOUKU PRETO"

Na terça, estive na livraria HQ Mix para produzir minha contribuição para a Jam Session "O Crime do Teishouku Preto", atividade que é parte da comemoração do primeiro aniversário da loja. "O Crime..." é uma obra aberta e coletiva em que um artista produz uma página, com uma situação que outro deve continuar e assim por diante. É a segunda temporada do evento, que deve gerar álbuns a serem editados pela Devir, com a renda revertida para obras de caridade. O projeto, iniciado pelo Gualberto Costa, reúne quadrinhistas, ilustradores, cartunistas, artistas plásticos e gráficos num exercício interessante de muita criatividade e improviso.

Antes de mim, a artista plástica Monica Rizzoli estava desenhando sua página. Perguntei como seria a página dela e em seguida já fui planejando a minha parte. Eu tinha compromisso depois daquele horário e precisava dar conta de produzir minha página - a de número 123 da HQ - em menos tempo do que a hora a que eu inicialmente teria direito. Foi um exercício de criação interessante e eu estava cercado de gente boa. A cena parecia típica de um estúdio de produção. Em frente ao computador, a Monica desenhava com referências que havia trazido no pen drive. Ao lado, o cartunista Morgani dava os retoques finais em sua página. Normalmente, gosto de ver colegas de traço desenhando, mas o tempo era curto pra mim e tive que me concentrar no que eu havia me proposto. E outro quadrinhista, o Éder, se preparava para continuar a partir do gancho que coloquei no último quadrinho.

Havia um bom arsenal de materiais à minha disposição, mas acabei usando as canetas que normalmente uso. Tracei em estilo mangá, mas com um acabamento rápido, mais próximo da linguagem de lay-out de publicidade. Não ficou nem uma coisa e nem outra, mas o resultado saiu bem dinâmico e saí satisfeito com o trabalho produzido.

A segunda temporada da Jam Session na Livraria HQ Mix prossegue até domingo, dia 26.

Livraria HQ Mix
Praça Roosevelt, 142 – Centro
São Paulo/ SP
Fone: (11) 3258-7740

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

NOVO EVENTO: ANIME SCHOOL

No próximo dia 9 de novembro (domingo), acontece em São Caetano do Sul (SP) a primeira edição do festival Anime School, voltado a animê, mangá e cultura pop japonesa. Minha aluna Stephanie é uma das organizadoras desse evento, que vai homenagear também a imigração japonesa.

NOVO FILME DOS ULTRAS EM DVD NO JAPÃO

Sai em 23 de janeiro no Japão em forma de DVD e Blu-Ray o novo filme dos Ultras, o badalado "Dai Kessen! Chou Ultra Hachi Kyodai". A informação foi publicada no site oficial do filme, no endereço www.ultraman-movie.com

O filme tem sido bastante comentado e, como o longa anterior "Ultraman Moebius & Ultraman Brothers" (de 2006) já foi exibido no Brasil pelo canal Cinemax, dá pra ter esperanças de ver essa película por aqui.

No blog Universo Otaku, tem uma sinopse detalhada (e cheia de revelações que podem estragar a surpresa pra alguns) com comentários do sortudo que viu o filme no cinema. Aos fãs daqui, resta esperar as cópias "alternativas" que são vendidas na Liberdade ou esperar ainda mais pelo DVD oficial ou exibição em TV.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA NO INSTITUTO GAMBARU

No domingo, dia 19, estive no Instituto Cultural Gambaru para proferir a palestra Mangá e Cultura Pop Japonesa, quando falei sobre a origem do mangá e sua ligação com o animê e a cultura pop japonesa.

Fui precedido por uma explanação muito interessante da psicóloga e tradutora Suara Bastos intitulada Hiroshima - O poder da ressignificação. Tendo traduzido a maior parte do mangá Gen Pés Descalços (Ed. Conrad), que fala sobre a tragédia da bomba atômica de Hiroshima, ela dissertou sobre a capacidade de reconstrução daquele povo e sobre como auto controle e disciplina foram importantes no processo.

Na sede do Instituto, que fica perto do metrô Conceição, acontecem regularmente cursos de expressão verbal e reuniões mensais com palestras e troca de experiências entre os participantes.


Criada pelo empresário e escritor Cláudio Ayabe, autor do livro "Gambaru - O poder do esforço e da perseverança" (Clio Editora), a entidade também promove regularmente campanhas de arrecadação para trabalhos sociais.

Site oficial: www.ayabe.com.br
- Fotos do evento

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

JAM SESSION NA LIVRARIA HQ MIX

A livraria de quadrinhos e arte HQ Mix está comemorando um ano em grande estilo, com uma semana repleta de atividades, em especial a grande Jam Session que estão promovendo, reunindo diversos artistas para a produção de uma HQ na base do improviso.

Vários amigos de traço estarão nessa, o que deve fazer do resultado final uma verdadeira HQ-evento. Confirmaram presença o Sam Hart, Fabio Santos, Daniel Caballero, Julinho Sertão, Toni D´Agostinho, Marcio Baraldi e muitos outros.

Confira a programação e a lista completa de convidados da Jam Session (eu incluso) na nota que saiu no site Bigorna, clicando aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

OS PREMIADOS DO TROFÉU BIGORNA

Os quadrinhos brasileiros possuem poucas mas importantes premiações. A mais antiga é o Angelo Agostini, da AQC - Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas. O troféu HQ Mix (que também premia os estrangeiros), criado por JAL e Gualberto, é a mais badalada e conhecida. A elas vem se juntar o Troféu Bigorna, elaborado pelos editores de um dos melhores sites sobre quadrinhos - e que tem foco na produção nacional, tanto profissional quanto alternativa.

A lista dos vencedores da primeira edição do prêmio está disponível aqui.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PERSONAGENS PARA CAMPANHA EDUCATIVA

Aqui, estudos de personagens para um gibi institucional que vou produzir sob encomenda para uma campanha educativa sobre os direitos do consumidor. Foi permitido que eu usasse meu estilo mais pessoal, que pende para o lado do mangá. O roteiro será de Roberto Gobatto, da Editora Via Lettera, enquanto o colorido da HQ ficará a cargo de Marcelo Ishida, do Núcleo de Arte.

O tempo de produção será bem curto e nessas horas o artista precisa ser bastante técnico para passar a mensagem pretendida pelo cliente com a melhor narrativa visual e o melhor acabamento que puder. Não é algo que o grande público tome conhecimento, mas já fiz muitos quadrinhos com esse tipo de finalidade, para diversos clientes.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

DOCUMENTÁRIO SOBRE A IMIGRAÇÃO JAPONESA

O Centenário da Imigração Japonesa no Brasil continua sendo um tema forte e com muito fôlego ainda.

Hoje, gravei participação para um documentário da Eco Falante, que está reunindo quase uma centena de depoimentos relacionados. Com direção de Chico Guariba, contei desde histórias da imigração contadas por meus avós até minha relação profissional com a cultura pop japonesa. Foi uma experiência bem interessante, por lidar de forma bastante abrangente com minha vida dentro e fora da colônia japonesa.

Em certo momento, falei sobre identidade cultural. Disse que, apesar de sempre ser chamado de "japonês", nunca me senti como tal. Tenho relação profissional e afetiva com a cultura japonesa e me orgulho de minhas origens, mas sou, acima de tudo, brasileiro. Eu me defino como um brasileiro, neto de japoneses da região de Okinawa, nessa ordem de importância.

O documentário Histórias da Imigração Japonesa vai sair em DVD e deverá ser exibido na TV Cultura por volta de maio de 2009.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

CULTURA JAPONESA NA UNIBAN

Na quarta-feira passada, dia 1º, estive no campus da UniBan de Osasco para proferir uma palestra sobre mangá e cultura pop japonesa. Perante um auditório cheio, pude falar um pouco sobre a história do mangá, apresentar algumas definições importantes e desenhei alguns exemplos ao vivo. Depois da palestra, houve um show de encerramento do evento, com o cantor Joe Hirata. Ele contou sua bela história de vida, cheia de desafios e superações, e mostrou a grande voz que possui, com um repertório em português e em japonês.

As atividades foram parte da XII Jornada de Turismo UniBan, que teve como tema o Centenário da Imigração Japonesa. Várias atividades ligadas à cultura japonesa foram apresentadas ao longo de 3 dias, formando um amplo leque de atrações.

Fica aqui meu fraterno agradecimento ao pessoal da UniBan, em especial à Nizia, Débora, Bruno e todos os demais que tão bem me atenderam no evento, que foi um sucesso.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

MUDANÇA ORTOGRÁFICA

Com a aprovação do presidente Lula, entra em 2009 o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que vai unificar a língua escrita de Brasil, Portugal, Angola e demais países que praticam o idioma lusitano.

Ontem, em seu Blog dos Quadrinhos, o jornalista Paulo Ramos abriu a discussão aos seus leitores, que se dividiram sobre o caso.

Acho esse acordo uma bobagem enorme. Baixei no iG o manual com as novas regras e vi que há pontos conflitantes e em aberto, sobre os quais haverá muita discussão ainda. Ou seja, vai se perder ainda mais tempo. De positivo, só a volta do K, W e Y, que na prática nunca saíram do vocabulário, visto que nunca deixaram de aparecer em "km", "kg" e em nomes próprios.
Também no iG, Mônica Magalhães exemplifica de modo hilário como, mesmo com a unificação da forma escrita, o português brasileiro continuará sendo diferente do original. Confira aqui o texto que inspirou minha charge. (clique na imagem para ampliar)

Minha opinião foi registrada neste blog em julho. Confira aqui.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A NARRATIVA DO MANGÁ

Em 2000, publiquei pela Editora Canaã uma revista chamada Como desenvolver roteiro para mangá. Era o número 13 da coleção Curso Básico de Mangá, que fez algum sucesso em bancas. Em 32 páginas, eu dava dicas de produção de roteiro, tendo em mente algumas características da narrativa do mangá. O texto introdutório, um resumo sobre o que eu acho que define uma HQ como sendo mangá, acabou incluído em minha coletânea, o Almanaque da Cultura Pop Japonesa.

O assunto sempre vem à tona, seja em palestras ou oficinas. A maioria das pessoas tem uma visão equivocada sobre o mangá e sempre respondo sobre isso em cursos, oficinas e palestras. Por isso, resolvi republicar o texto aqui, esperando que seja uma referência útil aos leitores deste blog.

A NARRATIVA DO MANGÁ
O JEITO JAPONÊS DE CONTAR HISTÓRIAS


As pessoas costumam associar o mangá (quadrinho japonês) a figuras de olhos grandes, cabelos espetados e coloridos, robôs, samurais e monstros. Tudo isso realmente faz parte do universo do mangá, mas não é o que melhor traduz o que é o mangá. O que mencionei agora tem a ver com uma escola de artes gráficas, inserida no gosto médio da maior parte do povo que consome e faz mangá. São estereótipos visuais, padrões estéticos, nada mais que isso. Mas o que muita gente deixa escapar ao folhear um gibi japonês é uma coisa sutil, que foi arduamente pesquisada pelo pioneiro do moderno mangá Osamu Tezuka e foi aperfeiçoada ao longo dos anos por talentosos artistas.

Trata-se da narrativa, aquilo que liga um quadrinho ao outro e dá ao leitor o entendimento da história no ritmo e no tempo pretendido pelo autor. É algo que somente quem se preocupa em contar uma história e não em exibir ilustrações percebe e sabe usar. A grande maioria dos artistas de fora do Japão (como brasileiros e americanos) que diz fazer mangá ou seguir suas influências, o faz sem a noção da tal narrativa de mangá. Geralmente, fazem suas histórias motivados pela admiração a animes (os desenhos animados), sem nunca terem sido leitores assíduos de quadrinhos em geral. Usam visuais característicos (olhos grandes e cabelos espetados) e símbolos gráficos igualmente característicos, como as dinâmicas linhas de ação desenhadas atrás de um personagem em movimento. Nada disso é mangá. Ou melhor: apenas isso não é mangá.

As diferenças são muitas, a começar por como a história é apresentada pelo autor a seus leitores.

Na escola narrativa dos quadrinhos japoneses, o narrador é pouco usado, sendo a narrativa mais visual do que no ocidente. Os diálogos são mais diretos e o ritmo flui de maneira mais suave. É uma abordagem mais cinematográfica e geralmente faz as situações se desenvolverem mais lentamente que nos quadrinhos ocidentais. Vale lembrar que no Japão são comuns as histórias com cerca de vinte páginas publicadas em grandes almanaques semanais, o que dá um bom espaço para ser explorado. Já no ocidente, episódios mensais são a regra geral. Com menos espaço, a narrativa ocidental tende a ser mais objetiva e direta que no oriente. Disso também depende a visão pessoal do autor, seus objetivos e gostos pessoais para que ele decida como aproveitar da melhor maneira a limitação quanto ao número de páginas.

Em outro exemplo da forma narrativa do mangá, uma cena de nascer do sol abrindo uma página, quando a anterior mostrava noite, pode dar facilmente ao leitor a idéia de que nasceu outro dia, sem a necessidade de se escrever o recordatório "No dia seguinte..." . Outro exemplo, agora com mudança de cenário, é abrir a página com um quadro que mostra por fora o ambiente aonde a ação seguinte irá se passar. Isso já basta para situar o leitor no novo cenário. Tal recurso de transição de tempo e espaço mostrada apenas visualmente é uma das grandes características do mangá. Sua origem é a linguagem cinematográfica. O formato e quantidade de quadrinhos numa página influem na percepção de tempo que o leitor tem. Por exemplo: uma cena pode ficar "congelada" por vários instantes se ela for mostrada em vários quadros, sendo que cada um mostra um plano de detalhe da cena e sem que haja movimentação.

Para cenas de combate, o mangá explora vigorosamente a variação de ângulos, bem como o formato dos quadrinhos. Existem momentos em que o ângulo de cena é simples e o desenho transmite tranquilidade. Em outros, o leitor sente suspense e expectativa, para em outros ainda, delirar com situações movimentadas e dinâmicas. Se um autor consegue lidar bem com o tempo, pode prender mais o leitor, que se divertirá tanto com o conteúdo como com a forma com que a história é contada. Tais sutilezas passam longe da maioria dos autores americanos, especialmente os adeptos da linha de desenhos de impacto da Image Comics.

A narrativa de mangá, chamada assim para simplificar, é um conjunto de técnicas que visa um único objetivo: contar bem uma história.


- Texto publicado originalmente na revista especial Como Desenvolver Roteiro Para Mangá (Ed. Canaã, 2000) e republicado no Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera, 2007).
- A capa foi desenhada por mim, com colorização da personagem feita por Alexandre Jubran.

Leia também: Gêneros e preconceitos nos quadrinhos

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

NOTÍCIAS RÁPIDAS

A quem interessar possa, algumas novidades que estão em andamento:
Jam Session: A livraria especializada em quadrinhos HQ Mix, do casal Gualberto e Dani, está organizando seu projeto Jam Session, que visa reunir vários artistas para produzir uma história em quadrinhos coletiva. O primeiro cria uma página, que deve ser continuada pelo artista seguinte do jeito que quiser, e assim por diante. Um a um, os autores vão criando uma obra e acrescentando sua visão pessoal. O formato é bem interessante e é a segunda vez que fazem algo do gênero. Não pude participar da primeira vez que fui convidado, mas nesta nova empreitada, já confirmei minha participação. Acho que vai ser bem divertido. Depois eu conto sobre os bastidores dessa HQ-evento.

Desenhos pra livro: Estou bastante ocupado produzindo uma série de ilustrações para um livro com um tema que me interessa muito: as técnicas de oratória, essenciais para qualquer professor, palestrante ou comunicador. O autor sabe muito bem do que está falando e esse é um livro que eu leria de qualquer maneira. Estar envolvido com a produção torna tudo ainda mais interessante. Mais pra frente, eu postarei um preview do material e divulgarei as datas de lançamento da obra.

Recorde de visitas: Ontem, este blog bateu mais de 180 visitas!! Tudo por causa da repercussão da peça O Caderno da Morte, que começou a ser divulgada por mim aqui no Sushi POP. Muitos sites reproduziram a informação, citando a fonte. E está acontecendo de novo algo que comentei dias atrás: alguns sites estão me chamando de jornalista, coisa que não sou. Mas poderia ser, visto que na década de 1960 o ofício de jornalista não dependia de diploma, mas sim de atuação no mercado. Mas isso é assunto pra debater em outra ocasião...

Cultura Pop Japonesa: Tenho duas novas palestras agendadas para outubro: dia 1º (quarta), vou proferir palestra sobre mangá e cultura pop japonesa para os alunos da faculdade UniBan, de Osasco, como parte de um evento temático sobre cultura japonesa em homenagem ao Centenário da Imigração. E no dia 19 (domingo), voltarei ao Instituto Cultural Gambaru, com uma palestra similar, aberta ao público. Na palestra, falo sobre as origens do mangá e do animê, a presença dessas mídias no Brasil e respondo a perguntas do público. A base da palestra é o meu livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa. Depois, passo as informações.

É isso. Ufa!
Atualização: No dia 24, este blog bateu novo recorde: 310 visitas!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Papo com o ator Miguel Atênsia, de "O Caderno da Morte" (Death Note)

O ator Miguel Angelo Atênsia é natural de Campinas (SP) e tem 25 anos. Formado em artes cênicas pela Unicamp, está no elenco da peça O Caderno da Morte, baseado no famoso mangá Death Note (notícia dada em primeira mão aqui neste blog). Seu personagem será o detevive L, que persegue o responsável por escrever os nomes das vítimas no misterioso caderno.

Nós nos conhecemos no Japão, em março deste ano, quando participamos do programa de intercâmbio Jovens Líderes, promovido pelo Ministério de Relações Exteriores do Japão, com apoio do Consulado Geral do Japão de São Paulo. Foi durante nossa estadia no Japão que ele comentou sobre o projeto de adaptar Death Note para o teatro. Achei o projeto muito interessante, pois acredito que seja uma das primeiras peças de teatro profissional que se inspira no mangá, aqui no Brasil. Neste ano, Naruto também foi adaptado como uma peça de teatro no Rio de Janeiro.


Os quadrinhos já inspiraram outras peças antes, e era questão de tempo até que o mangá fosse referência. E agora, meses depois, já está quase tudo pronto para a estréia do trabalho. Fiquei muito contente pelo Miguel, pois ele é um ator sério, consciente e talentoso. E um cara muito legal, o que é um privilégio para quem o conhece pessoalmente. Sem mais delongas, a entrevista:

FALANDO SOBRE DEATH NOTE NO TEATRO


Nagado: Como e quando surgiu a idéia de fazer Death Note no teatro?
Miguel: Tem coisas que inspiram fazer teatro. Filmes, livros que são muito bons, desenhos... é claro que mangá e anime também. Foi isso que aconteceu quando assitimos o Death Note. Pensamos: "Isso ia ficar muito legal no palco!". A vontade inicial partiu do Bruno Garcia (dramaturgo) no ano passado, e conversando comigo, com a Thais e com o Nei, fomos amadurecendo essa vontade até que criamos o projeto.

N: Como foi a negociação dos direitos? Houve alguma pressão para a aprovação do projeto?
M: No início, a editora JBC nos ajudou, e depois passamos a negociar direto com a Viz Media (detentora dos direitos de DN para o ocidente).
N: Os autores já estão sabendo? Qual foi a reação?
M: Nós gostaríamos muito de saber qual foi a reação dos autores, mas como a negociação teve muitos intermediários até dar a volta ao mundo, não sabemos se ficaram surpresos ao saber que sua obra estava sendo adaptada para o teatro no Brasil.


N: Além do mangá, houve inspiração também no animê e no live-action?
M
: De todos, cada um inspirou de forma diferente. Como estamos trabalhando com adaptação, a forma de contar a história muda de acordo com as caracteríscas de cada veículo. O mangá nos inspirou a sermos ágeis. Como cada quadro expressa muito bem ao leitor o que está acontecendo e o que os personagens estão sentindo, ele nos ajudou muito a chegar na essência de cada coisa. O anime, além de trazer a expectativa do que vai acontecer em seguida, foi a grande base da criação sonora. E o live-action nos ajudou a ver possibilidades dramatúrgicas sobre como poderíamos resolver algumas passagens e sintetizar uma história tão longa sem perder o desenvolvimento.


N: Death Note já virou teatro em algum outro lugar?
M: Não sabemos.
N: O que se pode esperar de fiel e de diferente em termos de história e caracterização de personagens?
M: Quando se vai adaptar de uma linguagem para outra, temos muitas opções. Cada uma tem seu valor específico. Por exemplo: um livro pode contar com a imaginação do leitor, um filme pode acrescentar efeitos e trilha sonora. No teatro tudo acontece ao vivo e cada dia é unico. Nos preocupamos desde o início em como a linguagem teatral poderia acrescentar ao Death Note. Reduzimos a quantidade de personagens para que cada um fosse mais importante na trama e condensamos as situações para que cada cena fosse vital para o desenvolvimento da peça.

N: Você escolheu o seu personagem?
M: Durante o processo de criação, todos interpretaram todos os personagens, e eles foram escolhidos naturalmente. Eu devo admitir que deste o inicio tinha muita vontade de fazer o L, acho que ele é um personagem muito rico e tenho muito respeito por ele. E é por isso que estou tão feliz de poder levá-lo ao palco.


-------------------------------------------------------------

Elenco
Vinicius Carvalho: Light Yagami
Miguel Angelo Atênsia: L
Thais Brandeburgo: Misa
Rudson Marcello: Sr. Yagami
Bruno Garcia: Shinigami

Direção: Alice K


------------------------------------------------------------


Agradecimentos a Miguel Atênsia pela entrevista e informações fornecidas.
Crédito da foto: Alexandre Sales


Para quem se interessar, o relato sobre nossa viagem ao Japão pode ser lido aqui.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ALMANAQUE DO CENTENÁRIO

Um registro interessante, antes tarde do que nunca:

A Editora Escala lançou, há alguns meses, o livro Almanaque do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, uma obra de 162 páginas, repleta de imagens históricas e relatos preciosos. Os autores são Daniel de Rosa, Ricardo Cruz e Minami Keizi. Além de um grande número de informações sobre a cultura japonesa e sua presença no Brasil, há capítulos sobre a vida de Cláudio Seto, Lucy Saratani, Noryuki Sato, Isidoro Yamanaka, Jorge Okubaro, Ryoki Inoue, Minami Keizi e este que vos escreve. Meu depoimento ocupa 6 páginas e foi feito com foco em minha relação com a cultura pop japonesa, que vem desde minha infância. Dois trechos eu reproduzo abaixo:

MINHA LIGAÇÃO COM O LADO POP DO JAPÃO

Entre japoneses e seus descendentes, há diferentes definições étnicas, conforme o grau de ascendência. "Issei" é o japonês nativo. "Nissei", o termo mais popular, é o filho de japoneses e "sansei", é o neto ou nikkey de terceira geração. Há ainda os "yonsei" (quarta geração), “gossei” (quinta geração) e por aí vai. Sou resultado da união das famílias Nagado, Uema, Nohara e Yamashiro, todas provenientes de Okinawa, na parte sul do Japão. Para muita gente, Okinawa é algo à parte dentro do território japonês. Um reino anexado ao Japão no século XVI, o povo de Okinawa (ou Uchiná) tem língua, tradições e traços físicos diferentes da maior parte do arquipélago japonês.

Mesmo sendo um descendente sem mistura racial e tendo sido criado até os 12 anos com a presença marcante de meu avô materno, tive uma criação bem mais ocidental que muitos amigos também descendentes que estudavam comigo. Por outro lado, me interessava muito por um lado do Japão não muito ligado às tradições ancestrais, que eram os desenhos e seriados que via na TV. E havia também o mangá, que eu descobri na escola onde fiz pré-primário. Desde pequeno, gostava de desenhar e fazia isso o tempo todo, em grande parte, motivado pelo que eu lia e assistia.

PRIMEIROS CONTATOS

No início, o que me moveu a querer ser desenhista foi gostar de quadrinhos. Eu lia de tudo, como Mônica, Capitão América, Mortadelo & Salaminho, Tio Patinhas... E assim, ficava criando minhas próprias histórias, durante minha infância na década de 1970. Na TV, assistia Batman, Os Monkees, Viagem ao Fundo do Mar, Os Impossíveis e tantos outros. Mas o que eu mais curtia era mesmo ver seriados japoneses de animê (animações) e tokusatsu (filmes e séries com efeitos especiais), apesar de na época nem imaginar tais definições. Assisti Ultraman, Ultra Seven, Robô Gigante, Speed Racer, A princesa e o cavaleiro, Sawamu, Fantomas e outros, especialmente na TV Record e na extinta TV Tupi. Na Record, inclusive, havia o “Especial do Mês”, um filme que era anunciado como uma grande atração. E na época, a garotada levava a sério e aguardava ansiosamente pelos “grandes clássicos” programados. Entre filmes de ficção científica “B”, faroeste italianos e pancadarias de Hong Kong com imitadores de Bruce Lee, havia os filmes de monstros gigantes (chamados no Japão de “kaiju eiga”), como “A fuga de King Kong” (a divertida versão nipônica do famoso gorila), Godzilla versus King Kong, Gamera contra Barugon, Ataque dos Monstros e muitos outros.
....

Em 1991, enquanto eu ainda fazia roteiros para a Abril, descobri o livro Mangá – O poder dos quadrinhos japoneses (reeditado pela Ed. Hedra), da pesquisadora Sonia Luyten, o que abriu meus olhos para a possibilidade de um trabalho sério de pesquisa sobre mangá e afins. Ao comprar uma edição de 1992 da revista SET – Terror e Ficção (Ed. Azul), vi anunciarem para a edição seguinte, uma matéria sobre Ultraman. Como eu tinha algum material de referência, me dispus a ajudar. Liguei na redação, conversei com o editor Carlos Eduardo Miranda (que anos depois seria jurado do programa Ídolos, do SBT) e ele me contou que ainda não havia um autor escolhido, apenas era um assunto que ele achava legal e estavam fazendo uma pesquisa coletiva pra matéria. Ele então perguntou se eu não gostaria de fazer um teste de redação. Escrevi uma resenha que foi bem recebida e acabei tendo a chance de estrear como redator, num texto pequeno sobre Ultraman, depois de pesquisar algumas revistas importadas.
Depois, veio uma reportagem maior sobre monstros japoneses. Além de puxar muita coisa de memória daquelas sessões na TV Record, pesquisei dados de jornais da colônia sobre alguns filmes exibidos nos extintos cinemas da colônia japonesa, como o Niterói e o Shochiku, que eu nem cheguei a conhecer. Aliás, como era difícil conseguir informação naquela época!

(Depoimento completo exclusivamente no Almanaque do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil - Ed. Escala)


- Compre aqui (Site da Escala, de responsabilidade exclusiva da empresa.)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

UM PAPO SOBRE A IMPRENSA ESPECIALIZADA

Com frequência, sou procurado por estudantes de comunicação, artes ou jornalismo para fornecer informações para teses ou TCCs (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre mangá e cultura pop japonesa, apesar de não ter vindo do meio acadêmico. Um dos contatos mais recentes foi com o Glauco Benetti, que mandou algumas perguntas que reproduzo abaixo, por serem relevantes aos temas abordados aqui no blog.

Porque a mídia televisiva e a impressa dão pouco destaque para a cultura pop japonesa?
- Talvez porque as pessoas que mandam nas redações sejam de outra geração, sem afinidade com esses fenômenos mais recentes. Os jornalistas ainda tentam entender essas coisas estranhas que vêm do Japão... :-)


Qual a sua formação? Voce não é jornalista, ou estou enganado?
- Realmente, não tenho formação universitária. Por isso sempre me apresento como redator.


Você acha que publicando matérias/colunas está suprindo a falta de jornalistas especializados nessa área?
- Essa imprensa nasceu do meio dos fãs e de certa forma é assim até hoje. Na época da revista Herói, os redatores eram remunerados. Hoje, com a internet suprindo as informações e cada vez mais gente escrevendo sobre isso, tudo virou meio fanzine. Os redatores da maioria dos sites sobre mangá e animê não ganham nada, pois os sites mal geram renda pra se manter no ar. Tudo fica sendo "pra divulgação". Então, é inviável pra um jornalista formado (ou adulto que se preze) querer viver disso, a menos que consiga se empregar em uma empresa de comunicação séria que, entre outros assuntos, tenha espaço para cultura pop em geral e, eventualmente, a japonesa.

Quando você escreve alguma matéria, quais os critérios de redação que você usa? (jornalismo on-line sempre requer paragrafos curtos, notícias condensadas, hiperlinks...)
- Ainda estou me adaptando à internet e tenho certa resistência a parágrafos muito curtos. Acabo escrevendo igual seja para sites ou para revistas. Mas sempre li textos técnicos e manuais de redação para me informar e atualizar. Sempre procurei colocar tudo no contexto, escrever de forma clara e, quando possível, coloquial. Isso me abriu portas para escrever profissionalmente, mas também criou críticos ferozes no meio dos fãs, que acham que eu escrevo coisas óbvias, para não-iniciados. Meus textos já foram editados e aprovados por jornalistas experientes e felizmente nunca questionaram o fato de eu não ter formação. Mas já vi ficarem meio surpresos e até indignados por eu "me passar por jornalista", mesmo que eu nunca tenha dito que era um.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

DEATH NOTE NO TEATRO

No próximo dia 9 de outubro, estréia em São Paulo, capital, a peça O Caderno da Morte, adaptação teatral devidamente autorizada do aclamado mangá Death Note. Na trama, um misterioso caderno causa a morte de quem tem o nome escrito nele e é encontrado pelo estudante Light Yagami. Depois de constatar o assombroso efeito, ele começa a exterminar criminosos, ganhando a alcunha de Kira (pronúncia ajaponesada para "killer"). Logo ele passa a ser caçado por L, o maior detetive do mundo, e tem início uma perseguição implacável.

Criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, Death Note foi publicado no Japão na revista semanal Shonen Jump entre 2003 e 2006, gerando depois 12 volumes encadernados, publicados no Brasil pela editora JBC. A Shonen Jump foi também o berço de sucessos como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Yu Yu Hakusho e Samurai X, entre outros. Death Note também foi adaptado para uma série em animê, ganhou filmes live-action para cinema, virou romance em livro e até games. E agora é uma peça de teatro encenada pelo grupo Cia. Zero Zero de Teatro, com direção de Alice K.

O elenco tem o meu amigo Miguel Atênsia, que gentilmente passou as informações e concedeu uma pequena entrevista, que logo vou postar aqui no Sushi POP.

O Caderno da Morte - Death Note
De 9 de outubro a 23 de novembro
Quintas e sábados: 20h00
Sextas: 16h00 (a partir de 31/10) e 20h00
Domingos: 18h00

SESI Leopoldina
Rua Carlos Weber, 835 - Vila Leopoldina
São Paulo/ SP
(11) 3883-1093
- Entrada gratuita

Ficha Técnica
Direção: Alice K.
Adaptação teatral: Cia. Zero Zero de Teatro
Dramaturgia: Bruno Garcia
Direção de produção: Carla Estefan
Assistente de produção: Mariana Santos
Figurinos: Patrícia Brito
Cenografia: Laura Marc
Sonoplastia: Greg Slivar
Projeção: André Menezes
Iluminação: Eduardo Albergaria
Material gráfico: Gustavo Valezi

Elenco: Bruno Garcia, Miguel Atênsia, Rudson Marcello, Thais Brandeburgo, Vinicius Carvalho